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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 107

Helena acabava de sair da administração do hospital carregando mais uma pilha de laudos, solicitações e formulários. Parecia que, a cada corredor percorrido, surgia uma nova burocracia para resolver.

As despesas médicas já haviam se tornado uma fortuna. Helena usara praticamente todo o lucro recente da empresa para pagar parte dos custos do hospital. Renato também ajudava como podia, mas ela se recusava a permitir que o tio se endividasse por causa do tratamento de Clara.

Agora, nas mãos dela, estava o protocolo completo do tratamento da mãe.

Ainda não tivera coragem de contar toda a gravidade da doença aos avós. Mas sabia que não conseguiria esconder aquilo por muito mais tempo.

Mesmo com a idade avançada, Rubens e Margarida insistiam em visitar a filha. Glória e Renato tentavam convencê-los a permanecer em casa, receosos de que eles acabassem contraindo alguma doença dentro do hospital.

Mas nada afastava os dois de Clara.

Em uma das visitas, Margarida ficou visivelmente abalada ao ver o estado da filha, que parecia definhar em tão pouco tempo. Desde então, ela e Rubens passaram a se apegar ainda mais à oração.

Helena também buscava forças na fé.

Todos os dias, encontrava algum momento para entrar na pequena capela do hospital. Permanecia ali por longos minutos, às vezes horas, entre lágrimas silenciosas e orações desesperadas, esperando por um milagre.

Clara, por outro lado, parecia ser a mais forte entre todos eles.

Mesmo sabendo da gravidade da própria doença, mantinha-se serena e inabalável na fé. Apesar das dores constantes e do desgaste do tratamento, quase sempre tinha um sorriso tranquilo no rosto.

“Está tudo bem, minha filha.”

“Deus sabe o que faz.”

“Tudo o que nos é permitido viver é porque somos capazes de suportar.”

“Deus cuida de nós. Mesmo quando eu não estiver mais aqui, Ele continuará cuidando de você.”

Cada uma dessas palavras permanecia presa na mente de Helena como um aperto doloroso no peito.

Agora, caminhando sozinha pelo corredor do hospital, ela sentia as próprias forças se esgotando aos poucos. E, pela primeira vez em muito tempo, até sua fé começava a vacilar diante do medo de perder a mãe.

Foi então que, ao se aproximar do elevador, ouviu alguém chamar seu nome.

— Helena.

Ela se virou lentamente.

Eduardo estava próximo à recepção, observando-a atentamente.

O olhar dele percorreu os documentos em suas mãos antes de finalmente parar em seu rosto cansado, abatido e marcado pelas noites sem dormir.

Helena ficou claramente surpresa ao vê-lo ali.

— Eduardo… — murmurou, ainda sem acreditar. — Não sabia que tinha voltado.

— Desembarquei há pouco tempo. Vim direto para o hospital.

Ela o encarou por alguns segundos, sem saber exatamente o que sentir. Então Eduardo deu mais um passo em sua direção.

— Por que não me disse que sua mãe estava doente?

A voz dele estava diferente. Mais baixa. Mais suave do que Helena jamais se lembrava de ter ouvido. Ela apertou levemente os documentos contra o peito antes de responder:

— Você estava em viagem de negócios.

Eduardo compreendeu imediatamente o verdadeiro significado daquelas palavras. Ela não interferia na vida dele… e acreditava que ele também não deveria interferir na dela.

O silêncio entre os dois tornou-se pesado por um instante. Então Eduardo desviou o olhar para os documentos médicos nas mãos dela.

— O plano liberou o tratamento?

Helena desviou os olhos imediatamente e balançou a cabeça em negativa. Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos.

— E o tratamento particular?

Helena respirou fundo, tentando manter a firmeza.

— É caro demais. — respondeu com a voz baixa. — Eu já coloquei a casa à venda.

A expressão de Eduardo endureceu no mesmo instante e os olhos escureceram, ela não pediu ajuda a ele.

— E como está a senhora Clara?

Dessa vez, Helena não conseguiu esconder o sofrimento.

— Piorando a cada dia.

A voz falhou junto das lágrimas que ela tentou inútilmente conter.

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