Capítulo 57
Dolores estava no quarto, de frente para a janela aberta. Ela passou a mão pela barriga arredondada, sentindo o calor da vida que crescia dentro dela.
Havia um aperto doce em seu peito. Não sabia explicar, mas sentia que algo importante tinha sido feito naquele dia.
Escutou passos atrás de si. Zacky apareceu em silêncio e a envolveu por trás, apoiando o queixo em seu ombro. As mãos grandes acariciando a barriga dela.
— Você fez o certo — murmurou, carinhoso. — Aquela moça precisava de alguém que a enxergasse.
Dolores encostou a cabeça no peito dele, fechando os olhos.
— Também senti isso — respondeu com a voz baixa. — Às vezes, ajudar é tudo o que a gente pode fazer… e tudo o que alguém precisa.
Zacky beijou seus cabelos com ternura.
— Nosso filho vai crescer vendo isso — disse. — Que não viramos o rosto quando podemos fazer a diferença.
Ela sorriu, emocionada, mantendo a mão sobre a barriga, enquanto lá fora a fazenda dormia em paz.
***
Enquanto isso, algumas gotas começaram a cair do céu até então limpo, no para-brisa da caminhonete de Maurício.
Ele estacionou em frente à própria casa. Ficava dentro da propriedade do patrão, num pedaço de terra que foi cedido quando ele não tinha nada. Naquela época, o amigo não apenas lhe deu o espaço, como também ajudou a erguer a casa com as próprias mãos. Um gesto que Maurício jamais esqueceu.
Eles desceram depressa e correram até a casa de madeira. Assim que Andréia entrou, parou, boquiaberta. A luz amarelada, os móveis simples e bem cuidados… tudo ali parecia feito para um casal recém-casado.
— Sua casa é linda — disse ela, olhando em volta, com os olhos brilhando.
— Obrigado — respondeu Maurício, seguindo até a sala para fechar as janelas que havia deixado abertas.
O vento entrou forte, trazendo consigo o cheiro da terra molhada, e logo a chuva começou a apertar, batendo no telhado de madeira.
Quando ele voltou para a sala, percebeu o gesto quase inconsciente dela, a mão sobre a barriga. Aquilo o fez parar no meio do caminho, com o olhar atento e pensativo.
— Você está grávida? — perguntou, com um tom mais baixo.
Andréia baixou os olhos. Sabia que aquele era o momento inevitável. O instante em que a verdade poderia mudar tudo… ou acabar com o pouco de esperança que começava a nascer dentro dela.
Respirou fundo.
Tinha consciência de que, ao contar, talvez perdesse o sonho de ter algo que fosse além daquela noite. Algo para sempre.
— Descobri a gravidez e fui abandonada pelo meu namorado… um traidor — contou, com a voz embargada. — Tudo isso no meu aniversário. No mesmo dia.
Ela respirou fundo, tentando manter o controle.
— Então eu conheci você. — Ergueu o olhar, encontrando o dele. — Foi a melhor coisa que me aconteceu naquele dia que parecia destinado a terminar mal.
Silêncio. Maurício permaneceu parado, absorvendo cada palavra, consciente de que aquela revelação mudava tudo e, ao mesmo tempo, explicava tanto.
Ela suspirou diante do silêncio dele. Ali estava, pensou, vendo sua fantasia do cavalheiro no cavalo branco se desfazer pouco a pouco por causa da gravidez.
Talvez tivesse sido ingênua demais. Agora teria que engolir a decepção, procurar a mulher que lhe prometera um emprego e deixar para trás o cowboy bonito, forte e gentil que, por algumas horas, a fez acreditar em finais felizes.
Ela criou coragem e falou, mesmo com um nó no peito:
— Você tem todo o direito de não me querer mais por causa do bebê. Eu vou entender. E… eu não vou abortar. Já o amo.
Respirou fundo antes de completar:

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