Capítulo 10
Zacky retornou para a casa e, viu Cristina chegando de moto. A jovem estacionou em frente à varanda, tirou o capacete e lhe ofereceu o habitual sorriso insinuante, o mesmo que ele já estava cansado de ignorar.
— Bom dia, senhor Zacky. — ela disse, com um brilho cheio de intenções nos olhos.
— Bom dia, Cristina. — respondeu, direto. — Quero que comece pela área gourmet hoje.
Ela franziu a testa, confusa.
— Não seria melhor eu começar pela casa, como sempre?
Ele piscou algumas vezes, calculando a resposta e mantendo a expressão fechada.
— Não, não seria. — cortou com firmeza. — Comece por lá. Depois pode continuar na casa.
Cristina percebeu o tom definitivo e engoliu a curiosidade. Algo ali não fazia sentido, e ela sabia, pelo jeito dele, que não deveria insistir. Apenas assentiu com um gesto de cabeça, pendurou o capacete no guidão e foi se arrumar para iniciar o serviço.
Zacky a observou por um instante. Ela virou-se, e saiu rebolando de propósito, esperando atrair o olhar dele como fazia com praticamente todos os homens da fazenda.
Ele balançou a cabeça e entrou na casa. Ele entrou na sala com cuidado, Dolores ainda dormia.
Ele a observou por alguns segundos que pareciam horas.
O cowboy duro, que não respondia a provocações, que mantinha distância de todas as mulheres que tentavam algo com ele… agora estava ali, completamente atingido, e possuído, por uma única mulher.
Precisava sair antes que Cristina aparecesse com qualquer desculpa para entrar.
Pegou o chapéu, ajeitou no topo da cabeça e saiu devagar, fechando a porta como se guardasse um tesouro.
Do lado de fora, Cristina estava com luvas e um balde, pronta para começar. Assim que o viu, sorriu outra vez.
— Se precisar de ajuda… dentro de casa… — ela arriscou, mordendo o lábio inferior.
Ele cortou sem hesitar:
— Não vou precisar.
O sorriso dela se desfez um pouco com o tom bruto, mas ela manteve a pose ereta.
— Área gourmet, Cristina — reforçou, agora sem olhar, caminhando em direção ao estábulo.
Ela engoliu o orgulho, apoiou as mãos na cintura e resolveu obedecer. Mas não sem murmurar baixinho, olhando para a porta fechada:
— O que será que você está escondendo, cowboy?
***
Na sala, Dolores se espreguiçava, enrolada no cobertor, com um sorriso sonolento e satisfeito nos lábios.
O cheiro dele estava impregnado em sua pele. A lembrança de cada toque fazia seu ventre contrair de novo. Ela fechou os olhos, mordendo o lábio tentando conter a onda de calor que subia.
— Eu nunca fui assim… — murmurou, sentindo as bochechas ficarem coradas, mesmo estando sozinha.
Tentou reorganizar os pensamentos. Não era do tipo que se deixava levar tão rápido. Mas Zacky… havia algo nele que tirava todas as defesas. A voz grave, o corpo firme, o jeito cuidadoso e, ao mesmo tempo, dominador.
Ela puxou o cobertor até o pescoço, tentando se recompor, mas quanto mais tentava, mais a mente a traía com imagens da noite anterior. As mãos dele segurando sua cintura, os sussurros roucos contra sua nuca, o ritmo que a fez esquecer de respirar.
— Maldito cowboy… Por que ele tinha que ser tão bom de cama? Hum... — sussurrou, rindo sozinha, apertando os joelhos.
Ela se levantou, recolheu as roupas espalhadas pela sala e vestiu-se às pressas.
Depois, foi para o quarto, tomou um banho rápido e deixou a água morna levar os últimos vestígios da noite. Vestiu uma blusinha leve, calça justa e sandálias confortáveis.
Com o cabelo úmido e cheiroso, saiu da casa.
Ficou parada por um momento na varanda. Respirou fundo o ar fresco da manhã, preenchendo os pulmões.
Desceu os degraus observando a fazenda despertar. Os cavalos sendo levados aos piquetes, vozes masculinas trocando instruções, cheiro de café e pão vindo da cozinha.
A beleza crua daquele mundo era incrível.
***
Cristina, que limpava os vidros da área gourmet, parou bruscamente ao vê-la. A esponja escorregou da mão, caindo no chão, ficando esquecida.
O olhar da empregada ficou duro, escuro de raiva.
— Não acredito… — murmurou entre os dentes, com os olhos se estreitando.
Cristina sentia o estômago revirar.
— Não acredito que meu cowboy… meu homem… está saindo com essa metida. — rosnou, mais para si mesma.
Ela passou meses, fantasiando que Zacky finalmente olharia para ela, a doce Cristina que sempre esteve disponível, dedicada, sempre ali.
E agora, sem aviso, uma desconhecida atravessava seu território.
Cristina pegou a esponja com força, voltando a esfregar o vidro com raiva, mais arranhando do que limpando.
Em seu interior, tomou uma decisão:

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