Liz
Acordo com batidas na porta, levanto-me, coloco meu robe e vou até a porta para saber quem era.
— Bom dia, senhora. Trouxemos seu café — disse uma senhora em italiano.
Abro a porta, deixando-a entrar. Ela coloca o café na mesinha e logo sai.
— Obrigada — agradeço, sem saber se ela entenderia, já que falava em italiano.
Aproveito, tomo meu banho, faço minha higiene pessoal e, ainda com o robe, sento-me e aproveito aquele café. Claro que nem se comparava ao do Brasil: era apenas com algumas guloseimas e tudo doce. Não tinha nada salgado, a não ser os frios. Gostava do pãozinho com manteiga ou até mesmo com queijo. Após o café, olho as roupas e escolho uma das mais básicas: uma blusa bege com calça preta e um sobretudo preto. Aqui estava muito frio, não no quarto, que tem aquecedor, mas lá fora estava, e pretendi sair um pouco, já que havia ido para aquele lugar, ia aproveitar e tirar muitas fotos.
Seco meus cabelos e faço uma leve maquiagem. Elisa providenciou tudo para mim, ela, como sempre, pensou em tudo que precisava.
Pego o celular, vejo minhas mensagens e uma me chama a atenção.
“Bom dia!” ele havia me mandado bem cedo, e tinha outra da Geovana também.
“Liz, seus pais vieram te procurar aqui, ele parecia muito bravo. Aconteceu alguma coisa? Amiga, responde! Você está aonde?”
O que aquele senhor queria comigo, aquele velho desgraçado? Mas fico preocupada com ela, e se eles começarem a infernizar a vida da Geovana.
Decido ligar para ela. O telefone chama… chama e, depois de três chamadas, ela atende.
— Alô! Quem é?
— Oi, amiga, sou eu, Liz.
— Liz, nossa, o número apareceu diferente — ela fala, e imagino que deve ser porque estava em outro país.
— Deve ser porque estou na Itália.
— O quê!!! Itália? — ela dá um grito de espanto.
— É, vim com o cara que me tirou daquele lugar. Foi de repente, por isso não falei nada. Me explico.
— Amiga, você está bem? Ele não tá te obrigando a fazer nada que você não queira, né? — ela pergunta preocupada.
— Não… não… — digo, pensando. Por uma parte, ele me obrigava a ficar com ele, mas a outra, eu que me entreguei. Mesmo que me arrependa, eu quis… penso.
— Tá bom, se você está falando. Viu que te mandei? Aquela sua família veio aqui exigir que fale onde você está. Eles estavam muito bravos, será que aconteceu algo?
— Mas falaram outra coisa? Ou só queriam saber mesmo onde estou?
— Não sei, Liz. Ele estava bem abatido, sua irmã e sua madrasta pareciam submissas a ele, perguntando de você.
— Se eles forem aí de novo, pode dar o meu número. Vou falar umas verdades para eles — disse curiosa para saber o que eles queriam comigo.
— Me conta, e como é a Itália? Ai, que inveja, Liz! — ela fala depois, animada.
— Olha, ainda não vi muito, mas as ruas, as casas onde estou são bem diferentes do Brasil. Parece uma cidade histórica, tudo muito lindo, os prédios em arquitetura antiga, mas bem conservados. E, como falei, ainda não tive tempo de sair. Estou me arrumando para sair um pouco.
— Ai, que inveja, amiga… me leva também? — fala choramingando e eu dou risada.
— Juro que, se pudesse, trazia você comigo…
— Hum… tá bom. Eu sei que já está aí com aquele homem. Vocês estão bem sérios mesmo, né? Se for casar, quero ser madrinha, hein?
Ela fala muito empolgada, mas essas palavras me deixam um pouco triste.

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