Liz
Acordo com uma tremenda dor na cabeça. Aos poucos, a luz vai surgindo e começo a reconhecer o ambiente. As lembranças voltam como um soco: eu estava sendo levada à força. Meu coração dispara — onde eu estava? O que tinham feito comigo?
Olho ao redor. Reconheço o quarto luxuoso. Estava no hotel… no hotel onde eu trabalhava.
Meus olhos se enchem de lágrimas. A vontade era de correr, sair dali desesperadamente, denunciar meu pai por ter me vendido, denunciar aquele lugar horrível.
Levanto às pressas e corro até a porta. Tento abrir várias vezes, mas está trancada… trancada.
Meu corpo desaba. Me abaixo, abraço meus joelhos e choro. Eu não estava livre. Parecia, mas não estava. Aquele homem havia me comprado, e eu não sabia o que ele pretendia fazer comigo. Choro até sentir dor no peito, preocupada com as meninas, com Amanda… e ao mesmo tempo frustrada por ainda ser uma escrava.
A campainha toca. Me levanto rapidamente e vou para a cama, enxugando as lágrimas enquanto espero alguém entrar.
— Senhora, trouxe a sua janta — uma voz feminina fala do lado de fora.
Sinto um pequeno alívio quando escuto alguém destrancar a porta. A mulher entra me olhando curiosa. Os seguranças a observam até ela deixar o carrinho de comida e sair. Logo depois, eles fecham a porta e a trancam novamente, me deixando sozinha outra vez.
Olho para a comida cara, mas não sinto fome. Esses dias forçada a comer sem vontade tinham mexido com meu estômago.
Levanto e abro os armários. Vejo algumas roupas masculinas — não muitas, mas o suficiente para mostrar que alguém dormia ali. Revisto tudo, procurando algo que pudesse usar: um celular, um telefone, qualquer coisa que me ajudasse a pedir ajuda.
Nada. Absolutamente nada.
Havia ficado quatro dias naquele lugar. Todos deviam achar que eu estava morta ou coisa pior. Com certeza meu pai já tinha inventado alguma história sobre mim.
Decido tomar banho. Entro no banheiro e deixo a água cair sobre meu corpo como nunca antes. Era como se fizesse uma massagem, lavando um pouco da dor. Uso a única escova de dente que encontro ali, escovo os dentes, penteio meu cabelo e visto uma blusa branca dele, que fica enorme em mim, porque ele era muito alto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Mafioso Obcecado pela Faxineira