Eu já sabia que ia acabar com ele. Já tinha decidido isso, mesmo que a convicção me escapasse sempre que Alexander surgia com aquele ar distante e inatingível. No fundo, eu já me considerava sozinha há muito tempo, um adorno dispensável na vida dele, e me repetia que estava pronta para seguir em frente.
Mas ainda doía. Ele mentiu. Ele tinha outra. E depois de admitir isso com um desdém quase casual, ele olhou para o relógio — aquele maldito relógio de pulso caríssimo — e se virou para sair. Me deixou ali, aos prantos, como se fosse nada.
Orgulho sempre foi meu sobrenome. Jamais me deixaria rebaixar… até aquele instante. Porque naquele dia, por algum motivo que nem sei dizer, meu orgulho cedeu.
Eu o vi pegando a bolsa e indo embora, e, sem pensar, corri para segurá-la com as duas mãos. Minha voz saiu tão baixa que quase achei que ele nem ouviria.
— Se você sair agora, não vai me encontrar quando voltar.
E ele ouviu. Mas sua resposta foi arrancar a bolsa das minhas mãos com tanta força que eu perdi o equilíbrio, caindo para trás.
Senti o impacto da queda no instante em que bati contra aquele balcão ridículo que minha sogra tinha insistido em manter no quarto. Uma pedra sólida com arestas afiadas, cobertas por uma fina camada de aço. Senti as pontas me perfurarem, como lâminas atravessando minhas coxas.
Eu não gritei. A dor era tão seca e aguda que apenas fiquei olhando para o teto, anestesiada. De algum modo, sabia que, com aquela porta batendo atrás dele, meu casamento havia acabado.
E o que ele fez? Foi embora. Deixou-me lá, ferida, sem ao menos olhar para trás. Uma escória. Eu quase perdi minha vida porque ele sequer teve a decência de olhar para trás.
No segundo seguinte, senti a dor crescendo, brutal e invasiva, a respiração escapando, irregular. Aquele velho inimigo, o ataque de pânico, veio com tudo. Tentei me mover, pegar o celular para pedir ajuda, mas mal consegui me erguer antes de desabar no chão. O sangue se espalhava rápido, cortava minha pele como facas, e eu rastejava, tentando alcançar a cama. Minhas pernas não obedeciam, e meu corpo tremia tanto que, toda vez que tentava me levantar, caía de novo. Era uma luta contra uma dor tão visceral que minha mente simplesmente parou de funcionar.
Gritei por socorro. Mas ninguém ouviu.
Fiquei assim, sangrando e implorando, por três horas. Três horas naquele quarto, ferida, tentando respirar enquanto o corpo parecia desistir. E Alexander? Ele apareceu só depois, retornando do trabalho e me encontrando inconsciente no chão, num mar do meu próprio sangue.
A última coisa que me lembro foi de ser levada para o hospital, onde me disseram que meus sinais vitais estavam alarmantes. Fui parar na UTI, meus dias e noites se misturando na dor. E, no final, tive de aceitar a verdade: minha vida estava em risco, minhas pernas, marcadas para sempre, e meu casamento… terminado.
Denunciei Alexander à polícia, mas ele tinha uma equipe de advogados que o tirou de tudo sem um arranhão, pagando apenas uma compensação financeira. Como se minha dignidade e minha dor tivessem preço.


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