Capítulo 22
Ele desviou o olhar antes que o desejo traísse. Respirou fundo, controlando o impulso como fazia com um cavalo arisco.
Dolores percebeu o silêncio e ergueu o rosto.
- O que foi?
- Nada. Só estou pensando que você precisa descansar mais.
Ela sorriu. Esticou a mão e tocou o antebraço dele, um gesto simples que o incendiou por completo.
- Fica comigo?
Ele assentiu, tirou as botas o cinturão e deitou ao lado dela.
Desde quando ele era esse tipo de homem?
Não sabia. Nunca tinha sido.
Mas estar assim... não era ruim. Pelo contrário. Era muito bom.
E se...?
Não. Não podia existir "e se" entre eles.
Eram de mundos opostos. Vidas diferentes demais. Aquilo não daria certo, ele sabia. Sempre soube.
Aproveitaria o que ela tinha a oferecer. O agora. O que fosse real naquele instante. Nada além disso.
Quando chegasse o momento, cada um voltaria para a própria vida. Sem promessas. Sem planos. Sem ilusões.
Ainda assim, enquanto a observava dormir, com o rosto tranquilo e o corpo entregue à segurança que ele oferecia, Zacky sentiu algo incômodo apertar o peito. Ele suspirou e fechou os olhos devagar.
No início da noite, Dolores despertou.
Estava quente nos braços dele. Uma sensação que nunca tinha experimentado antes e ela já havia dormido abraçada ao ex, muitas vezes. Aquilo não se comparava.
Com Zacky era distinto. Mais intenso. Mais seguro.
Ela permaneceu imóvel por alguns segundos, apenas sentindo. O braço pesado ao redor da cintura, a respiração profunda, o cheiro dele.
O cowboy parecia irreal. Como se tivesse saído de uma revista daquelas que ela folheava sabendo que eram proibidas para a própria vida. Um homem grande demais, forte demais, intenso demais para alguém como ela.
E ainda assim... ali estava. Envolvendo-a como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Dolores engoliu seco, o coração acelerando sem motivo aparente. Não era apenas desejo explícito, era algo mais profundo, mais perigoso. A sensação de estar exatamente onde não deveria estar... e não querer sair dali.
Ela fechou os olhos outra vez, permitindo-se mais alguns minutos naquele abraço, enquanto a noite tomava conta da fazenda.
Ela passou o rosto pelo peito forte dele, sentindo a textura da pele quente sob a camiseta, quando ouviu a porta do quarto se abrir devagar. O som foi quase imperceptível, seguido por um ronronar grave e profundo.
Nyra entrou devagar e em silêncio.
A serval sentou no tapete por um instante e observou o casal na cama, com os olhos dourados e muito atentos. Havia algo quase solene em sua postura, como se estivesse avaliando a cena. Então, satisfeita, relaxou o corpo.
- Oi, garota... estava com saudades? - murmurou Dolores.
O ronronar ficou mais intenso, vibrando no ar. Nyra subiu na cama com cuidado, o peso fez o colchão ceder um pouco. Deitou-se entre eles, acomodando-se como se aquele fosse exatamente o seu lugar, o focinho grande e quente muito próximo ao rosto de Dolores.
Dolores não se mexeu. Apesar do receio inicial, estendeu a mão e acariciou a cabeça da serval com delicadeza, sentindo a pelagem macia sob os dedos. Nyra fechou os olhos, aprovando o gesto, e soltou um som baixo de contentamento.

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