Perverso romance Capítulo 8

May levou Gisele para o hospital após muita insistência minha, não consegui contar toda a história, mas o que disse foi suficiente para May me olhar como se quisesse nos matar. E ela iria.

Não consegui fechar os olhos na noite anterior, a cama dela ainda estava suja com seu sangue, a imagem dela permanecia na minha cabeça, mal pensei no que seria de mim a partir de agora, só queria que Gisele ficasse bem. Apenas isso.

As meninas pareciam não entender o que aconteceu, nem eu entendia direito também, mesmo que Gisele não aparentasse estar bem eu preferia acreditar que tudo iria se encaixar, mas não foi o que aconteceu.

— Jade? — Maria me chama.

— Oi? — Olho para ela.

— Está bem? Estou falando com você há tempos...

Passo as mãos no rosto.

— Não é nada. Estou cansada, a noite foi conturbada.

Ela olha para os lados.

— Sabe o que aconteceu com a Gisele? — Perguntou.

Só de falar em seu nome eu sentia vontade de chorar, a culpa estava me consumindo, estávamos sem notícias há horas.

— Eu não sei de nada. Vamos esperar a May voltar.

Vejo Ethan do outro lado, limpando o chão de maneira apreensiva, ele sabia que não se encrencaria como eu, pensava em mim, nas novas feridas que May deixaria no meu corpo.

Aperto os olhos.

Ninguém merecia passar por isso, a cada segundo eu sentia como se meu peito fosse explodir, minha cabeça não parava.

Ouvimos a porta da boate sendo aberta, todas as meninas sentadas se levantam, assim como eu. Em meio a escuridão, May aparece com uma expressão nada boa.

Ela olha-me de relance, depois para Vicent e por fim cochicha algo no ouvido dele. Olho para Ethan, o vejo engolir a seco largando o pano no balde com sabão.

Havia um silêncio tão grande que ouvíamos apenas o salto do escarpim de May batendo no chão, até que parou em frente a mim.

— Gisele está bem, fora de risco no momento. — Solto ar que nem sabia estar guardando, sentindo meu peito mais leve. — O médico disse que ela teve uma hemorragia, após um aborto mal realizado.

As meninas começam a cochichar.

— Silêncio! — Ordenou, todas se calaram. — Eu nem sabia que Gisele estava grávida.

— May, eu... — tento.

— Calada, Jade!

Ela volta a andar de um lado para o outro, olhando para todas as meninas, não se ouvia nem barulho de respiração. Tirou seu chapéu lentamente, ainda andando.

— Sabem porquê eu peço para serem transparentes comigo? — Ninguém ousou em falar — por conta desse tipo de acontecimento. Gisele nunca mais vai poder ter filhos, mesmo que queira.

Ela vira-se para mim e se aproxima novamente, leva os dedos até meu cabelo e afasta uma mecha para trás da minha orelha. Meu corpo inteiro tremeu.

— Ela quase morreu, tudo por sua culpa.

— Não seria diferente se ela dissesse a você. — Murmuro.

Uma expressão aterrorizante se formou no rosto de May, então solta um sorriso nasal e me dá o primeiro tapa. As meninas se espantam engolindo o ar.

— Você foi a pior coisa que já me aconteceu, mesmo depois de tudo, tudo que fiz por você, continua sendo uma ingrata! — Rosnou. — Todas vocês, vão embora!

As meninas saíram do salão correndo, todas com medo do que aconteceria a seguir. Levei a mão até minha bochecha quente, sentindo lágrimas inundar meus olhos.

— É apenas mais uma puta que se acha esperta demais, mas eu digo: você não é nada! Absolutamente nada!

— Está enganada...

— Estou? — Suspirou — enquanto Gisele estava sob efeito de sedativos ela me contou uma história interessante.

Vejo Vicent aparecer por trás do Ethan, ele imobiliza o mesmo e segura seus cabelos puxando sua cabeça para trás. Mesmo que ele se debatesse Vicent tinha o dobro do seu tamanho, fora que ele se alimentava mil vezes melhor que o Ethan.

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