Henrico se recusou a voltar para casa de Benjamim. Ele queria ficar ali, com a TV ligada no noticiário, para saber se Alessia seria presa e jogaria o nome da família de uma vez na lama.
— Preciso impedir que a Carlota fuja também – Benjamim disse a Antonela, enquanto ela revelou pretender ficar ali com o pai.
— Lamento muito tudo que está acontecendo – Antonela o envolveu em seu abraço, recostando a cabeça no peito dele.
Benjamim sentiu o aroma doce de seus cabelos e, fechando os olhos, disse.
— A culpa não foi sua – ele sussurrou.
Depois se despediram. Ela sentou-se no sofá ao lado de Henrico e ficou vendo as notícias passando sem que ninguém mencionasse sobre a prisão de Alessia. Depois de alguns minutos, o delegado Vladir voltou à casa de Henrico e o interrogou mais uma vez.
Logo, todos saberiam que foi o pai que entregou a própria filha à polícia. Agora, Alessia era uma foragida da justiça, acusada de assassinato.
Os olhos de Benjamim tornaram-se opacos quando ele chegou em casa e não viu Carlota. Não houve um cômodo da casa que ele vasculhasse na procura por ela. Encontrou seu quarto vazio. Carlota havia fugido atestando assim sua culpa pelo que havia acontecido com Fred.
Foi só depois que benjamim se sentou na poltrona da sala, completamente sozinho, que ele se deu conta do que havia acontecido. Sua mãe, a mulher que dizia amá-lo, era a mandante do seu sequestro fracassado. Queria mandá-lo para outro pai, para viver como prisioneiro, enquanto Carlota arrancava Adam dos braços de Antonela para viver sua fantasia mesquinha de um herdeiro perfeito.
Ela realmente acreditou que esse plano daria certo? Se tivesse dado certo, todos seriam infelizes ao final das histórias e Benjamim não suportava nem mesmo pensar nisso.
Algumas horas depois, a polícia invadiu sua casa. Mesmo Benjamim dizendo que Carlota havia fugido, eles vistoriaram cada espaço na procura inútil por ela. Benjamim tinha um copo de bebida em uma das mãos. Fazia tanto tempo que ele não colocava uma única gota de álcool na boca que havia esquecido até mesmo o sabor que tinha aquilo. Era estranho para o seu paladar, mas ele precisava daquela droga para fugir, se alienar da própria realidade.
— Se você tivesse denunciado a Alessia quando nos encontramos essa manhã, as coisas já estariam resolvidas – Vladir sentou-se ao lado dele e sentiu-se confortável em dividir uma bebida com ele.
— Você não entenderia meus motivos, delegado.
— Você queria contar para a sua mulher primeiro – ele bebeu um gole e fez uma careta em seguida – é claro que eu entendo. Mas você deveria pensar que, prendendo a sua mãe, todo esse mistério envolvendo o sequestro talvez estivesse resolvido.
— Você também acha que foi a Carlota quem sequestrou o Adam?
Vladir largou o copo sobre a mesa de centro e olhou com sinceridade nos olhos de Benjamim. Sabia que não podia beber enquanto estivesse trabalhando, mas aquele dia estava sendo tenso demais, até mesmo para Vladir.
As palavras de Benjamim fizeram Vladir suspirar e pensar sobre aquilo e seu rosto ser iluminado como se as lembranças trouxessem paz ao seu coração.
— No fim, ela não ter ficado com você foi um livramento – Vladir concluiu, lançou a ele um último olhar sabendo que era hora de partir – eu me conformo em saber que você nunca mais vai chegar perto dela.
Benjamim olhou para ele sorrindo. No fundo, Vladir só dizia aquelas coisas para provocá-lo. Ele era um excelente policial e um ótimo ser humano. Observou-o partir e viu finalmente o silêncio e a solidão voltar a ser seus únicos companheiros. Subiu ao andar de cima, resolveu tomar um demorado banho antes de sair de casa novamente e ir buscar Antonela na casa de Henrico. Depois, ele teria que buscar Adam na escola. Agora, com Carlota longe, não havia mais necessidade de manter o garoto tão longe assim.
Percebeu então estar gostando da vida de casado, das responsabilidades além da empresa. Era bom cuidar de uma família, trabalhar o dia inteiro e chegar em casa sabendo que pessoas que o amavam esperavam pelo seu retorno ansiosamente.
Ele vestia as calças quando ouviu a campainha tocar. O barulho tornou-se tão insistente que Benjamim desceu as escadas correndo, vestindo apenas a calça com o cabelo ainda bagunçado.
Pelo toque insistente, ele considerou que poderia ser urgente, seja lá quem fosse que estivesse batendo em sua porta no fim daquela tarde. Pensou que poderia ser Alessia, ou até mesmo Carlota, mas quando ele abriu a porta, se deparou com a Helen, aos prantos diante dele.
Benjamim não teve tempo de reagir, quando percebeu que a mulher já estava agarrada nele, o abraçando em prantos. O pior veio depois. Antonela surgiu logo em seguida e o que Benjamim viu no rosto da esposa alertou que ele havia acabado de entrar em outro grande problema.

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