Capítulo 82
Alguns dias depois, Juliana saiu do cartório ao lado da mãe. As duas haviam acabado de marcar a data do casamento. Colocou a mão no ventre, incrédula com a rapidez com que sua vida havia mudado.
— Filha, vamos passar na padaria? — sugeriu Andréia. — Tem uns docinhos que não como há anos.
Juliana assentiu, sorrindo.
— Vamos.
Brígida estava atrás do balcão e abriu um sorriso largo ao reconhecê-las.
— Ora, se não são vocês! — disse animada. — Faz tempo que não aparecem por aqui.
Conversaram alguns minutos. Juliana pediu apenas um suco, pois o enjoo ainda vinha e ia.
Do outro lado da padaria, na mesa mais afastada, um homem observava em silêncio. A xícara de café esfriava entre os dedos enquanto seus olhos avaliavam as duas mulheres.
A mais velha, pensou ele, devia ser a mãe. Elegante, bonita apesar da idade. A mais nova… aquela chamava atenção. Não só pela beleza, mas pela semelhança evidente entre as duas.
Henrique sorriu de canto. Se a tinha visto uma vez na cidade, com certeza veria outras. Cidade pequena sempre se encarregava disso.
Quando Juliana e Andréia saíram, ele acompanhou com o olhar até a porta fechar.
Logo depois, mãe e filha foram direto para a clínica. O coração de Juliana batia mais rápido do que gostaria de admitir. Era o primeiro ultrassom.
Ela deitou na maca enquanto o médico preparava o aparelho. Andréia segurou a mão da filha com força, como fazia quando Juliana era criança.
— Pode ficar tranquila — disse o médico. — Vai ser rápido.
Segundos depois, dois sons ritmados preencheram a sala.
Juliana prendeu a respiração.
— Está ouvindo? — perguntou o médico, sorrindo ao aumentar um pouco o volume. — Esses são os corações dos seus bebês. Dois. Fortes e saudáveis.
Ela arregalou os olhos. Apertou a mão da mãe com força, a voz simplesmente não saía.
— Dois…? — conseguiu sussurrar, entre o riso e o choro.
— Gêmeos — confirmou o médico, tranquilo. — Dois coraçõezinhos batendo ao mesmo tempo.
— Meu Deus… — murmurou, com a voz embargada. — Dois milagres. São perfeitos.
— Parabéns, minha querida — disse a mãe emocionada.
No caminho de volta, Juliana observava a paisagem com a mão sobre o ventre, estava radiante, aquele pequeno ponto pulsando na tela era o começo de outra vida.
Assim que o carro parou em frente ao casarão, Juliana desceu primeiro.
— Vou procurar o Thomas — disse, se afastando, como se precisasse vê-lo naquele exato instante para ter certeza de que tudo era real.
Andréia sorriu sozinha antes de entrar pela lateral da casa, seguindo direto para a área gourmet.
Dolores estava perto do balcão, organizando algumas xícaras.
— Oi, Dolores — cumprimentou Andréia com carinho.
— Oi, minha querida — respondeu ela, abrindo um sorriso. — Voltaram cedo.
Antes que continuassem a conversa, Andréia parou no meio do caminho. No canto da cozinha, quase escondido pela sombra, um animal de porte elegante observava tudo com olhos atentos. O corpo esguio, as orelhas grandes e o pelo manchado denunciavam que não era um gato comum.
— Dolores… — Andréia apontou discretamente. — E esse serval? Não me lembro de tê-lo visto antes.
Dolores seguiu o olhar dela e sorriu com uma pontinha de saudade.
— Este é o Orion — disse com suavidade. — Nyra e Ayra faleceram. Já estavam velhinhas…
Andréia assentiu devagar, compreendendo.
— Eu me lembro delas. Eram lindas.
Orion ergueu a cabeça ao ouvir o próprio nome, observou Andréia por alguns segundos e depois voltou a se deitar, tranquilo, como se aceitasse a presença dela ali.
— Thomas cuida dele como se fosse da família — continuou Dolores. — Acho que, de certa forma, ele ajudou meu filho a não ficar tão sozinho depois de tudo.
Andréia suspirou, sentando-se à mesa.
— Imagino… essa casa guarda muita história.
Dolores colocou duas xícaras de café sobre a mesa e sentou-se à frente dela.
— E a Juliana? — perguntou com um olhar atento. — Ela parecia… diferente hoje.
Andréia envolveu a xícara com as duas mãos, respirou fundo antes de responder.

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