Sem me importar com a reputação de Alexander na frente da estilista, virei-me para ela com um sorriso educado, mas firme.
— Peço desculpas pelo transtorno, mas a roupa que estou vestindo está ótima. Não vou trocá-la.
A estilista assentiu com uma expressão que misturava alívio e medo, mas Alexander… ah, Alexander não parecia nada satisfeito. Ele me olhou como se eu tivesse acabado de anunciar que pretendia sair de casa vestida com um saco de batatas. Seus olhos se estreitaram tanto que eu juro que quase vi faíscas saindo dali.
Ainda assim, permaneci firme, fingindo uma serenidade que definitivamente não sentia.
— Charlotte… — Ele começou, mas parou, exalando pelo nariz, visivelmente tentando manter a compostura.
E então, sem dizer mais nada, ele girou nos calcanhares e saiu da sala em um silêncio carregado. Mas, claro, não sem antes me lançar um último olhar de advertência que parecia dizer: “Essa conversa não acabou.”
Se a porta fosse de vidro, ele provavelmente teria ficado do lado de fora, vigiando.
Suspirei, sentindo uma mistura de vitória e apreensão.
Enquanto a maquiadora terminava seu trabalho, tive tempo suficiente para refletir sobre a birra irracional de Alexander. A cada pincelada, eu tentava encontrar algum sentido no comportamento dele — e falhava miseravelmente.
Quando finalmente fiquei pronta, peguei meu telefone e mandei uma mensagem breve:
“Estou pronta. Podemos descer juntos?”
A resposta veio quase instantaneamente, seca e objetiva, como só Alexander sabia ser:
“Vá sozinha. Você não precisa de mim para descer as escadas.”
Abaixei o telefone, soltando uma risada sem humor.
Se isso deveria me incomodar? Não. Comparado aos dias em que ele simplesmente me ignorava quando estava irritado, essa resposta parecia quase carinhosa. Então, com o orgulho ligeiramente ferido, agradeci à estilista e à maquiadora, e desci as escadas sozinha.
Ao chegar ao hall, notei um pequeno aglomerado de criados cochichando na entrada do corredor que levava aos quartos de Lily e Vovó. A postura deles era tensa, os olhares furtivos e as vozes sussurradas, o que, claro, despertou imediatamente minha curiosidade.
Assim que os serviçais perceberam minha presença, se dispersaram como baratas fugindo da luz.
— Algum problema? — perguntei a um dos mais corajosos, que permaneceu no lugar, tentando desesperadamente parecer ocupado com um vaso de flores.
— Senhora… mandaram chamar a Srta. Lily e o Sr. Dubois para a sala de estar, mas… — Ele engoliu em seco. — Eles estão… discutindo, e ninguém teve coragem de interromper.
Ah, ótimo. Drama de casal logo pela manhã. Que maravilha.
Suspirei, lançando um olhar impaciente para o corredor.
— Tudo bem, podem voltar ao trabalho. Eu mesma os chamarei.
O alívio nos rostos deles foi tão palpável que quase me senti uma heroína.
Quando me aproximei do quarto de Lily, Vovó estava parada na porta, espiando pela fresta com a concentração de uma detetive profissional.
— Vovó… — sussurrei, revirando os olhos. — Você realmente precisa de um hobby.
Ela nem se deu ao trabalho de me encarar.
— Eu sabia que esse Nadir não era boa coisa! — sibilou. — Ele está admitindo que brinca com várias mulheres! E agora ousa acusar minha neta de estar com outros homens! — Ela bufou, indignada. — Eu sempre disse que ele era um lobo em pele de cordeiro!
Lancei-lhe um olhar cansado.
— Vovó, por favor, isso é uma briga particular. Você não pode simplesmente ficar aqui ouvindo.
— Particular? — Ela cruzou os braços, ofendida. — Quando se grita desse jeito, deixa de ser particular. E você espera que eu ignore quando o destino da minha neta está em jogo?
Antes que eu pudesse argumentar, uma voz exaltada ecoou do outro lado da porta.
— Charlotte!
Meu coração deu um salto tão forte que quase caí para trás. Por um segundo, achei que Lily tivesse me visto espionando, mas logo percebi que a porta ainda estava fechada.
A curiosidade venceu qualquer senso de moralidade, e eu me inclinei um pouco mais perto.
— O que tem Charlotte? — A voz de Nadir soou ríspida, cheia de frustração.
— Você ainda ousa negar? Você a ama, não ama?! — Lily gritou. — Charlotte é casada, e você ainda tem coragem de se apaixonar por ela!
— Isso é ridículo, Lily! — Nadir rebateu, e eu podia ouvi-lo andar de um lado para o outro pelo som das pisadas pesadas. — Eu não preciso me explicar para você. E, para sua informação, eu não vou continuar com esse casamento se você continuar com essas acusações absurdas!
Meu queixo caiu.
Lily soltou uma risada amarga.
— Poupe-me de sua filosofia barata, Nadir. Você pode dizer o que quiser, mas eu sei que está apaixonado por ela.
Engoli em seco, sentindo minha garganta secar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!