Liz
Ele debocha de mim, mostra o quanto sou fraca, o quanto sou enganada por ele.
Seus toques conseguiam me fazer entregar de um jeito que era quase impossível resistir, mas aquelas palavras me fizeram lembrar de quem eu realmente era.
— Sim, quero que pare agora! — viro-me, empurrando-o.
Ele não esperava e fica sem reação. Entro no banheiro e meu mundo começa a desmoronar. Sou uma mulher fácil para ele? Um brinquedinho do qual logo vai se enjoar e descartar? Então por que não me deixa? Será que quer destruir até meu coração?
Choro baixinho, deixando toda a angústia sair, toda a tristeza. Minha vida, pelo jeito, não valia nada. Eu só queria continuar lá onde morei a vida toda, entrar na faculdade e provar para minha mãe que ela não precisava se preocupar comigo. Eu estaria bem. Eu iria viver bem.
— Liz, você está bem? — ouço a voz dele do outro lado.
Respiro fundo para não denunciar que estava chorando.
— Sim, estou. Não se preocupe… só senti cólicas, mas é normal.
Escuto seus passos se afastando da porta e respiro aliviada. Lavo o rosto, arrumo os cabelos e inspiro profundamente. Eu precisava enfrentá-lo.
Saio e procuro por ele, mas não está ali. Sinto um certo alívio. Deito na cama e fico tentando dormir. Estava muito cansada de tudo que acabo dormindo sem perceber.
— Liz…
Meu nome soa tão doce na voz de alguém me chamando. Eu estava sonhando que tinha me apaixonado e casado com um homem lindo. Seus olhos me lembravam alguém, mas não conseguia lembrar quem era. Ele dizia que me amava… então eu respondia:
— Eu também te amo…
— Quem você ama? — sua voz soa rígida, me assustando.
Meus olhos se abrem e encontro os olhos mais assustadores do mundo.
— Me fala, quem é esse? — pergunta, bravo.
— Não sei do que você está falando — tento me fazer de boba.
— Não me faça perguntar de novo, garota. Quem você ama?
— Não sei do que está falando. Nunca falei que amo alguém.
Ele respira, irritado. Suas mãos apertam meus braços com força, machucando.
— Tá me machucando — digo, soltando um gemido de dor.
Ele percebe e me solta imediatamente.
— Se eu descobrir que tem alguém, juro que te mato… e mato ele também — ameaça, me lembrando exatamente de quem ele é.
— Eu não tenho ninguém. Você está doido? Desde que saí daquele lugar, mal saio sozinha. Como poderia estar com alguém?
Ele finalmente se acalma.
— Chegamos. Vá ao banheiro e arrume esses cabelos bagunçados, vista algo quente também. O carro já está nos esperando.
Meu coração dispara. Dormi tanto assim? Ele sai, batendo a porta.
Levanto-me, vou ao banheiro, arrumo os cabelos e lavo o rosto, troco de roupas, lembrando da expressão assustadora dele. Ele me dava medo. Seus olhos negros eram intensos e perigosos. Balanço a cabeça, afastando esses pensamentos, e saio.
O piloto está na porta.
— Seja bem-vinda, senhora. Espero que a viagem tenha sido boa.
Sorrio tímida, sem saber o que responder.
— Obrigada. Foi, sim — minto, descendo as escadas.
Passo pelos seguranças enfileirados, formando um corredor até o carro luxuoso de Bryan. Um deles abre a porta para mim.
Ele já está sentado lá dentro, com postura autoritária, sem sequer olhar para mim. Respiro fundo, entro e me sento ao seu lado.
Logo o carro começa a se mover, e meu nervosismo aumenta. Eu estava em outro país, longe de tudo que conhecia. Sentia-me encurralada.

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