Eu tinha tantas coisas passando pela cabeça durante o trajeto de volta para casa que era um milagre eu não explodir. O silêncio no carro era tão absoluto que parecia ter um peso próprio, sufocante. Cada pensamento que surgia se conectava, inevitavelmente, ao mesmo assunto: Alexander.
Mattia, o projeto, o constrangimento, a raiva clara de Alexander. Meu marido, lindo como sempre, mas absolutamente impossível de decifrar. No final, percebi que 95% das minhas divagações tinham um único ponto em comum: ele.
Quando chegamos à mansão, Alexander saiu do carro com passos firmes e rápidos, sem sequer esperar por mim. Ele estava visivelmente furioso, o que era raro. O clima em casa mudou assim que ele entrou. Lily, que vinha em nossa direção, percebeu imediatamente. Com sua curiosidade afiada, ela bloqueou meu caminho segundos depois.
— Vocês dois brigaram? — perguntou ela, os olhos brilhando de expectativa.
Pensei rápido. Não havia a menor chance de eu expor o que realmente estava acontecendo. Minha avó sempre dizia que problemas conjugais devem permanecer entre os cônjuges, e essa era uma regra que eu seguia religiosamente.
— Descobri um traidor na empresa dele, enquanto investigava algo para a imprensa — menti, séria. — Ele não está nada feliz com isso.
Lily arregalou os olhos, e eu aproveitei para seguir meu caminho, ignorando suas perguntas adicionais.
Ao entrar no quarto, encontrei Alexander parado no centro do espaço, a postura rígida, os ombros tensos. Ele parecia mais intimidador do que nunca.
Fechei a porta atrás de mim e caminhei alguns passos, tentando medir a distância segura.
— Por que você escondeu de mim seu encontro com seu ex? — disparou, sem rodeios.
Respirei fundo, tentando reunir coragem antes de responder.
— Não escondi nada. Só não achei que fosse relevante. Foi um trabalho, Alexander. Um projeto. Só isso.
Ele soltou uma risada seca, quase cruel, que não tinha nada de humor.
— Você não tem o direito de decidir o que é ou não importante para eu saber — interrompeu, implacável. — E você nem sequer mencionou que é casada. Por quê? Estava planejando reacender o passado com ele? Eu arruinei seus planos hoje?
As palavras dele me atingiram como um tapa, e antes que pudesse conter, minha paciência foi pelos ares.
— Como você ousa me acusar de traição? — gritei, minha voz cortando o silêncio do quarto. — Eu não mencionei nada sobre ser casada porque o seu todo-poderoso pai se recusou a anunciar nosso casamento! E se ele perguntasse, por que eu deveria dizer quem era meu marido?
A raiva no rosto dele se intensificou.
— Você sabe muito bem os motivos pelos quais mantivemos nosso casamento em segredo, então não me jogue isso na cara! — ele gritou de volta, sua voz grave preenchendo cada canto do quarto. — O que você fez foi desrespeitoso. Errado. Você deveria ter saído assim que o viu! Ou ao menos me contado! Você me deixou no escuro de propósito! Desde que o reencontrou, tem agido estranha... Não está mais satisfeita com seu marido, agora que viu seu antigo amor?
A briga se prolongou. Gritos, acusações, lágrimas não derramadas. A cada troca de palavras, Alexander parecia mais descontrolado.
Então ele me puxou e me beijou — um beijo forte, quase violento.
— Você é minha! — repetiu, como se precisasse me convencer disso.
Não havia carinho naquele beijo. Era possessão pura, como se ele estivesse tentando apagar qualquer vestígio de Mattia em mim. O que não existia.
Quando tentei empurrá-lo, ele segurou meus braços com força, me puxando para perto, como se eu pudesse escapar se ele afrouxasse o aperto.
— Você entende isso? — gritou, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e algo que eu não conseguia identificar.
Depois daquela briga, mal nos falamos por dias. Ele dormiu no sofá. Eu me tranquei no quarto. O silêncio entre nós era tão espesso quanto o gelo do Alasca, e a tensão pairava no ar como um lembrete constante do que havia acontecido.
Não consigo me lembrar exatamente como fizemos as pazes depois. Talvez tenha sido uma conversa, ou apenas o tempo desgastando a raiva. Mas aquele incidente deixou algo claro: Alexander era absurdamente possessivo.
Ou era isso o que eu pensava.
Agora, anos depois, revendo os mesmos padrões, com um novo homem que eu mal conhecia envolvido, comecei a me perguntar se havia algo mais por trás disso. Talvez não fosse apenas possessão.
Quando Alexander me beijou novamente — dessa vez mais gentilmente, com um toque quase reverente —, algo mudou. Ele segurou meu rosto entre as mãos e me olhou de um jeito que fez meu coração apertar.
— Você é minha, Charlotte. Você entende? — sussurrou, sua voz carregada de algo que parecia... medo. — Você só a mim pertence.
Foi então que percebi. Não era ciúme. Não era possessão. Era medo.
Medo de me perder.
Eu não respondi. Não porque não tivesse nada a dizer, mas porque estava tentando dar tempo a Alexander para se explicar. Observava cada microexpressão em seu rosto, cada movimento, como se aquilo pudesse me oferecer alguma pista. E o que vi não me acalmou.
A tensão nos ombros dele, a maneira como sua mandíbula parecia cerrada como aço. Ele interpretava meu silêncio como algo muito mais significativo do que eu pretendia, e isso o fez explodir de uma vez.
— Minha família não tem nada a ver com a gente — disse, a voz dura como uma lâmina. — Nem no passado, nem agora. Você casou comigo, Charlotte. Comigo. Eles são apenas figurantes. Não têm relação nenhuma com a nossa vida.
Aquelas palavras, tão definitivas, acenderam algo dentro de mim. Desconfiança. Não era algo que Alexander dizia, nunca, e justamente por isso parecia ainda mais suspeito.
— Por que você está dizendo isso? — perguntei, afastando suas mãos do meu rosto.


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