O Trigêmeos do Magnata romance Capítulo 452

Imaginando que fosse Anne, Nigel atendeu ansioso ao telefone.

Porém, era Sarah.

Ela ainda não sabia sobre o desaparecimento da filha. E já que ligava e não mandava mensagem como fazia habitualmente, Nigel julgava que queria saber sobre Anne.

— Oi, Sarah. Está tudo bem? — Perguntou com uma voz natural, fingindo despreocupação.

— Oi, Nigel... Estou um pouco ansiosa...Qual é o problema com Anne? Ela não atendeu ou retornou minhas ligações. Sabe o que pode estar fazendo agora? — Sarah disse.

— Ela pode estar ocupada com o trabalho. —

— Mas, não importa a quão ocupada ela esteja, sempre retorna minhas ligações num tempo razoável... — Sarah estava desconfiada. — Algo está errado? —

— Está chegando o final do mês e o departamento dela está ocupado. É normal isso acontecer, não se preocupe. — Nigel disse uma mentira inocente.

— Tudo bem... — A mulher comprou o que ele disse. Além disso, como algo poderia dar errado? Nigel estava lá para cuidar dela. — Desculpa, eu só estava realmente preocupada com minha filha, por isso liguei. —

— Eu sei, não importa. Você pode me ligar a qualquer hora. —

— Mesmo no meio da noite? —

— Mesmo no meio da noite. —

— Falando desse jeito, Nigel, faz me perguntar se você se divorciou de Dorothy. — Ela brincou com um sorriso.

— ...Não. — Embora Nigel não tenha se divorciado de Dorothy, ele dormia no escritório quase todas as noites. No entanto, não contou a Sarah sobre isso. Não ia resolver nada do que realmente era importante naquela hora.

Anne despertou assustada quando ouviu o som da porta se abrindo. Com movimentos lentos, sentou-se na cama, ainda num estado de sono e cansaço. Uma sombra alta se aproximou dela, o que a fez se encolher de medo. Quando chegou mais perto, notou que era Anthony com um prato de comida nas mãos. Ele colocava impassivelmente a janta na mesinha de cabeceira da cama, enquanto ela se recolhia ainda mais e tremia de medo, como um cachorro traumatizado.

— Eu não vou comer isso! — Os olhos de Anne eram raivosos e teimosos.

— Se você não comer, eu vou te usar até você implorar para comer! — Anthony ameaçou.

A jovem entendeu a ameaça e tremeu só de imaginar ele abusando novamente dela. Aquele homem era um demônio maníaco, pensava. Só de notar seus olhos ferozes Anne sentia seu coração bater mais rápido como se quisesse sair pela boca. “Ele é insano...”

Ela tinha medo de morrer se não tivesse força de vontade. E não queria morrer...

Quando viu que o demônio saia friamente do quarto, Anne disse, agoniada:

— Não vou cometer suicídio, eu prometo. Deixe-me ir, por favor, não posso ficar aqui para sempre, meus pais vão se preocupar comigo! Eu lhe imploro... —

O magnata virou com leveza o rosto sobre o ombro, ainda com costas viradas para ela. Disse:

— Isso não tem nada a ver comigo. — Depois de falar, abriu a porta e saiu do quarto, sem nenhuma pressa.

A raiva que surgiu em Anne era tanta que lhe veio um impulso de jogar a janta no chão e estraçalhar o prato. No entanto, não se atreveu a fazê-lo. Tinha medo do que o magnata seria capaz, e agora sua vida dependia dele. Além do mais, quem viria resgatá-la? Estava desaparecida há muito tempo e ninguém sabia sobre a casa de Anthony. Infelizmente, era mais provável que seu próprio carcereiro a deixasse sair. E pensar nisso a deixava ainda mais aflita, já que Anthony não era o tipo de pessoa que parecia misericordiosa.

Quando desistiu de pensar, ela olhou por acaso para a comida e seu estômago roncou. Estava com fome e ainda bem que não tinha jogado o prato no chão. Então, a jovem pegou os talheres com as mãos algemadas, sem muito espaço para separar o garfo da faca. Embora ainda conseguisse comer, era muito inconveniente daquela forma.

A porta se abriu, no mesmo momento em que Anne estava no final da janta, comendo na beira da cama com um travesseiro no peito. Anthony olhou para ela com olhos que expressavam desdém. Porém, a jovem não pareceu se importar, e continuou a comer com indiferença ao olhar do empresário.

Ela terminou de comer com rapidez e se sentou, olhando para cima e encarando com coragem o rosto condescendente de Anthony.

— Quando você vai me deixar ir? Eu realmente não posso ficar aqui para sempre, não vou cometer suicídio e não vou fazer nada com Lucas. Deixe-me ir. — Anne afirmou mais uma vez.

Então, o demônio se aproximou dela, levantou a mão, beliscou o seu queixo e disse:

— Você já não disse isso outra vez? — Sorria maliciosamente.

Anne deu de ombros, com a consciência culpada.

— Desta vez é verdade... Não vou mentir para você... Além disso, você me deu permissão para se casar com Lucas...

— Eu não quero que você fique perto de outros homens, e você não tem permissão para pensar neles! Você me entendeu?! Não tem medo de que eu corte sua mão delicada quando você estiver usando o bracelete?! — O demônio vociferou.

As palavras cruéis e gritadas de Anthony fizeram Anne tremer de medo.

— Nunca mais vou fazer isso... Eu prometo. Por favor, me deixe ir agora? — A voz de Anne era baixa e carregada de emoção. Sabia que não poderia ficar presa ali para sempre. Amava tanto os filhos, os pais e os amigos... Só desejava estar envolta da cálida presença deles naquela hora.

— Não. Você vai ficar aqui e refletir sobre seus erros. — Depois de falar, ele soltou sua mandíbula e saiu num trovão.

— Anthony... — Ela tentou chamá-lo pela última vez, enquanto a porta era fechada impiedosamente, desligando sua voz que implorava por misericórdia.

Se sentindo fraca, a jovem cobriu o rosto e deixou o corpo cair na cama novamente, se encolhendo e abraçando os próprios joelhos. “Eu vou ficar aqui por mais uma noite?”. Ele era louco se fosse fazer isso com ela!

Anne começou a chorar enquanto imaginava ter que passar mais um dia presa e longe de todos. No entanto, por mais difícil que fosse para ela aceitar aquilo, Anthony não apareceu de novo no quarto naquela noite. Anne fora deixada sozinha no escuro, com as algemas ainda nos pulsos e o peso esmagador da sua própria impotência.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O Trigêmeos do Magnata