Benjamim não pensou muito sobre o que Vladir estava propondo a ele. Só desejou que o pesadelo terminasse e que sua vida voltasse ao normal. Ele se abaixou, dando um beijo em Adam e prometendo que voltaria logo. Depois, olhou para Antonela. Quis dar um beijo nela também, mas se virou, calado e partiu.
Se ele pudesse sentir ao menos a energia que exalava dela, saberia o quanto Antonela desejou dizer algo a ele, segurar em sua mão e acompanhá-lo, mas ela retraiu esse sentimento, embora mais uma vez soubesse que não conseguiria dormir preocupada com Benjamim.
— Você traiu mesmo ela? – Vladir parou do outro lado da viatura e olhou nos olhos de Benjamim, com uma expressão de dúvida no rosto.
— Não acredito que vou ter essa conversa com você – ele entrou no veículo.
— Eu realmente acreditei que você tinha mudado – Vladir sentou-se em frente ao volante e ligou o veículo – que havia deixado de ser o babaca que enganou a minha irmã. Aquela conversa melosa de que você amava a Antonela era tudo mentira?
— Claro que não – ele respondeu, insatisfeito com a pergunta de Vladir – eu não traí a Antonela, foi tudo um mal-entendido.
— Que alívio – Vladir soltou uma gargalhada, sendo irônico – seja lá o que tiver acontecido entre vocês, espero que se resolva.
Benjamim encontrou sinceridade nas palavras dele. Durante muito tempo, ele travou uma guerra com o delegado da cidade, mas agora as coisas pareciam calmas dessa vez. Benjamim, por outro lado, desejou não mais prolongar aquela conversa. Ele evitava a todo custo falar de Antonela para qualquer pessoa, porque esse assunto aumentava a dor em seu peito e ele estava tentando se acostumar com a ideia de que havia perdido ela, talvez para sempre.
Chegaram à delegacia dez minutos depois. Vladir o direcionou até a sala de interrogatório e, antes que ele pudesse entrar, lhe disse.
— Tente arrancar dela toda a verdade – ele disse – conto com você para isso.
Benjamim balançou a cabeça. Olhou para a porta, encheu os pulmões de ar e tocou finalmente a maçaneta, girando-a, entrando no lugar. Quando seus olhos recaíram sobre Carlota, ela estava abatida, quase irreconhecível. Os cabelos, que antes viviam impecáveis, agora estavam desgrenhados, indicando que ela não os penteava há muito tempo. Vestia uma roupa suja, a pele estava marcada por noites de insônia e preocupação.
— E por isso quis tirá-lo da mãe dele, mandou me sequestrar, fez a Alessia matar o Fred – sua voz foi silenciada de repente – o que mais a senhora fez, mãe? Sequestrou o Adam também?
Os olhos de Carlota se arregalaram de repente e ela abaixou a cabeça. Ficou assim por alguns minutos, pensando sobre tudo o que havia acontecido em sua vida nos últimos tempos. Tentando encontrar a razão para que ela tivesse perdido o controle sobre a própria vida.
— Sou a responsável pelo Adam ter aparecido na cidade naquele dia.
Benjamim se assustou tanto que arrastou a cadeira em que se sentava, como se ficasse perto de Carlota fosse perigoso demais. Ele ficou olhando para ela com uma expressão fantasmagórica no rosto, como se não reconhecesse a mulher à sua frente.
— Eu o dopei, coloquei no meu carro e o abandonei na cidade para que todos pensassem que a culpa era da Antonela – confessou, enfim – fiz uma denúncia anônima dizendo haver um garoto abandonado na parada de ônibus e esperei que a polícia viesse resgatá-lo. Juro que fiquem de olho nele para não deixar que algo pior acontecesse.

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