Capítulo 36
Saiu do escritório e caminhou até o curral. Nyra o acompanhou, percebendo a mudança no dono. Ele parou, apoiou os braços na cerca e encarou o horizonte avermelhado pelo fim da tarde.
— Cinco dias… — murmurou.
A vida de Zacky mudou nos dias seguintes. Tanto Nyra quanto Pedro e os demais perceberam algo diferente em seu comportamento. Ele estava mais silencioso, distraído, como se a cabeça estivesse longe dali. Até que, no quarto dia, durante o jantar, ele comunicou:
— Maurício, vou para a cidade grande. Tenho algo importante a resolver. Volto o mais rápido possível.
Todos ficaram curiosos, mas ninguém se atreveu a perguntar nada. Conheciam Zacky o suficiente para saber quando ele não queria dar explicações.
Na manhã seguinte, antes mesmo de o sol nascer, ele pegou uma mochila e saiu. Na garagem, entrou no carro de passeio, respirou fundo ao ligar o GPS e seguiu viagem.
Horas depois, estacionava em frente a um prédio alto. Assim que desligou o motor, um rapaz que chegava apressado para pegar o próprio carro reclamou, irritado:
— Porra, cara! Não tinha como colar mais na minha traseira?
Zacky fechou a porta com calma e olhou para ele, sério.
— Da sua traseira eu quero distância. Agora, sobre o seu carro… você sabe manobrar ou não?
— É lógico que sei, engraçadinho.
Zacky deu um meio sorriso frio.
— Então para de ser preguiçoso, moleque, e vai atormentar quem tem tempo.
Sem esperar resposta, deu as costas e entrou no prédio.
Zacky atravessou a porta de vidro do prédio e entrou no saguão.
O recepcionista levantou os olhos do computador… e demorou alguns segundos a mais do que o normal para reagir.
Observou o homem à sua frente: chapéu de aba firme, camisa escura ajustada ao corpo largo, cinto de couro grosso com fivela, jeans e botas marcadas pelo tempo. Zacky parecia um cowboy arrancado direto do Velho Oeste e jogado no meio da cidade grande.
O homem pigarreou, ajeitando a postura.
— Boa tarde… posso ajudar?
Zacky retirou o chapéu por educação, segurando-o na mão.
— Procuro Dolores. Apartamento… — ele consultou o celular rapidamente — …1203.
O recepcionista arqueou a sobrancelha, curioso, e voltou os olhos para a tela.
— A senhora Dolores não costuma receber visitas sem aviso.
— Ela está me esperando.
Houve um breve silêncio. O recepcionista voltou a observá-lo, agora com atenção redobrada.
— Um momento — disse, finalmente, pegando o telefone interno.
Enquanto aguardava, Zacky manteve o olhar fixo à frente, mas seu peito estava em guerra. O coração batia forte. Preferia encarar um touro bravo a bater naquela porta.
O telefone foi desligado.
— Pode subir. Elevador à direita.
Zacky assentiu.
— Obrigado.
Caminhou até o elevador. Quando as portas fecharam, ele soltou o ar devagar, passando a mão pela nuca.
O elevador começou a subir. Momentos depois, as portas abriram e ele saiu. O salto da bota batia firme contra o piso. A porta estava entreaberta; Zacky conferiu o número e parou por um segundo antes de entrar.
— Dolores? — perguntou, entrando com cautela no local.
Ela respondeu após sentir um arrepio percorrer a pele ao ouvir a voz grave dele.
— Estou na cozinha. Entre e feche a porta com chave — disse, lembrando que, na fazenda, durante o dia, tudo costumava ficar aberto.
As palavras dela fizeram algo se contrair dentro dele.
Zacky entrou e fechou a porta girando a chave devagar.
Ele sentiu o cheiro dela no apartamento. Um aroma suave, conhecido, que fez o peito apertar.
Caminhou até a cozinha de onde veio o som da voz.
Dolores estava de costas, mexendo algo no fogão apenas para ocupar as mãos. Usava um vestido simples, solto, mas ele percebeu de imediato a mudança em seu corpo. O ventre levemente arredondado e outros detalhes que não gostaria de ter reparado pela excitação que lhe subiu.
Ela virou devagar. Os olhos se encontraram.

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