O Trigêmeos do Magnata romance Capítulo 396

— Vá comer. — Anthony a soltou e se virou para ir ao banheiro.

Anne ficou atordoada, perguntando-se sobre a aceitabilidade repentina do homem. A aura que emanava de todo o seu corpo era quase sufocante, o que a fazia pensar que Anthony iria ignorar sua reclamação, então ela ficou um pouco surpresa. No entanto, ela não era nem um pouco grata a ele, porque sabia que, de certo, o atraso era apenas uma tática para retardar a tortura e não significava que ela havia escapado do desastre.

O apartamento não era tão grande quanto a Mansão Real, assim como a mesa de jantar de Anne não era nem um terço da mesa do lugar. A comida, é óbvio, também não serviria para comparação. Aos olhos de Anthony, uma refeição ali poderia ser tão proveitosa quanto a comida de um botequim suburbano. No entanto, o homem insistiu em comer por lá. O que estaria em sua mente, afinal?

Anne viu que ele terminava de comer um dos pratos e afastou o pensamento.

— Você quer repetir esse? — Perguntou a moça.

Anthony a encarou com olhos sérios:

— Você deu a chave daqui para Tommy. —

Não era uma questão, então Anne sabia que ele devia ter visto tudo pela câmera de vigilância. A situação ocorrida entre ela e Tommy já era de conhecimento do homem, afinal, porque ele a monitorava o tempo todo. Com certeza aquilo era assustador.

— Você já encontrou uma desculpa esfarrapada para me dar? — Anthony provocou.

— Não preciso dar desculpas. Eu a deixei embaixo do vaso de planta, então, quando ele veio me encontrar, a levou. — Anne teve que pensar bem antes de explicar.

No final, ela ainda não queria que a relação entre Anthony e Tommy piorasse, já que os dois já viviam em guerra declarada. A briga entre os dois não era algo trivial, tanto que poderia até custar uma vida.

— Se lembra do que eu te falei hoje? — A voz grave de Anthony estava cheia de avisos dissuasivos.

Anne se sentiu péssima ao lembrar que, horas atrás, o homem a afogava numa pia, em um dos banheiros da empresa. Naquele momento, lá estavam os dois, jantando, como se uma atitude daquelas fosse normal, ou até mesmo aceitável.

Aquele homem era perigoso e aterrorizante, ainda mais quando se sentia provocado ou desconfiado. Poderia ser imprevisível.

— Nunca vou esquecer. — Anne disse, com um olhar sério em seu rosto.

Anthony olhou para ela em silêncio, a opressão que transmitia através da postura era escancarada. Quando os segundos sufocantes se passaram, Anne estava prestes a mostrar submissão e falar com resignação, mas o homem, do lado oposto da mesa, levantou-se e se virou para sair do apartamento.

— Você vai embora? — Anne perguntou, sem pensar.

Anthony deu um passo e se virou.

— Você quer que eu fique? —

Como Anne poderia querer que ele ficasse? Ela se levantou e entregou, às pressas, o paletó para ele.

— Só queria te lembrar do paletó... —

— Você acha que eu ainda vou usar isso? Jogue fora. — Disse Anthony.

Anne baixou o olhar e, em seguida, ouviu uma ordem vinda do homem.

— Mostre seu rosto. —

A moça não teve escolha, a não ser olhar para cima. Observando o rosto bonito, mas frio, do homem, ela caiu na profundidade dos olhos escuros do dominador. As pupilas dela, daquele ângulo, pareciam ter alguma lamentação estranha. De repente, Anthony semicerrou as pálpebras, a pegou pelos ombros, deslizou a mão por trás do cabelo da moça e puxou sua nuca para que pressionassem os lábios num beijo.

Anne se sentiu sufocada, enquanto fechava os olhos e suportava o beijo intenso e dominador, como se aquele homem devorasse todo o seu corpo. Depois de se soltar, a moça se sentiu um pouco tonta, porque Anthony fazia questão de deixar a mulher sem ar durante o beijo. Ela piscou algumas vezes e segurou o terno de Anthony, ofegando pela necessidade imediata de respirar.

A porta se fechou e ela pousou os olhos no ambiente. Por toda a sala, já não havia sensação da presença de Anthony, nem de toda a sua aura de opressão. As pernas da moça se sentiam fracas, então ela se sentou no sofá ao seu lado. Anne sentia que jamais conseguiria entender aquele homem, ou os motivos para que ele fosse tão hostil, agressivo e difícil de lidar.

Na verdade, ela sabia que, enquanto obedecesse aos desmandos da personalidade dominadora daquele homem, ele não a trataria tão mal. No entanto, obedecê-lo jamais seria uma tarefa fácil. E a que custo faria isso? Daria sua liberdade, sua sensação de segurança e sua integridade física para não desafiar os caprichos de um agressor?

De vez em quando, ele sempre a empurrava para a beira do abismo, fazendo-a cair e se sentir enfraquecida, derrotada, forçando-a a agir contra sua própria vontade, tudo em prol de o satisfazer. Aquilo era um ciclo interminável.

Na verdade, ela concordou com o pedido de Anthony por causa de uma peça de roupa, mas não aguentou a consequência. Anne baixou a cabeça e olhou para o paletó de grife, em suas mãos. Jogar fora foi a sugestão do homem, e ela queria muito fazer isso, porque não queria ter nenhuma roupa daquele crápula em sua casa, porque só de olhar para qualquer peça que ele usasse, a moça se sentiria frustrada.

Anne ergueu e revirou a jaqueta, examinando-o com cuidado. A mulher queria entender como uma peça de roupa daquelas poderia valer tanto dinheiro quanto o homem sugeriu. Não parecia nada feito de ouro ou pedras preciosas, então imagino que era apenas uma tolice injustificada do mundo das pessoas ricas, o mundo de Anthony.

Quando o telefone tocou, Anne voltou a si e sabia quem estava ligando sem olhar.

— Ele já foi. Agora você está tranquilo? —

— Sim. — Tommy disse. — Mas estou curioso para saber por que ele não ficou. —

— Como eu saberia? Ele pode ter algo para fazer. Por que você está me perguntando tanto? —

— Eu estava pensando em como você é realmente especial para Anthony. Ele sempre foi assim? — Perguntou Tommy.

— Você quer ter esse tipo de tratamento especial dele também? — Anne perguntou com raiva e desligou o telefone.

O telefone foi deixado de lado. O ambiente ficou quieto e Tommy não ligou outra vez. Anne tomou banho em casa, então só foi para o sexto andar depois de se lavar. Abraçando seus filhinhos fofos e carinhosos, a família adormeceu com tranquilidade.

No dia seguinte, Anne foi trabalhar, como de costume. Às cinco horas, a mulher retornou para sua casa, depois de sair do trabalho. Anthony disse que apareceria, talvez, mas não disse quando seria isso, nem avisou se gostaria de jantar lá outra vez. Inquieta, a moça se perguntava se deveria ligar e confirmar, mas não tinha certeza de qual seria a reação para suas perguntas.

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