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O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 44

Quando o caos finalmente cedeu espaço ao silêncio, senti os braços de Alexander envolverem meus ombros. Não era um abraço qualquer; era firme, quase possessivo, como se ele quisesse me impedir de desmoronar ali mesmo. Encostei a cabeça em seu peito, incapaz de lutar contra o conforto inesperado daquele momento.

Ele afagou meu cabelo com uma mão, enquanto a outra dava leves toques em minhas costas. Sua voz baixa e rouca soou no meu ouvido, causando uma reação involuntária que detestei admitir:

— Você foi corajosa hoje. Termine o que começou e vamos para casa.

Pisquei rapidamente, tentando segurar o que restava da minha dignidade.

— Já terminei.

Ele apenas assentiu, mas antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, virou-se para a mulher e o sobrinho que ainda estavam ali, observando a cena com olhares curiosos e, no caso dela, completamente desprovidos de emoção.

— Pode ir agora — sua voz não era cruel, mas havia algo nela que não deixava espaço para objeções. — E senhora Dubois, sugiro que ligue para seu marido. Avise-o que sua falta de modos foi devidamente notada — disse Alexander, com um tom cortante que fez minha espinha gelar.

Eles saíram sem questionar, a mulher sequer olhou para trás. E eu fiquei ali, me sentindo como uma parede que ninguém sequer percebe no cômodo. Não sei quanto tempo se passou antes de Alexander se ajoelhar ao meu lado e levantar meu rosto com um toque delicado, como se eu fosse de vidro. Ele pegou um guardanapo da mesa e estendeu para mim.

— Pelo menos agora você sabe que ela está viva. Sempre que quiser confrontá-la de novo, me avise. Se preferir puni-la de alguma forma, diga também.

Minha cabeça apenas acenou sozinha, sem minha permissão. As palavras dele pareciam práticas, quase indiferentes, mas algo na forma como ele me olhava dizia o contrário. Quando voltamos para casa, ele insistiu em pedir algo para comermos, mas minha fome era inexistente.

Passei os dias seguintes como um fantasma. Horas sentada no sofá, encarando a TV sem realmente assistir. Trabalhar era inútil. Pensar era um castigo. Toda vez que a imagem dela surgia na minha mente — e isso era o tempo todo —, o vazio me engolia de novo.

Talvez fosse isso o que chamavam de “coração partido”. Eu me sentia em pedaços, minha vida passando sem que eu realmente participasse.

A ansiedade, minha velha companheira, não me deixou em paz. Mas, de alguma forma, eu consegui dormir, ou pelo menos pensei que sim, até ser acordada de maneira abrupta. Algo estava me sacudindo — não era um pesadelo, mas a realidade. E, ao abrir os olhos, vi Alexander diante de mim, as mãos firmemente agarradas aos meus ombros, tentando me trazer de volta.

Seu rosto estava próximo demais, os olhos atentos aos meus, e percebi que ele parecia… cansado.

— O que está fazendo? — perguntei, com a voz arranhada.

— Tentando te acordar. Você estava gritando — respondeu, soltando meus ombros devagar, como se temesse que eu fosse despedaçar ali mesmo.

Ele serviu um copo d'água e o colocou na minha mão, observando cada movimento meu como se buscasse alguma resposta invisível.

— Você estava chorando — comentou, depois de um tempo.

— Não me lembro de nada.

Era quase irritante o quanto sua simples presença me confortava. Sem palavras, sem toques. Apenas estar ali, respirando no mesmo espaço que eu, fazia algo dentro de mim se acalmar.

Enquanto o observava, minha mente vagou para o início de tudo. Para minha avó, me encarando com aquele olhar impiedoso, dizendo que jamais me perdoaria se eu recusasse o “único” pedido dela: casar com Alexander Speredo. Como se tudo o que ela tivesse exigido de mim até aquele momento fosse irrelevante.

E, mesmo assim, eu não podia ignorar o que ela representava para mim. Minha avó era uma mulher dura, sim, mas foi a única pessoa que segurou minha mão quando o mundo inteiro me virou as costas. Quando ninguém mais acreditava em mim, ela estava lá. Então, não importava o quanto aquela exigência fosse absurda — eu não podia simplesmente ser ingrata.

Claro, na época, minha solução foi simples: convencer Alexander a romper o noivado. Para isso, liguei para ele com a ousadia que só uma jovem desesperada poderia ter. Pedi que nos encontrássemos em um restaurante e já tinha um discurso inteiro planejado na minha cabeça.

Mas o universo, como sempre, tinha outras ideias. No exato dia do nosso encontro, meu gerente decidiu que eu precisava cobrir uma história de última hora. O local? O mesmo restaurante onde eu deveria encontrar Alexander.

“É claro que é o mesmo lugar”, pensei, rolando os olhos. E, quando perguntei sobre a tal história, a resposta foi algo que só aumentou meu desespero:

— O herdeiro da corporação Speredo foi visto em um restaurante comum. Deve haver algo suspeito nisso!

E foi assim que percebi que minha vida estava prestes a se transformar em um espetáculo ainda maior. Afinal, não era todo dia que a mídia ficava tão obcecada com alguém por ele fazer algo tão “ordinário” quanto comer fora.

“É oficial”, murmurei para mim mesma, enquanto respirava fundo antes de entrar no restaurante. “Estou noiva de um homem tão extraordinário que até o fato de existir fora de um escritório é notícia.”

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