Assim que a porta se fechou atrás deles, caminharam lado a lado pelo corredor do hospital. O ambiente estava relativamente vazio naquele horário. Foi Eduardo quem quebrou o silêncio primeiro.
— Vejo que você tem vindo aqui com frequência.
A voz dele permanecia controlada, mas fria. Bruno lançou-lhe um olhar breve antes de responder com tranquilidade:
— Helena está passando por um momento difícil. Achei que ela precisava de apoio.
Eduardo manteve os olhos fixos à frente.
— Apoio?
— Sim. — respondeu Bruno calmamente. — Apenas estou sendo um amigo.
Eduardo parou de andar por um instante e finalmente o encarou diretamente. O olhar frio e intenso fez até o corredor parecer mais silencioso.
— Espero que seja só isso.
Bruno sustentou o olhar dele sem perder a calma.
— É exatamente isso.
Por alguns segundos, os dois permaneceram se encarando em silêncio. Então Eduardo desviou o olhar primeiro.
— Tenha um bom dia, Bruno.
— Você também, Eduardo.
Bruno seguiu pelo corredor em direção aos elevadores, enquanto Eduardo permaneceu parado observando-o se afastar.
Quando Eduardo voltou ao quarto, encontrou Helena ao lado da cama da mãe ajeitando o lençol, Clara descansava de olhos fechados.
Helena ergueu o olhar assim que ele entrou. Eduardo aproximou-se calmamente.
— Já providenciei tudo.
Helena franziu levemente a testa, sem entender.
— Como assim?
— Contratei os melhores especialistas da área. — respondeu ele com naturalidade. — Sua mãe será transferida ainda hoje para um hospital de referência no tratamento da doença dela.
Por alguns segundos, Helena apenas o encarou em silêncio, tentando processar aquelas palavras.
— Eduardo… aquele tratamento é extremamente caro. — disse quase num sussurro. — Eu não tenho como pagar por isso.
Ele sustentou o olhar dela sem hesitar.
— Você não vai pagar.
Helena sentiu o coração apertar.
— Mas…
Eduardo a interrompeu antes que ela continuasse.
— A senhora Clara é minha sogra. — disse em tom firme, porém mais suave do que o habitual. — Isso é o mínimo que eu deveria fazer.
Helena ficou sem reação.
Nos últimos dias, ela vinha tentando ser forte sozinha, calculando despesas, pensando em vender a casa, enfrentando hospitais, burocracias e o medo constante de perder a mãe.
E agora, de repente, Eduardo simplesmente assumia o controle da situação.
— Eduardo… eu…
Mas a voz falhou antes que conseguisse terminar.
Eduardo desviou o olhar discretamente, como se não soubesse lidar com a emoção estampada no rosto dela.
— O hospital já foi avisado. A ambulância especializada deve chegar em breve para fazer a transferência.
Então voltou os olhos para Clara, que parecia dormir.
— Ela terá o melhor tratamento possível.

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