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O Temido Cowboy: Que salvou minha vida romance Capítulo 54

Capítulo 54

Os dois ficaram exaustos. Ele saiu de dentro dela, com um último suspiro rouco escapando de ambos, e se acomodou ao seu lado. Num gesto quase inconsciente, puxou-a para perto, seu braço pesando sobre a cintura dela com uma posse sonolenta.

- Foi muito gostoso - murmurou, as palavras espessas pelo cansaço e pelo álcool. Soltou um bocejo antes que fechasse os olhos.

Ele adormeceu quase que instantaneamente. Ela percebeu pela mudança no ritmo da respiração, que se tornou mais profunda e regular, e pelo peso morto do braço em volta dela.

Ela também tinha gostado. Gostado de uma forma que a assustava, que fazia uma pontada de pesar brotar em seu peito. Porque o amanhecer, implacável, viria. Ele iria embora, pagaria, e desapareceria pela porta, tornando-se uma memória.

E ela teria que se levantar, se recompor e enfrentar a dura realidade: ele tinha sido apenas o primeiro. O primeiro de muitos rostos anônimos, corpos estranhos, transações vazias que comporiam seus dias dali em diante. E no fundo da alma, uma certeza dolorosa a invadiu: nenhum deles seria assim. Ninguém a olharia, a tocaria ou a faria sentir daquele jeito novamente.

Um suspiro profundo, carregado de uma melancolia precoce, elevou seu peito antes que ela finalmente fechasse os olhos, tentando, em vão, prender na escuridão a sensação do calor dele que começava a esfriar.

Ao amanhecer, Maurício devagar saiu dos braços de Andréia. Vestiu-se em silêncio. Ao sair do quarto, parou uma das moças que circulavam.

- Chame meus homens.

Enquanto aguardava, encostado na parede, o cafetão surgiu como uma sombra, com um sorriso profissional nos lábios.

- Gostou da jovem, senhor? - perguntou, com uma voz que tentava ser cordial.

Maurício fixou o olhar nele. A imagem do rosto da moça não saia de sua mente.

- Você deixou uma moça que não tem idade para estar num lugar desses dormir comigo? - a pergunta saiu baixa, com um tom gélido.

O cafetão manteve o sorriso, embora seus olhos se estreitassem levemente.

- Ela tem idade o suficiente. Não se preocupe, está tudo dentro da lei aqui.

Ao fundo, ouviam os passos pesados e as vozes roucas dos colegas dele se aproximando.

- Volto hoje à noite. - anunciou, sem rodeios. - E não quero que ninguém toque nela. Ninguém mesmo.

A expressão do cafetão mudou, o sorriso deu lugar a um cálculo rápido.

- Entendo... mas exclusividade assim, fica um pouco mais caro, sabe? Temos as despesas, e a menina é uma das novinhas mais requisitadas.

Sem hesitar, Maurício enfiou a mão no bolso do casaco. Tirou uma quantia em notas, dobradas, e estendeu-as ao homem.

- Isso é um adiantamento. - disse, a voz firme como pedra. - O restante você recebe quando eu voltar. E só depois de ter a certeza absoluta de que ela não foi tocada por mais ninguém. Ela será só minha até o amanhecer novamente. Entendido?

A última palavra não foi uma pergunta, foi uma afirmação. O cafetão pegou o dinheiro, pesando-o na mão com um leve sorriso de satisfação.

- Perfeitamente, senhor. Ela estará esperando.

Maurício empurrou Tião e Billy para o banco de trás da caminhonete. Os dois homens mal conseguiam se manter em pé, e caíram um sobre o outro. Ignorando a algazarra, ele ligou o motor e saiu.

O caminho de volta à fazenda foi percorrido em um silêncio introspectivo, pontuado apenas pelos roncos que começavam a vir do banco traseiro. Seus dedos batiam no volante, seguindo o ritmo de seus pensamentos acelerados.

A imagem dela dormindo, vulnerável e ao mesmo tempo profundamente marcada por ele, não saía de sua mente. Parecia uma loucura de bêbado, uma fantasia passageira. Mas não era. O desejo que sentia era nítido e possessivo: ele a queria para si. Não só por uma noite.

Precisava pensar. Tinha o dia todo para raciocinar, longe da névoa do álcool e da atmosfera carregada do cabaré. Uma decisão precisava ser tomada. Ele não podia, e não queria, passar o resto da vida sendo apenas mais um cliente num bordel, comprando minutos de esquecimento.

Às nove da manhã, o sol castigava a terra vermelha. Maurício estava no cocho, concentrado na contagem meticulosa de um lote de novilhos, quando sentiu uma presença o observando. Virou-se e viu Zacky, encostado na cerca. O homem não dizia nada, apenas o fitava com um olhar preocupado.

- Desembucha - disse Zacky.

Maurício franziu a testa, tentando manter a postura.

- Senhor?

- Não vem com essa, Maurício. Conta logo o que você tem na cabeça. Tá com a cara de um homem que brigou com a consciência e perdeu.

Maurício suspirou. O patrão o conhecia melhor do que ele pensava. Parou a contagem e se virou para ele.

- Eu não sei se o que fiz ontem à noite foi certo ou errado.

Zacky ergueu o olhar, surpreso com a hesitação pouco comum naquele homem sempre tão seguro.

- Continue.

- Caí na besteira de sair com Tião e Billy. - passou a mão pelo rosto, cansado. - Fomos beber... e acabamos num cabaré.

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