Quando me virei para encarar Alexander, ainda encostada à porta, ele estava parado no meio do quarto, os braços cruzados e uma expressão indecifrável. Sua masculinidade acabara de ser questionada pela minha avó, e ele parecia perdido entre o constrangimento e a necessidade de dizer algo. Mas, como sempre, foi o silêncio que ele escolheu.
— Charlotte? — ele finalmente chamou, a voz hesitante, quase como se estivesse com medo da resposta.
— Hum? — murmurei, tentando evitar contato visual. Eu sabia onde isso ia parar.
— Sobre a consulta ao médico… — Ele hesitou, limpando a garganta, mas antes que pudesse completar a frase, eu já estava com as mãos no rosto, interrompendo-o.
— Pelo amor de Deus, Alexander, esqueça o que a vovó disse! — gritei, tirando as mãos do rosto para encará-lo.
Ele piscou algumas vezes, surpreso, mas não disse nada. Apenas ficou lá, me encarando com aquele sorrisinho que fazia meu coração pular e meu cérebro implorar por paciência.
— Charlotte?
— O que é?! — minha voz saiu em quase um grito.
— Bem-vinda de volta ao lar.
E foi isso. Tão simples, tão inesperado, mas tão Alexander. Por mais que eu quisesse resistir, um sorriso teimoso se formou em meus lábios, aquecendo algo dentro de mim que eu nem sabia que precisava.
***
Como exatamente uma mulher deve reagir ao reencontrar sua maior rival amorosa? Alguém me avise, porque claramente eu não tenho o manual.
Olivia Koudali, meu grande desafio, estava na mansão antes mesmo de eu terminar de me acostumar novamente ao ambiente. Era manhã, Alexander e eu descíamos as escadas para o café, e lá estava ela, na minha cadeira. Vestida com um conjunto de tênis indecentemente curto para o frio de janeiro, ela parecia mais confortável naquela casa do que eu jamais estive.
Ao vê-la, minha primeira reação foi imediata e visceral: que puta.
Não é uma expressão elegante, eu sei, mas como descrever uma mulher que foi rejeitada por Alexander antes de ele sequer pensar em se casar comigo, tentou de novo enquanto estávamos casados, e ainda apareceu novamente durante nossa separação? Determinada? Talvez. Mas eu opto por algo mais direto: desesperada.
— Alexander! — ela exclamou, como se ele fosse o sol em seu sistema solar.
Ela literalmente saltou da cadeira, os olhos brilhando como os de uma criança na manhã de Natal. Quando finalmente chegamos ao pé das escadas, ela já estava na nossa frente, alta e magra, seu rosto impecavelmente maquiado emoldurado por cabelos perfeitamente penteados. Admito que ela era bonita, mas de um jeito calculado, quase forçado. Era o tipo de beleza que parecia exigir esforço, o oposto da minha vibe caótica e espontânea. Assim que coloquei os olhos nela, meu apetite foi embora.
— Como você está? — ela perguntou, com um sorriso radiante.
Alexander, para meu alívio, parecia tão inclinado a responder quanto um muro de concreto. Mas Olivia não precisava de encorajamento.
— Você deve jogar tênis conosco hoje! Aposto que faz tempo que você não pega em uma raquete!
Ela então me notou, ou fingiu notar, com um olhar dramático de surpresa.
— Charlotte! Meu Deus, que saudade de você!
Antes que eu pudesse reagir, ela já estava me abraçando, distribuindo beijos no ar e exalando aquele perfume caro e excessivo.
— Eu realmente senti sua falta! — ela disse, com uma animação que só podia ser descrita como falsa.
Eu, por outro lado, não sentia falta nenhuma. Se eu pudesse, teria feito um pacto com o universo para nunca mais vê-la. Afinal, Olivia havia sido um dos maiores obstáculos do meu casamento. E agora, ela estava aqui, de novo.
No passado, eu teria engolido minha frustração, cumprimentado Olivia com um sorriso forçado e seguido em frente. Não por respeito a ela, mas para evitar uma guerra desnecessária dentro de uma casa onde eu já não era bem-vinda. Mas hoje? Hoje eu não via sentido em fingir. Não depois de tudo o que ela tentou fazer.

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