Alexander era como uma tempestade prestes a desabar. Sua presença enchia a sala de tensão, e seus olhos pareciam querer perfurar minha alma. Mas mesmo assim, eu não recuei. Eu o encarei, com o coração apertado, tentando não tremer diante dele.
— Não sei… — confessei, a voz saindo mais frágil do que eu gostaria. — Eu realmente não sei do que você é capaz. Você manipulou a lei quando quase me matou, e nunca sofreu qualquer punição.
Suas feições endureceram em uma fração de segundo. O brilho dos olhos desapareceu, substituído por algo sombrio e devastador.
— Você ultrapassou os limites! — Alexander vociferou, sua voz ressoando como um trovão.
Ele parecia mais distante do que nunca, embora estivesse a poucos metros de mim. Seus ombros estavam tensos, e seu rosto… Nunca o vi tão sombrio. Era como se eu tivesse arrancado algo dele que ele nem sabia que ainda tinha: a paciência.
Alexander não era um homem fácil de derrubar. Ele havia construído sua vida sobre um controle quase absoluto, eliminando distrações, emoções e qualquer fraqueza que pudesse ser usada contra ele. Mas havia duas coisas que ele não conseguia apagar: os sentimentos confusos que nutria por mim e o peso do acidente que quase me tirou a vida.
E eu… eu o atingi com as duas coisas em uma única frase. Cruelmente. Sem pensar.
Enquanto ele me olhava, a incredulidade em seu rosto era quase tangível. Era como se ele estivesse tentando entender como eu, entre todas as pessoas, podia ser tão implacável com ele. E ainda assim, não disse mais nada.
Alexander se afastou. Foi até uma cadeira do outro lado do quarto e se sentou com movimentos calculados, mas a tensão em seus ombros o traía. Quando finalmente falou, sua voz estava baixa, mas carregada de uma frieza que me perfurou.
— Charlotte Viradia, sugiro que procure um advogado competente — começou, cada palavra saindo como uma lâmina afiada. — E não o advogado qualquer que você escolheu para encher sua cabeça de baboseiras sobre seu acidente. Talvez, então, você entenda que a justiça segue as leis, não emoções.
Ele fez uma pausa, seus olhos sombrios nunca deixando os meus.
— Pela lei, o que aconteceu com você foi classificado como um acidente. Não intencional. A única punição para isso foi a indenização, que eu paguei. Eu não fugi da justiça. Eu a segui. E se você ainda quer me ver preso, vá em frente. Tente de novo. E de novo. Até que entenda que a justiça não pune alguém por ferir seus sentimentos.
Ele riu. Uma risada seca, amarga, completamente diferente de tudo o que eu já tinha ouvido dele antes. E então, ele me olhou de um jeito que fez meu coração apertar.
— Eu não sabia que você pensava tão mal de mim. Sou tão baixo aos seus olhos, Charlotte? A ponto de você acreditar que eu seria cúmplice de um crime?
Alexander respirou fundo, como se estivesse tentando reunir coragem para continuar. E quando falou novamente, suas palavras vieram carregadas de algo que parecia uma mistura de dor e resignação.
— Você quer toda a verdade? Tudo bem.
Eu não sabia dizer o que era mais doloroso naquele momento: as palavras de Alexander ou a forma como ele me olhava, como se eu fosse a maior decepção de sua vida.
— Seu pai não era tão incrível quanto você pensa que ele era. — Ele começou, sua voz carregada de um cansaço amargo. — Ele nunca teve um trabalho estável, Charlotte. Dependia do meu pai para tudo. Pergunte ao Nadir. Ele vai contar exatamente o que você quer ouvir no começo, vai pintar um quadro bonito, heroico. Mas, eventualmente, ele vai admitir a verdade: seu pai veio até minha casa pedir mais dinheiro para abrir um projeto. Meu pai recusou. Eles discutiram. Palavras duras foram ditas, como acontece em qualquer briga. E duas horas depois… ele sofreu um acidente.
Meu coração estava em pedaços. Eu não sabia disso… eu realmente não sabia que minha vida estava em perigo real. Ainda assim, eu tinha coisas que precisava dizer. Levantei-me do sofá, encarando-o com toda a coragem que me restava.
— Não se atreva a jogar a culpa em mim! — gritei, minha voz carregada de raiva e frustração. — Eu vi você abraçando Olivia com meus próprios olhos! Na festa, você estava ao lado dela enquanto sua mãe apresentava vocês dois como noivos! As fotos de vocês estavam em todos os jornais! Eu tinha todas as provas, Alexander! Mas você nunca tentou me explicar nada. Você simplesmente me deixou com minhas suspeitas, sem se importar com o que eu pensava ou sentia!
— Eu não a abracei! — Ele gritou de volta, sua voz reverberando pelas paredes. — Eu estava enojado com ela! Você não entende? Eu só a apoiei porque ela revelou informações sobre seu pai! Eu implorei que você me desse tempo, que confiasse em mim, mas você escolheu não fazer isso! Você deliberadamente pisou no meu coração, Charlotte!
Ele passou as mãos pelos cabelos, como se estivesse tentando se controlar, mas a emoção era forte demais.
— E você sempre fez isso. Sempre gostou de pisar no meu coração e no meu orgulho!
A discussão continuou por muito tempo. Era como se estivéssemos vomitando três anos de mágoa, ressentimento e desentendimentos acumulados. Palavras dolorosas foram ditas, segredos foram revelados, e cicatrizes que já deveriam ter se curado foram abertas novamente.
Alexander me culpou, por nunca tentar entendê-lo, por ignorar suas tentativas de proteger nosso casamento. Ele admitiu como me amava e me odiava ao mesmo tempo.
E, apesar de tudo, ele ainda esperava. Esperava que eu mudasse. Que eu confiasse nele. Que eu visse o homem que ele realmente era.
Naquele dia, não houve vencedores na nossa briga. Apenas duas pessoas quebradas tentando encontrar algum sentido em um amor que sempre pareceu impossível.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!