Liz
Entro no banheiro e ali choro. Estava assustada, mas também aliviada em saber que aquele homem não ia fazer nada comigo… bom, foi isso que ele garantiu. Por enquanto me sentia um pouco leve. As lágrimas saíam não só por estar nessa situação, mas também pelas meninas. Sentia muito pela aquela garota, não sabia como ela estava.
Lembro o quanto aquela menina novinha estava desesperada querendo sua mãe. Pensar naquele velho fazendo e obrigando ela… me fazia mal. Aquele velho asqueroso. Meu peito doía, minha cabeça latejava.
Depois de algum tempo no chuveiro, me seco e visto aquela mesma roupa ridícula que nos deram. Me enrolo no lençol para me sentir um pouco mais segura. Aqueles olhos negros tinham um poder… eu sabia que ele não era alguém simples. Só não entendia porque alguém pagaria 1 milhão e ainda não tinha feito nada. Saio e ele me olha com aquele olhar frio, me regulando de cima a baixo.
— Achei que fosse fugir pela janela — disse, cruzando os braços atrás da cabeça, me deixando com raiva. Bem que eu adoraria fugir, penso, amarga.
— Eu sei que não conseguiria… — respondo baixo.
— Pelo menos é inteligente — diz, me olhando.
Ignoro e caminho até a cama, mas paro sem saber se realmente deveria me aproximar tanto dele. Fico ali, sem saber aonde ir, a meio metro de distância.
— Eu… queria saber o que vai acontecer agora? — pergunto sem encará-lo.
Ele se levanta e vem na minha direção, me deixando nervosa e me xingando internamente por ter perguntado. Dou um passo para trás, mas ele segura meu braço.
— Nada que você não aguente — diz sério. — Você vai continuar aqui até o senhor Carlos vir. Depois… veremos.
Tento me soltar, mas ele segura com mais força.
— Me solta! — peço.
— Para de agir como se eu fosse te machucar. Se eu quisesse, já teria feito, garota! — fala bravo.
Respiro e fecho os olhos para tentar me acalmar.
— É difícil confiar em alguém… ainda mais alguém que me comprou por 1 milhão! — solto, finalmente, o que estava preso na garganta.
Ele se endurece e me solta.
— Você acha mesmo que eu queria estar nesse lugar? E você ainda tem muito o que aprender sobre mim — diz, frio.
Me afasto e vou para o canto do quarto, sentando no chão. Precisava manter distância. Abraço meus joelhos para me proteger e fico ali rezando para Deus me ajudar, me tirar dali. Eu só queria minha vida de volta, queria estudar, me formar, queria poder mostrar para mamãe que mesmo ela tendo ido… eu estava bem e feliz. Que ela poderia descansar em paz, onde estivesse.
Alguns minutos passam até alguém chamar por ele.
— Bryan! O senhor Carlos está subindo.

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