POV ALICE.
Assim que saí do celeiro, caminhei lentamente em direção à casa. Cheguei em casa e notei que minha mãe não estava lá. Apenas um bilhete, sobre a mesa, dizendo haver saído.
— Dona Antônia, está fugindo de mim? — murmurei, rindo para mim mesma, mas o humor logo se desfez. Mamãe estava mesmo me evitando. Ela sabia que eu iria insistir para o lobo ficar.
Suspirei e saí da casa. Fui em direção ao quintal para cuidar dos animais do sítio. Tínhamos galinhas inquietas, duas vaquinhas de olhar manso e uma cabra impaciente. Eram elas, as hortas e as árvores frutíferas, que garantiam nosso sustento. A aposentadoria da minha mãe e meu trabalho de meio período não eram suficientes para pagar as contas.
Pela manhã, eu ajudava no sítio; à tarde, trabalhava. Mamãe não tinha mais idade para fazer tudo sozinha, mas era independente, sempre insistindo em cuidar de tudo, mesmo que depois ficasse sentindo dores. Entrei no galinheiro, sentindo o cheiro forte e característico, e recolhi os ovos, ainda mornos. Depois, fui até as vaquinhas para começar a ordenha. Não mexeria com a cabra hoje.
— Bom dia, meninas — falei, acariciando uma das vacas. Sentei-me ao lado dela e comecei a tirar o leite. Em breve, o senhor Francisco viria buscá-lo. Ele tinha uma queijaria e comprava nosso leite diariamente. Os ovos e as verduras iam para o mercadinho de produtos naturais onde meu amigo Luís trabalhava; na verdade, ele era o filho do dono.
Quando terminei com as vacas, o sol já estava um pouco mais alto. Segui até a horta, que estava cercada por uma tela mosqueteira que colocamos para manter os insetos e animais longe. Isso nos poupava de usar produtos químicos. A água cristalina do rio, que passava logo atrás do sítio, era o que irrigava nossas verduras hidropônicas.
Abaixei-me e comecei a colher, admirando a vivacidade das cores e o frescor das folhas. Terminei de colher e levei as caixas para a varanda da frente. Assim que terminei de empilhar as caixas, ouvi passos no cascalho. Olhei e vi o senhor Francisco e Luís chegando juntos.
— Bom dia, Alice! — disse Luís, com um sorriso largo. Ele sempre irradiava essa energia contagiante.
— Bom dia, senhorita Alice — cumprimentou o senhor Francisco, inclinando levemente a cabeça.
— Bom dia, rapazes! — respondi, esboçando um sorriso.
— Essas verduras estão lindas! — elogiou o senhor Francisco, observando as caixas com atenção.
— Obrigada — agradeci. Ele pegou os recipientes com o leite, se despediu e partiu.
— Até amanhã, senhorita Alice, mande um oi para sua mãe — disse ele, acenando enquanto andava em direção ao carro.
— Até amanhã, senhor Francisco. Diga à dona Meire que mandei um abraço! — respondi. Ele sorriu e acenou uma última vez antes de partir. Luís continuou ali, observando-me enquanto arrumava as caixas com as verduras.
— Essas verduras estão realmente muito lindas, vou vender tudo! E então, não vai oferecer um café ao seu amigo? — perguntou, puxando-me para um abraço caloroso e dando um beijo carinhoso na minha testa.
— Não. Você está a trabalho, e seu pai está esperando pelas mercadorias. Deixa de enrolação! — respondi, mantendo um tom sério, mas por dentro me divertia com a expressão de contrariedade dele.
— Você está uma chata desde que aquele lobo chegou. Aliás, ele morreu ou foi embora? — questionou Luís, tentando disfarçar a curiosidade.
Cumprimentei minha amiga Abigail, que era recepcionista da clínica e quem me arrumou esse trabalho de meio período. Eu, Abigail e Luís nos conhecemos desde a escola. Estudamos juntos todo o ensino fundamental e médio.
— Estou bem, Abi. E você? Como foi o encontro de ontem? — perguntei, vendo seu sorriso travesso.
— Nem te conto! Foi uma loucura, nem tive tempo de te ligar — disse ela, rindo.
— Posso imaginar! — ri junto, imaginando as histórias.
— Depois te conto. Agora é melhor você ir auxiliar o doutor Henrique, ele está bem enrolado hoje. Nunca consegue acalmar nossos pacientes, que só se aquietam com você. Essa recepção estava uma bagunça antes de você chegar, mas é só te verem que tudo se acalma. É incrível! — disse Abi, rindo e apontando para o consultório. Nosso chefe era muito atrapalhado, e os pets não gostavam de obedecê-lo. — Ah, e o Héctor está lá com ele! — Falou Abi.
— Héctor? Hoje não era dia dele… — comentei, estranhando.
— Pois é, aquele encrenqueiro resolveu mexer com um porco-espinho norte-americano. Está com a cara cheia de espinhos! — disse ela. Arregalei meus olhos; coitado do Héctor. Estava prestes a responder, mas um rosnado alto ecoou pela clínica, seguido de um grito desesperado.
— Socorro!

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