Quando o caos finalmente cedeu espaço ao silêncio, senti os braços de Alexander envolverem meus ombros. Não era um abraço qualquer; era firme, quase possessivo, como se ele quisesse me impedir de desmoronar ali mesmo. Encostei a cabeça em seu peito, incapaz de lutar contra o conforto inesperado daquele momento.
Ele afagou meu cabelo com uma mão, enquanto a outra dava leves toques em minhas costas. Sua voz baixa e rouca soou no meu ouvido, causando uma reação involuntária que detestei admitir:
— Você foi corajosa hoje. Termine o que começou e vamos para casa.
Pisquei rapidamente, tentando segurar o que restava da minha dignidade.
— Já terminei.
Ele apenas assentiu, mas antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, virou-se para a mulher e o sobrinho que ainda estavam ali, observando a cena com olhares curiosos e, no caso dela, completamente desprovidos de emoção.
— Pode ir agora — sua voz não era cruel, mas havia algo nela que não deixava espaço para objeções. — E senhora Dubois, sugiro que ligue para seu marido. Avise-o que sua falta de modos foi devidamente notada — disse Alexander, com um tom cortante que fez minha espinha gelar.
Eles saíram sem questionar, a mulher sequer olhou para trás. E eu fiquei ali, me sentindo como uma parede que ninguém sequer percebe no cômodo. Não sei quanto tempo se passou antes de Alexander se ajoelhar ao meu lado e levantar meu rosto com um toque delicado, como se eu fosse de vidro. Ele pegou um guardanapo da mesa e estendeu para mim.
— Pelo menos agora você sabe que ela está viva. Sempre que quiser confrontá-la de novo, me avise. Se preferir puni-la de alguma forma, diga também.
Minha cabeça apenas acenou sozinha, sem minha permissão. As palavras dele pareciam práticas, quase indiferentes, mas algo na forma como ele me olhava dizia o contrário. Quando voltamos para casa, ele insistiu em pedir algo para comermos, mas minha fome era inexistente.
Passei os dias seguintes como um fantasma. Horas sentada no sofá, encarando a TV sem realmente assistir. Trabalhar era inútil. Pensar era um castigo. Toda vez que a imagem dela surgia na minha mente — e isso era o tempo todo —, o vazio me engolia de novo.
Talvez fosse isso o que chamavam de “coração partido”. Eu me sentia em pedaços, minha vida passando sem que eu realmente participasse.
A ansiedade, minha velha companheira, não me deixou em paz. Mas, de alguma forma, eu consegui dormir, ou pelo menos pensei que sim, até ser acordada de maneira abrupta. Algo estava me sacudindo — não era um pesadelo, mas a realidade. E, ao abrir os olhos, vi Alexander diante de mim, as mãos firmemente agarradas aos meus ombros, tentando me trazer de volta.
Seu rosto estava próximo demais, os olhos atentos aos meus, e percebi que ele parecia… cansado.
— O que está fazendo? — perguntei, com a voz arranhada.
— Tentando te acordar. Você estava gritando — respondeu, soltando meus ombros devagar, como se temesse que eu fosse despedaçar ali mesmo.
Ele serviu um copo d'água e o colocou na minha mão, observando cada movimento meu como se buscasse alguma resposta invisível.
— Você estava chorando — comentou, depois de um tempo.
— Não me lembro de nada.

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