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O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 61

Quando me virei para encarar Alexander, ainda encostada à porta, ele estava parado no meio do quarto, os braços cruzados e uma expressão indecifrável. Sua masculinidade acabara de ser questionada pela minha avó, e ele parecia perdido entre o constrangimento e a necessidade de dizer algo. Mas, como sempre, foi o silêncio que ele escolheu.

— Charlotte? — ele finalmente chamou, a voz hesitante, quase como se estivesse com medo da resposta.

— Hum? — murmurei, tentando evitar contato visual. Eu sabia onde isso ia parar.

— Sobre a consulta ao médico… — Ele hesitou, limpando a garganta, mas antes que pudesse completar a frase, eu já estava com as mãos no rosto, interrompendo-o.

— Pelo amor de Deus, Alexander, esqueça o que a vovó disse! — gritei, tirando as mãos do rosto para encará-lo.

Ele piscou algumas vezes, surpreso, mas não disse nada. Apenas ficou lá, me encarando com aquele sorrisinho que fazia meu coração pular e meu cérebro implorar por paciência.

— Charlotte?

— O que é?! — minha voz saiu em quase um grito.

— Bem-vinda de volta ao lar.

E foi isso. Tão simples, tão inesperado, mas tão Alexander. Por mais que eu quisesse resistir, um sorriso teimoso se formou em meus lábios, aquecendo algo dentro de mim que eu nem sabia que precisava.

***

Como exatamente uma mulher deve reagir ao reencontrar sua maior rival amorosa? Alguém me avise, porque claramente eu não tenho o manual.

Olivia Koudali, meu grande desafio, estava na mansão antes mesmo de eu terminar de me acostumar novamente ao ambiente. Era manhã, Alexander e eu descíamos as escadas para o café, e lá estava ela, na minha cadeira. Vestida com um conjunto de tênis indecentemente curto para o frio de janeiro, ela parecia mais confortável naquela casa do que eu jamais estive.

Ao vê-la, minha primeira reação foi imediata e visceral: que puta.

Não é uma expressão elegante, eu sei, mas como descrever uma mulher que foi rejeitada por Alexander antes de ele sequer pensar em se casar comigo, tentou de novo enquanto estávamos casados, e ainda apareceu novamente durante nossa separação? Determinada? Talvez. Mas eu opto por algo mais direto: desesperada.

— Alexander! — ela exclamou, como se ele fosse o sol em seu sistema solar.

Ela literalmente saltou da cadeira, os olhos brilhando como os de uma criança na manhã de Natal. Quando finalmente chegamos ao pé das escadas, ela já estava na nossa frente, alta e magra, seu rosto impecavelmente maquiado emoldurado por cabelos perfeitamente penteados. Admito que ela era bonita, mas de um jeito calculado, quase forçado. Era o tipo de beleza que parecia exigir esforço, o oposto da minha vibe caótica e espontânea. Assim que coloquei os olhos nela, meu apetite foi embora.

— Como você está? — ela perguntou, com um sorriso radiante.

Alexander, para meu alívio, parecia tão inclinado a responder quanto um muro de concreto. Mas Olivia não precisava de encorajamento.

— Você deve jogar tênis conosco hoje! Aposto que faz tempo que você não pega em uma raquete!

Ela então me notou, ou fingiu notar, com um olhar dramático de surpresa.

— Charlotte! Meu Deus, que saudade de você!

Antes que eu pudesse reagir, ela já estava me abraçando, distribuindo beijos no ar e exalando aquele perfume caro e excessivo.

— Eu realmente senti sua falta! — ela disse, com uma animação que só podia ser descrita como falsa.

Eu, por outro lado, não sentia falta nenhuma. Se eu pudesse, teria feito um pacto com o universo para nunca mais vê-la. Afinal, Olivia havia sido um dos maiores obstáculos do meu casamento. E agora, ela estava aqui, de novo.

No passado, eu teria engolido minha frustração, cumprimentado Olivia com um sorriso forçado e seguido em frente. Não por respeito a ela, mas para evitar uma guerra desnecessária dentro de uma casa onde eu já não era bem-vinda. Mas hoje? Hoje eu não via sentido em fingir. Não depois de tudo o que ela tentou fazer.

Por um instante, achei que ele estava falando de mim. Juro que senti meu estômago revirar, como aquela sensação horrível de estar na escola e ser chamada na frente da classe para levar uma bronca pública. Mas o olhar de choque no rosto de Olivia logo dissipou qualquer dúvida.

— Alexander! Como você pode?! — Minha sogra explodiu, suas palavras reverberando pelo salão como um trovão.

Olivia, agora genuinamente abalada, balbuciou o nome dele, sua voz finalmente exibindo uma fração de emoção verdadeira.

— Alexander… — Ela tentou, mas ele não demonstrou nem um pingo de compaixão. Sua expressão permanecia firme, inabalável.

— Mãe — ele começou, voltando seu olhar para minha sogra. — A única relação desta mulher com esta casa é sua amizade com Lily. Não vejo razão para ela estar aqui contra a vontade minha e da minha esposa. Se alguém discordar, pode se juntar a ela. Não estou segurando ninguém.

Houve um momento de silêncio absoluto, o tipo de silêncio que antecede uma tempestade. Olivia, incapaz de suportar mais, virou-se e saiu, o mordomo a acompanhando como um guarda pessoal para garantir que ela não mudasse de ideia no último segundo. O som de seus soluços ecoava pelo corredor, mas ninguém se moveu para impedi-la.

E então o caos começou.

Minha sogra começou a gritar, chamando Alexander de ingrato e acusando-o de ser manipulado por mim. Lily, que até então estava calada, juntou-se ao coro, suas palavras carregadas de uma frieza que rivalizava com a de Alexander. Até o Sr. Jackson desceu de sua posição de neutralidade para oferecer sua opinião, que, para variar, não ajudava em nada.

— Olivia deveria ser a dona desta casa! — minha sogra disparou. — Sua esposa colocou você contra sua família!

— Você está planejando nos expulsar também, Alexander? — Lily adicionou, os olhos semicerrados em pura acusação.

Enquanto isso, Alexander permaneceu em silêncio, absorvendo tudo com uma paciência que eu sabia que ele não possuía. Quanto a mim, preferi não me envolver. Já sabia que, independentemente do que dissesse, seria vista como a vilã da história. Então fiquei em silêncio, assistindo ao caos se desenrolar, enquanto minha avó descia as escadas com sua Bíblia na mão, interrompida em sua leitura matinal pelo barulho.

Por mais tumultuada que fosse a situação, algo dentro de mim se acalmou. Pela primeira vez, Alexander havia escolhido me defender, sem hesitar, sem se desculpar. E, no meio de todo o caos, isso foi o suficiente para me fazer sentir que talvez — só talvez — eu estivesse em casa.

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