Capítulo 47
Na manhã seguinte, eles se encontraram na cozinha.
- Vou precisar voltar para a fazenda - disse ele, direto.
Dolores abaixou o olhar por um instante. Caminhou até a cafeteira e apertou o botão, como se aquele pequeno gesto a ajudasse a disfarçar a decepção.
- Eu não queria que você fosse... - murmurou, com a voz baixa e sincera.
Zacky ficou observando-a em silêncio por alguns segundos, ponderando. Então falou:
- É sábado.
Ela ergueu o rosto, confusa.
- Quer voltar comigo? - completou.
Ela ficou imóvel por um segundo, sentindo o coração acelerar com a simples possibilidade.
- Voltar... com você?
Zacky a observava encostado na bancada.
- A fazenda é grande - continuou. - Você pode descansar, respirar um pouco. E... - fez uma pausa curta - eu prefiro ter você perto.
O café começou a pingar, quebrando o silêncio que ficou no ar.
- Eu tenho trabalho, compromissos... - disse, quase por reflexo. Depois suspirou. - Mas é verdade que preciso descansar a mente.
Ele deu um meio sorriso.
- Lá ninguém vai te cobrar nada. Só existir já é o suficiente.
Ela se aproximou da mesa, apoiou as mãos nela e abaixou a cabeça por um instante. A ideia da fazenda, do ar fresco, de Nyra... dele. Tudo aquilo fez seu peito apertar de felicidade.
- E o bebê? - perguntou, erguendo o olhar. - A estrada é longa.
- Vou dirigir com calma. Paramos quantas vezes você quiser - garantiu, com firmeza. - Não vou deixar nada acontecer com vocês.
O plural não passou despercebido por ela. Dolores mordeu o lábio, emocionada, e assentiu devagar.
- Está bem... eu vou.
Zacky soltou o ar que nem percebeu estar prendendo.
- Então tome seu café. Temos uma viagem longa pela frente. Avise seu assistente que você vai tirar a semana de folga.
- Vamos passar no mercado antes e pegar o que precisamos para a estrada. E fique tranquila, meu carro é tão confortável quanto o seu.
Ele foi para o quarto com uma xícara de café na mão para arrumar as roupas, enquanto ela comia um lanche natural e bebia um suco refrescante.
Quando ele voltou, Dolores organizava uma mala. Meia hora depois, Zacky ligou o carro e saiu da vaga.
- Seu carro é mesmo confortável - comentou, observando o painel moderno e o interior impecável.
- Uso esse para passear. Os outros ficam para a fazenda. Esse é novo, comprei há pouco tempo.
Duas horas depois, ela levou a garrafinha à boca e tomou mais um gole de água, observando a paisagem mudar aos poucos. A cidade já tinha ficado para trás, dando lugar a estradas mais abertas, árvores altas e um céu imenso.
- Quer parar um pouco? - ele perguntou, atento a cada movimento dela.
- Ainda não. Estou bem - respondeu, colocando a garrafa no porta-copos. - É até relaxante... Faz tempo que não pego estrada assim.
Zacky olhou rápido para ela, satisfeito.
- Na fazenda o tempo corre diferente. Você vai ver... ou melhor, rever.
Ela sorriu, levando a mão à barriga.
- Se cansar, me avisa. A prioridade é você... e ele.
Dolores fechou os olhos por alguns segundos, sentindo algo que não sentia havia meses: segurança.
Eles já estavam perto da fazenda quando Dolores começou a se remexer no banco. Olhou para o relógio no painel: faltavam cinco minutos para o meio-dia.
— Tem um restaurante mineiro logo à frente — disse Zacky, atento a ela. — Lá tudo é feito no fogão a lenha, daqueles pratos bem caprichados.

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