Capítulo 24
Maurício foi o primeiro a se aproximar do homem do guincho, enquanto secava as mãos na calça jeans.
— Bom dia. É esse o carro da senhorita Dolores, certo?
— Bom dia. É aqui sim.
O homem conferiu a prancheta, assentiu e fez uma manobra cuidadosa. Primeiro desceu o carro que ficaria com Dolores, deixando-o estacionado de frente para o casarão. Depois voltou a atenção para o veículo quebrado, ajustando os cabos e o gancho de aço.
Dolores observava tudo a alguns passos de distância, apoiada em Zacky, enquanto Nyra foi sentar ao lado de Maurício, para vigiar o desconhecido.
Quando o homem do guincho se virou para alinhar melhor o equipamento, deu de cara com Zacky se aproximando.
Ele travou.
O cowboy caminhava sem pressa, com as mãos nos bolsos, tinha uma postura larga e um olhar duro.
O homem engoliu seco, o cowboy era de dar medo.
- B-bom dia, senhor - disse, apressado, voltando os olhos para o guincho.
- Bom dia - Zacky respondeu, com a voz baixa.
Nada mais. Nem precisava.
O homem continuou o trabalho com atenção redobrada, ajustando o gancho, evitando qualquer movimento a mais.
Maurício trocou um olhar rápido com Dolores, quase divertido.
- Impressionante como o patrão mete medo sem falar nada - murmurou.
Dolores conteve um sorriso.
Em poucos minutos, o carro com problema já estava sendo içado. O homem do guincho conferiu mais uma vez os cabos, enxugou o suor da testa e respirou aliviado quando terminou.
- Pronto. Vou levar direto para a oficina indicada pelo seguro - informou, mantendo uma certa distância de Zacky e do animal estranho que estava por perto.
- Certo - respondeu Zacky. - Obrigado.
O caminhão deu a partida e se afastou pela estrada de terra. Dolores acompanhou com o olhar até desaparecer entre as árvores.
O problema dela estava resolvido.
Por um momento, Dolores ficou pensativa enquanto Maurício se afastava para voltar ao trabalho e Nyra seguia até a área gourmet, atraída por um cheiro diferente vindo da comida de Pedro.
Suspirou fundo. Não sabia se estava feliz ou não. O carro ali significava que teria de ir embora, que não havia mais nada que a prendesse naquele lugar.
Suspirou novamente. O peito estava apertado, como se lhe faltasse ar. Sim, não queria ir embora e deixar o gostosão para trás. Mas precisava.
— Tudo bem? — perguntou Zacky ao vê-la olhando para o nada.
— Sim — respondeu, recompondo-se de imediato. — Está tudo bem.
— Vamos tomar o café?
— Adoraria.
Eles caminharam lado a lado até a área gourmet. Pedro estava terminando de arrumar a mesa.
— Bom dia de novo — disse ele, animado. — Café passado na hora.
Dolores sentou-se com cuidado, apoiando o pé, enquanto Zacky puxava a cadeira ao lado dela. Ele serviu o café para os dois, em silêncio, observando-a de canto de olho.
Ela tentou se concentrar na xícara, no vapor subindo, no sabor. Mas a imagem do carro ali fora não saía da cabeça.
— Você pretende ir hoje?
Dolores levou a xícara aos lábios, para ganhar tempo antes de responder. Respirou fundo antes de falar.
— Pretendo ir amanhã se não se importar — disse, com um meio sorriso triste. — Tenho trabalho, compromissos… pessoas que dependem de mim.
Ele assentiu devagar.
— Eu sei.
Silêncio.
Nyra deitou-se no chão e observou os dois, como se sentisse que algo importante estava sendo decidido ali.

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