— Senhor Dubois — Alexander disse com um aceno de cabeça que exalava controle, mas havia uma tensão latente em sua postura. Ele me lançou um olhar rápido, impenetrável como sempre, antes de voltar sua atenção para Nadir. — Sua presença é uma provocação deliberada?
Nadir soltou uma risada baixa, claramente se divertindo com a pergunta. Ele se ajeitou na cadeira, cruzando as pernas com uma elegância estudada, e respondeu:
— Senhor Speredo, sou um homem educado e tenho me comportado de acordo com os costumes do seu país. — A voz dele estava carregada de sarcasmo. — Pelo que sei, o seu “longo” casamento com a senhorita Charlotte Viradia ainda não foi divulgado ao público. O que significa que, aos olhos do mundo, ela ainda é publicamente solteira.
Parei de respirar por um segundo.
Nadir não parou.
— E, considerando que o próprio senhor disse no passado que nunca a viu como uma prima, isso faz de você um mero estranho. Eu precisava discutir um assunto pessoal com ela. Não vejo razão para informar algo a alguém que não tem qualquer ligação relevante com isso.
Minha cabeça virou automaticamente para Alexander. Eu o conhecia bem o suficiente para saber que sua calma geralmente era inabalável, mesmo quando confrontado por adversários. Mas quando nossos olhares se cruzaram, minha percepção foi drasticamente desafiada.
A máscara de indiferença que ele usava tão bem parecia trincada, revelando algo que eu não esperava: preocupação.
Alexander não estava irritado com Nadir — ele estava com medo de que eu acreditasse naquelas palavras. De que eu duvidasse dele.
E isso fez algo dentro de mim mudar.
Ele é meu marido. E, mesmo que nossa relação seja uma bagunça digna de terapia em grupo, eu nunca quis vê-lo fraco. Especialmente não por minha causa.
Endireitei a postura e virei para Nadir, mantendo uma expressão séria enquanto soltava a primeira mentira que me veio à cabeça:
— Nós dois concordamos em manter nosso casamento em segredo.
Antes que eu pudesse continuar, senti a mão de Alexander pousar no meu ombro. Um gesto simples, mas firme, que dizia mais do que qualquer palavra: pare.
Olhei para ele novamente. A preocupação que eu tinha visto segundos antes havia sumido, substituída por algo mais assustador. Seus olhos estavam fixos em Nadir com tanta intensidade que me senti tentada a intervir.
Naquele momento, soube com absoluta certeza que Nadir estava lidando com um homem que sabia punir sem precisar levantar a voz.
Bem, talvez ele não fosse literalmente matar Nadir, mas conhecendo Alexander, ele tinha um arsenal inteiro de formas de acabar com alguém sem precisar sujar as mãos.
Tomei um momento para me lembrar do que ele havia feito a Koudali Fared, pai de Olivia Koudali, minha rival pessoal e uma mulher que tinha tornado minha vida um inferno por anos. Koudali não era qualquer um. Ele era um político influente, praticamente com a presidência ao alcance das mãos. Um homem que sobreviveu a décadas de escândalos e desafios.
E Alexander o destruiu.
Não com palavras duras ou ameaças vazias, mas com uma operação calculada que o reduziu de uma figura poderosa para um homem sem futuro, forçado a abandonar a política. Descobri isso quase por acaso, enquanto trabalhava em um relatório.
— Ele é mais saudável que um cavalo! — ouvi alguém comentar na época. — Só se aposentou porque foi pego em um esquema pelo Sr. Speredo. Embora ninguém entenda por que Alexander se voltou contra o braço direito do pai dele.
Entender? Eu entendia. Era simples: Alexander não tolerava ser ofuscado. Ele derrubou Fared porque o homem era um obstáculo.
E agora, Nadir tinha acabado de colocar um pé nessa mesma linha de fogo.
Quando minha atenção voltou ao presente, ouvi Alexander falar. Sua voz era baixa, mas havia um tom ameaçador, como o som distante de um trovão.
— Vejo que está muito interessado nos assuntos particulares da minha esposa. — Ele deu uma pausa, cada palavra calculada. — Senhor Dubois, nossa conversa termina aqui.

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