O Trigêmeos do Magnata romance Capítulo 397

Anne decidiu não fazer a ligação. Ela preferia deixar o assunto quieto, na esperança de que Anthony simplesmente esquecesse da possibilidade. Embora pensasse dessa forma, a mulher fez uma quantidade a mais, enquanto preparava o jantar. Era melhor que ele não aparecesse, mas se fosse o caso, pelo menos não a incomodaria com reclamações.

Para evitar problemas com aquele homem, ela tinha que pensar em tudo antes de tomar qualquer decisão. A verdade é que Anne vivia com muito medo do comportamento abusivo de Anthony, mas não tinha o que fazer. Depois de voltar ao trabalho, por mais que os colegas fingissem que não ligavam, todos tinham olhares de curiosidade direcionados para a funcionária. De certo, deviam estar se perguntando como que ela ainda poderia ir trabalhar depois de ter provocado a ira do homem, famoso por ser irredutível. Era como se nada tivesse acontecido.

Ninguém pensaria que ela e Anthony teriam algum tipo de relacionamento íntimo, mas a cena que testemunharam foi de pura violência. Além disso, aos olhos de seus colegas, Anne era a namorada de Tommy, então como ela poderia ter uma interação tão insana com o irmão do rapaz? Todos faziam especulações, tentando compreender a totalidade daquela fofoca.

Pelo celular, Anne verificava a posição de Anthony de vez em quando, enquanto cozinhava. Mesmo quando ela terminou de preparar a refeição, o homem ainda estava no Grupo Arquiduque. Era estranho, porque o relógio marcava seis horas e o indicador de posicionamento não se movia, como se estivesse quebrado.

A mulher tinha alguma certeza de que não era o caso de estar quebrado, então supunha que Anthony ainda estava ocupado demais por lá. Depois de esperar por mais meia hora, o indicador continuava marcando a mesma posição, então Anne jantou sozinha e manteve o resto aquecido.

Caberia ao próprio Anthony decidir se aceitaria ou não comer as sobras, mas ela precisava ter certeza de que faria sua parte.

Estranho era que, mesmo depois que Anne tomou banho e foi para a cama, o rastreador indicava que Anthony continuava na empresa, sem sair do lugar. Ela pensou consigo mesma: 'Ele realmente esqueceu?'. Será que a moça realmente poderia escapar daquela noite e dormir com tranquilidade? Pensando nisso, Anne relaxou seu corpo por inteiro. Afinal, servir a Anthony não era apenas uma preocupação física, mas também um grande desgaste mental.

Por via das dúvidas, a mulher preferiu não ir até o sexto andar e decidiu dormir no apartamento em que estava. Alguns minutos depois das nove horas, ela adormeceu. Sem ter noção de quanto tempo se passava, Anne apenas sonhou. Em sua consciência onírica, ela se via caindo no mar, e a pressão da água de repente a envolvia com força, de uma maneira que ela não conseguiria se libertar, não importando o quanto lutasse.

Ela não conseguia respirar e seus pulmões pareciam prestes a explodir. Tudo que podia fazer era abrir a boca, mas quando o fez, mais água invadiu o seu corpo, enchendo toda a sua boca e ameaçando adentrar sua garganta e preencher também os seus pulmões. A sensação de sufocamento iminente e de estar à beira da morte a fez acordar de repente.

Quando a consciência e a realidade, por fim, se encontraram, quase foi libertador para Anne, se ela não percebesse que havia alguém a beijando durante seu sono. A moça se viu tão assustada que seu corpo inteiro enrijeceu, mas, um segundo depois, ela instintivamente empurrou o assediador para longe.

O homem recuou um pouco, mas a aura de intimidação que ele emitiu em resposta, enquanto olhava para a vítima, era mais sombria do que o breu do quarto. Quando Anne encontrou aqueles olhos escuros e profundos, percebeu quem era o homem e pensou numa resposta.

— Você me assustou... —

Anthony se aproximou e segurou seu queixo.

— Quem permitiu que você dormisse? Esqueceu que me deve algo? —

Se Bianca estivesse em casa, com certeza esperaria que ele voltasse. O pensamento do homem era sucinto: parecia óbvio que aquela coisinha que era Anne ainda não entendera seu lugar e suas obrigações.

— Eu estava esperando por você e adormeci por acidente. — A moça mentiu.

Ela não esperaria por ele. Ela não queria nem que aquele homem aparecesse.

— Falo sério... Eu fiz sua refeição, mas você não veio comer... —

Ela deu os argumentos para que o dominador não encontrasse meios de a colocar em uma situação mais difícil. Os olhos afiados de Anthony perfuravam a escuridão e a encaravam, como uma besta ensandecida saindo para caçar no meio da noite, pronta para atacar a qualquer momento. Embora Anne se sentisse mentalmente fortalecida para aturar a situação, ela ainda se percebia apavorada diante da chance de enfrentar um homem tão aterrorizante. Com gentileza, a moça tentou mudar a situação, então empurrou ele pelo ombro.

— Vá tomar um banho... —

Ele ainda estava de camisa e calça, então era certo que não havia feito nada desde que chegara.

— Vamos tomar banho juntos. — Anthony a carregou, sem perguntar.

— Eu já fiz isso! — Anne recusou.

— Vai fazer outra vez. —

A moça sabia que não tinha muito o que dizer para impedir aquele homem. Entrando no banheiro, ele acendeu a luz, e o brilho súbito fez Anne semicerrar os olhos, por reflexo. O banheiro era grande o suficiente para que ele a colocasse no box e ligasse o chuveiro. A água caiu na cabeça da moça e escorreu por seu corpo, molhando sua camisola.

— Eu ainda estou vestida! Além disso, a água está gelada! — O corpo de Anne se encolheu.

— Gelada, é? —

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O Trigêmeos do Magnata