Entrar Via

O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 54

Alexander segurava meu rosto entre as mãos, seus olhos presos aos meus, enquanto sua respiração pesada ainda aquecia minha pele.

— Você é minha, Charlotte. Só minha! — sussurrou, as palavras carregadas de uma intensidade que parecia capaz de me despedaçar.

Eu já tinha ouvido essas palavras antes. E, por mais que sua voz rouca agora tivesse um peso diferente, elas ainda me transportavam para outro momento — um em que Alexander também havia cruzado a linha entre o frio e o possessivo.

Foi quando ele me beijou depois de conhecer Mattia Tommazo.

Mattia.

O nome ainda tinha um peso estranho para mim, como um livro que você leu e amou, mas que nunca quis reler. Ele foi o meu primeiro amor, o tipo que você acha que vai durar para sempre, até perceber que contos de fadas são apenas histórias mal contadas de finais complicados.

Conheci Mattia na faculdade, quando fui estudar jornalismo na cidade A. Sugestão de Sr. Jackson Speredo de me enviar para lá, pois os alunos têm mais futuro.

No início, era eu e a cidade A, um mundo novo e sem amigos. Então, como uma boa caloura desesperada por qualquer coisa que preenchesse meu tempo, me inscrevi em tantos clubes que cheguei a tentar o de música, mesmo sendo incapaz de tocar qualquer instrumento sem parecer que estava cometendo um crime contra a arte.

Mas foi no clube de discurso que encontrei Mattia. Ele era veterano e monitor do nosso grupo de calouros. Nós nos conectamos instantaneamente. Ele tinha esse sotaque irresistível, vindo do extremo oeste do país, e falava com um jeito descontraído que me fazia rir mesmo quando ele não estava tentando.

— Você fala como se estivesse cantando, sabia? — ele disse uma vez, rindo do meu sotaque do extremo leste.

E foi isso. Uma conexão estranha e profunda, baseada em palavras e vozes.

Mattia era meu primeiro amor, e por um bom tempo, éramos o casal que todo mundo achava que acabaria se casando. Éramos tão parecidos que mais pareciam gêmeos: feições suaves, e risadas que nunca faltavam. Ele era perfeito, até não ser mais.

Ele se formou antes de mim, e logo veio o inevitável: distância, brigas e, finalmente, o término. Mesmo assim, Mattia foi paciente. Especialmente porque nunca passamos da segunda base. Minha algofobia era uma barreira que ele nunca forçou. E isso, por si só, era a prova de que ele era uma boa pessoa. Talvez boa demais.

Quando conheci Alexander, já tinha superado Mattia. Ou era o que eu achava. Afinal, apresentar Mattia ao meu “novo mundo” foi como apresentar meu coração exposto a uma lâmina afiada.

Eles se encontraram algumas vezes, sempre com uma tensão que eu achava que vinha do fato de Mattia ser meu namorado. Eu estava errada.

O reencontro com Mattia, depois de casada, foi um golpe inesperado. Um projeto de coordenação entre a minha empresa e a revista onde ele trabalhava colocou nossos caminhos de volta em colisão. E, naquele dia, enquanto todos conversavam, parecia que só nós dois estávamos naquela sala.

Não havia mais amor ali. Disso eu tinha certeza. Mas havia uma tristeza latente, um pesar por algo que tínhamos perdido e nunca poderíamos recuperar. Como melhores amigos que se afastaram sem resolver as coisas.

O dia já estava estranho o suficiente, mas Alexander sempre conseguia elevar o nível de estranheza em uma escala que só ele entendia. O impacto do reencontro com Mattia ainda pairava sobre mim, como uma nuvem carregada, e eu sabia que meu humor azedo não passava despercebido. Alexander era muitas coisas, mas desatento não era uma delas.

Então, claro, ele fez o que faz de melhor: apareceu no momento mais inconveniente possível, como um CEO sombrio saído diretamente de um filme.

Tudo começou com aquele carro preto. Era impossível não notar o veículo estacionado do outro lado da rua enquanto eu e o grupo do projeto deixávamos o restaurante após o almoço. A placa era inconfundível — minha memória podia ser seletiva para coisas importantes, mas números de carros caros pareciam gravados em fogo na minha mente. Era um dos carros pessoais de Alexander.

Meu coração deu um salto tão alto que quase saiu pela boca. Ele nunca usava um de seus veículos mais extravagantes para assuntos mundanos. Para evitar suspeitas, eu sempre optava por carros mais discretos. Mas lá estava ele, brilhando ao sol como um aviso silencioso de que eu estava prestes a entrar em apuros.

Tentei me convencer de que era apenas o motorista dele. Talvez Alexander tivesse enviado alguém para me buscar ou trazer arquivos. Com essa desculpa pronta, pedi licença ao grupo e caminhei na direção do carro, meu coração batendo tão alto que eu mal ouvia meus próprios pensamentos.

Foi quando a porta traseira se abriu. Não pelo motorista, mas por Alexander.

Sim, Alexander Speredo saiu do carro como se fosse um príncipe sombrio descendo de seu trono, seus olhos cortantes pousando diretamente em mim.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!