Capítulo 21
Silêncio total.
Nyra permanecia imóvel, com as orelhas atentas e focadas em algum ponto da mata. Dolores sentiu o estômago afundar. Segurou o celular com força, mas antes que pudesse entrar em desespero.
Zacky surgiu por entre as árvores, caminhando com pressa, como se tivesse vasculhado metade da fazenda apenas para encontrá-la. Assim que a viu, o alívio tomou o rosto dele, junto de uma irritação preocupada.
Ele se aproximou e Nyra relaxou.
- Dolores. O que está fazendo aqui sozinha?
Ela piscou algumas vezes.
- Procurando... sinal. Meu celular começou a funcionar. Eu... - apontou para o lago. - Só sentei um pouco.
Zacky olhou imediatamente para o pé dela, que estava inchado e seu rosto endureceu.
- Você não devia estar andando desse jeito. Eu te disse que não era pra se esforçar. Aconteceu alguma coisa?
Ela mostrou o celular.
- Era o André... meu assistente. Ele é um pouco exagerado.
Zacky franziu o cenho.
- É, eu já tinha percebido quando o conheci. - Ele então se agachou diante dela, oferecendo os braços. - Vem. Não vou deixar você voltar mancando.
- Zacky, eu posso...
- Pode, mas não vai. - Ele a pegou no colo antes mesmo que ela terminasse de falar.
Dolores soltou um suspiro e segurou os ombros largos dele.
Nyra seguiu ao lado do casal.
- Você some da casa, some da cozinha, ninguém te viu...
O peito dela apertou de um jeitinho diferente.
- Eu só queria... avisar as pessoas que está tudo bem.
Zacky olhou para ela enquanto caminhava.
- Pois agora sabem. E vão continuar sabendo. Mas você não vai desaparecer assim de novo. - Ele ajeitou ela melhor nos braços. - E não vai andar mais nesse pé até segunda ordem. Entendido?
Dolores ficou surpresa, sem saber se queria revirar os olhos ou sorrir como uma boba.
- Entendido...
Ele sorriu de canto.
- Bom. Agora vamos pra dentro antes que teu assistente mande um helicóptero atrás de você.
Dolores riu e se aninhou um pouco mais no peito dele enquanto voltavam para casa.
Quando chegaram ao casarão, Cristina, no andar de cima, congelou ao vê-los pela janela de um dos quartos.
Ajeitou o cabelo e saiu do quarto dando o trabalho na parte de cima da casa por finalizado.
Desceu as escadas com um sorriso falso... até ver a cena.
Zacky, alto, forte e imponente, segurava aquela mulherzinha como se ela fosse preciosa demais para andar.
Cristina parou no último degrau, a inveja escancarada em cada traço. A serval, ao vê-la, apenas ergueu o focinho, fazendo ela ficar rígida.
Zacky não deu qualquer atenção ao veneno nos olhos dela.
- Pode ir, Cristina. Sua tia pode vir amanhã - A voz dele foi seca. Ela ficou impressionada com a aspereza do cowboy.
Ela entendeu. Ele queria a casa vazia. Queria ficar sozinho com a mulher da cidade. Queria... ela.
Mas ainda assim, em sua cabeça teimosa, acreditava que um dia Zacky perceberia quem realmente valia a pena. Que ela, Cristina, mostraria o que demorou tanto para ele notar.
- Como quiser, senhor Carter - disse ela, forçando um sorriso que não chegava aos olhos.
Passou ao lado deles e saiu. Dolores, no colo de Zacky, apenas observou em silêncio. Não sabia explicar... mas sentiu claramente o rancor que vinha da mulher.
***
André soltou um suspiro impaciente e cruzou os braços, andando de um lado para o outro na sala de Dolores. Conhecia bem a chefe, quando ela sumia assim, algo fora do roteiro tinha acontecido.
O telefone da secretária tocou. Alguns segundos depois, ela entrou apressada.

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