Perverso romance Capítulo 25

Acordei dos meus devaneios com a porta do quarto sendo aberta, abri os olhos com medo que fosse vir Nicolae buscando algum tipo de vingança, mas não era, apesar do ambiente mal iluminado, eu sabia quem era. Sebastian caminhou pelo quarto com os passos pesados, cambaleando um pouco para os lados, estava bêbado demais para se importar se iria quebrar algum jarro do quarto.

Ele não percebeu que eu estava acordada, então continuei fingindo.

Ouvi seus sapatos batendo no chão, em seguida lugar na cama ao meu lado afundando.

Ele saltou um suspiro cansado, o cheiro de álcool se espalhou pelo quarto. Eu estava de costas para ele, mas senti seu rosto virando para mim, então sua cabeça se aproximou de mim, com seu corpo e por fim ele passou o braço ao redor da minha cintura, me puxando para mais perto de si. Seu peito junto a minha costa, sua perna colada a minha e a sua virilha tão próximo a minha nádega que eu o senti.

Arregalei os olhos.

Eu deveria dizer-lhe que se afastasse de mim, dizer tudo o que estou sentindo, o que Nicolae me falou e que ele era um criminoso, tudo isso enquanto ele sumiu para transar com alguém, mas não sabia se seria estranho demais abrir os olhos depois disso.

— Sei que está acordada. — Murmurou ele em meio aos meus cabelos. — Já disse que você é péssima fingindo qualquer coisa.

Permaneci imóvel.

Ele virou-se para o lado oposto e dormiu rapidamente, enquanto meu rosto inteiro ardia de raiva.

No outro dia ele não estava mais ao meu lado, assim como da última vez. Esfreguei os olhos, a claridade desse lugar chegava a ser irritante.

Caminhei até a sacada, o dia ainda estava nublado, igual a ontem.

Vesti um biquíni que Marília colocou na minha mala, olhei para o espelho ligeiramente, ganhei alguns quilos depois que passei a comer direito, meu corpo estava mais arrendondado com algumas curvas, mas as cicatrizes que um dia foram feridas não sumiram, algumas avermelhadas, outras brancas repuxadas. Talvez elas nunca sumissem. May disse-me certa vez que eu nunca esqueceria dela, a filha da puta tinha razão, eu não a esquecia um dia sequer.

Coloquei um vestido por cima, soltei os cabelos e desci. Na puxada eles tomavam café, Sebastian usava um óculos escuro — para esconder as olheiras da noitada —, um cigarro fumaçava ao seu lado, mas ele pertencia a Viviane que estava radiante com um chapéu de praia que mais parecia uma sobrinha.

Fui para perto deles em silêncio, arrastei uma cadeira me sentando ao lado de James. Nicolae não hesitou em olhar-me como se eu fosse uma intrusa.

— Hoje a noite será especial. — Viviane comentou.

— O que há de especial? É só a despedida de um ano de merda. — Respondeu Nicolae picotando um pão francês com os dedos.

— Não seja estraga prazeres, querido. — Nicolae revira os olhos. — É o nosso primeiro ano novo com a Jade.

Como essa mulher conseguia ser cínica, agia de uma forma que parecia verdade, eu cheguei a acreditar por um instante.

Nicolae curvou a boca em um sorriso.

— O que acha de cantar para nós hoje? — Perguntou Viviane.

— Não estou disposta.

— Ah, por que não? Não seja assim.

Sebastian parecia não existir ali, observava a cena sem emoção.

— Mostre a nós a única coisa que sabe fazer de melhor. — Insinuou Nicolae.

— É. — Incrementou Vivian.

— Claro. — Respondo. — Eu posso cantar.

Ela bateu palmas.

O dia foi sufocante, Viviane chamou uma equipe para ornamentar a casa, pois ao que parece viriam mais pessoas que na noite anterior. Eles colocaram luzes, arranjos de flores, um bar, mesas com doces e salgados, uma pequena pista de dança e mesas. Eu fui convocada por ela para ajudar na arrumação. No começo foi apenas para pegar as coisas dentro da Van que os assistentes da organizadora esqueceram, depois para ajudar a varrer a puxada, agora estou aqui lavando todas as louças da prataria holandesa — segundo ela — que está na família há décadas. Tive que lavar todos os pratos, potes, taças e talheres usados hoje, com cuidado para não arranhar nenhum.

O suor escorria pela minha testa.

Sebastian sumiu a tarde inteira, estava resolvendo "negócios" com Nicolae, sabia bem quais eram seus negócios, a loira do hotel estava aqui.

— Jade, querida, pode ajudar a dobrar os guardanapos? — Perguntou Vivian.

Olho para a pilha de louças.

— Ainda estou enxugando os talheres.

Ela levanta os ombros rapidamente.

— Ah — olhou para os talheres de prata em cima da mesa —, esses não são os talheres que usaremos hoje.

Meu queixo caiu, completamente indignada.

— Desculpe. — Levou as mãos em frente aos lábios. — Pode ajudar com os guardanapos?

Juntei meu queixo e o resto de dignidade que me sobrou. Viviane me levou até um quartinho abafado onde em caixas brancas estavam os tais guardanapos, ela me ensinou como deveria dobrar que a organizadora viria pegar dentro de alguns instantes.

Deixou-me sozinha enrolando aqueles malditos panos, por sorte aprendi rápido e consegui fazer tudo antes da organizadora buscar.

Quando sai do quarto agradeci a brisa fria, estava molhada de suor.

Do lado de fora já estava anoitecendo, as coisas estavam arrumadas. Avistei Viviane com um belíssimo vestido dourado, colado e cheio de pedrarias, com mais de 30 anos ela conseguia ter um copo mais esbelto que o meu.

Limpo o suor da minha testa.

— Precisa mais algo? — Perguntei.

Ela olhou bem para mim com os olhos arregalados.

— Você está um horror! Minha nossa, vá se arrumar. Ninguém gostaria de ver a esposa de Sebastian desse jeito. — Falou em um tom surpreso.

Pisquei algumas vezes, segurando as palavras que pensei. Viviane era descarada, mal conseguia fingir que me odiava.

Subi as escadas exausta, não aguentaria passar a madrugada acordada para ver os fogos. Isso me fez lembrar dos meus dias com May, quando ela me fazia limpar a boate inteira sozinha antes de Ethan aparecer. Por algum motivo, lágrimas surgiram nos meus olhos. Eu não deveria ter aceitado esse convite, foi um verdadeiro erro.

Tomei um bom banho, as lágrimas se misturaram com a água. Esse era o lado bom de chorar debaixo do chuveiro, não se sabia o que era lágrima e o que era água, elas se misturavam.

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