Capítulo 38
Zacky acordou cedo, como sempre. O corpo reagia antes mesmo da mente, treinado por anos de rotina na fazenda. Ficou alguns segundos sentado na cama, passando a mão pelo rosto, tentando lembrar onde estava. O cheiro diferente, o silêncio urbano, o ar condicionado… então lembrou: Dolores. O bebê. O apartamento.
Levantou devagar e saiu do quarto, pisando com cuidado para não fazer barulho. A porta do quarto dela continuava fechada.
Foi até a cozinha decidido a fazer café. Parou diante da máquina de expresso como se estivesse encarando um animal selvagem. Botões demais. Luzinhas. Um reservatório estranho.
— Que porcaria é essa…? — murmurou.
Apertou um botão. Nada. Apertou outro. A máquina fez um barulho alto, cuspiu água sem café e piscou uma luz vermelha ameaçadora.
— Certo… você venceu — disse, erguendo as mãos em rendição.
Abriu os armários e achou pão. Na geladeira, tinha manteiga, queijo, presunto e frutas. Aquilo ele sabia fazer. Colocou duas fatias de pão na frigideira, passou manteiga, montou um sanduíche. Cortou uma banana, uma maçã, colocou tudo num prato. Achou uma garrafa de leite e serviu um copo grande.
Olhou o relógio. Ainda era cedo.
Sentou-se à mesa da cozinha, comeu devagar, os pensamentos inevitavelmente indo até o quarto dela.
Um canto de boca se ergueu num pequeno sorriso.
Terminou de comer, lavou o que usou e deixou tudo organizado. Depois ficou ali, encostado no balcão, esperando ela acordar.
Quando ela apareceu, ele estava na sala, observando a paisagem pela imensa janela.
— Bom dia — ela disse. — Parece que está pronto.
Ele se virou. Dolores estava arrumada, muito linda. O cheiro do perfume a envolvia e o atingiu em cheio, quase o desnorteando.
— Estou mais do que pronto — respondeu.
Ele a seguiu até a cozinha e ficou observando com uma sobrancelha erguida enquanto ela preparava o café naquela máquina cheia de botões. Prestava atenção em cada gesto, cada toque. Precisava ver apenas uma vez. Sempre se orgulhou de aprender rápido.
Depois de tomarem o café e ela se alimentar direito, saíram. Desceram juntos até o estacionamento.
— Não quer ir no meu carro? — ele perguntou.
— Não precisa. Vamos no meu.
Zacky a acompanhou em silêncio. No estacionamento, ela destravou o carro e abriu a porta.
Dolores saiu com cuidado, atenta ao trânsito da manhã. Ele mantinha o olhar ora nela, ora pela janela, absorvendo a cidade que não era a dele. Prédios altos, pessoas apressadas, buzinas impacientes.
— Você dirige bem — comentou. — Mesmo sendo um carro automático.
— Anos fazendo isso — respondeu, sabia que ele estava tentando ser gentil de alguma forma. — Cidade grande não perdoa distração.
Ele concordou com um movimento de cabeça.
— Na fazenda é diferente. Se errar, no máximo atola.
Ela riu. O som aqueceu o peito dele.
O restante do trajeto foi em silêncio, até pararem em frente à boutique. Dolores respirou fundo antes de desligar o carro.
— Chegamos.
Zacky desceu logo atrás dela. Observou a fachada elegante, o nome da loja em letras bem desenhadas, as vitrines impecáveis.
— É bonita — disse, sincero. — Dá pra ver que tem sua cara.
Ela sorriu, orgulhosa.
— Vamos entrar antes que eu me atrase.
Assim que atravessaram a porta, o movimento diminuiu por um segundo. Algumas vendedoras olharam curiosas, outras sorriram discretamente. André, que organizava alguns cabides, ergueu o olhar e arregalou levemente os olhos ao ver Zacky.
— Bom dia… — disse, surpreso.

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