Capítulo 35
No dia seguinte, ela terminava de vestir a mesma roupa quando escutou alguém bater à porta.
— Pode entrar.
Zacky entrou carregando a mala.
— Você deixou o carro aberto. Coloque outra roupa.
Ela agradeceu. Assim que ele saiu, trocou de roupa, fechou a pequena mala e desceu.
— Eu preciso ir. Amanhã é segunda-feira e tenho que trabalhar — disse ao encontrá-lo na sala.
Ele assentiu com a cabeça, foi até o escritório, anotou um número em um papel e voltou, entregando a ela.
— Comprei um celular e coloquei internet por causa das câmeras. Quando for fazer o ultrassom para descobrir o sexo da criança, me avisa com alguns dias de antecedência.
Ela concordou.
Despediu-se e seguiu até o carro. No caminho, ele pegou a mala e a ajudou. Nyra observava em silêncio, tentando entender o que estava acontecendo. A fêmea do dono havia sumido por muito tempo, agora voltou diferente, esperando um filhote, e ainda assim os dois estavam distantes. Aquilo não fazia sentido para ela.
Zacky colocou a mala no porta-malas.
— Avisarei tudo sobre o bebê — disse Dolores.
— Avise quando chegar. A viagem é longa e cansativa.
— Está bem.
Ele a observou partir. Nyra continuou parada, inquieta, sentindo que algo naquele afastamento estava errado.
Nyra observou o veículo se afastar até desaparecer na curva.
A serval ergueu o olhar para o dono, inquieta. Soltou um ronronar baixo, quase como se fosse um questionamento.
— Eu sei… — murmurou Zacky, mais para si mesmo do que para ela. — Também não entendo.
Ele ficou ali por mais alguns minutos. Nyra esfregou a cabeça na perna dele. Zacky passou a mão pelo dorso quente dela, respirou fundo e, finalmente, virou-se em direção ao casarão.
O dia precisava continuar...
***
Dolores pensou nele o caminho todo. A cada curva da estrada a levava de volta a uma lembrança. Queria que ele a tivesse tocado, que a tivesse puxado para um abraço apertado, beijado sua testa, qualquer coisa que dissesse: fica. Mas ele manteve distância, uma muralha invisível.
— Talvez não me queira mais… Deve ser isso… E isso dói — murmurou para si mesma, sentindo a garganta fechar.
Passou a mão pela barriga.
— Mas eu não menti — sussurrou. — Nunca menti.
Ela sabia que ele estava magoado, ferido no orgulho e desconfiado.
Respirou fundo, enxugou uma lágrima teimosa e seguiu em frente. Se ele precisava de tempo, ela daria. Pelo bebê. Por ela. E, no fundo do coração, por ele também.
Horas depois, Dolores chegou em casa exausta. No caminho, só tomou água; não sentiu fome, nem vontade de parar. O corpo pedia descanso, e a mente, silêncio. Tomou um banho rápido, vestiu algo leve e se deitou. Dormiu profundamente, sem sonhos, até o dia seguinte.
Ao acordar, o quarto estava iluminado pela manhã. Ela se sentou devagar, pegou o papel que havia guardado na bolsa e salvou o número dele no celular. O coração apertou ao lembrar que não tinha avisado que havia chegado bem. Tarde demais, pensou, mesmo assim escreveu.
“Cheguei bem. Desculpa por não ter avisado antes.”
A resposta veio quase de imediato, fazendo o celular vibrar na mão.
“Eu estava pensando em ir te procurar. Fiquei preocupado quando você não mandou nada.”
Fechou os olhos por um instante, emocionada com a preocupação dele.


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