Helena saiu mais cedo do escritório naquele dia e foi direto para o hospital, que ficava em uma região mais afastada e tranquila da cidade.
Ao entrar no quarto, encontrou Glória e Bianca fazendo companhia para Clara.
Depois de cumprimentá-las, aproximou-se imediatamente da cama da mãe. Apesar do sorriso sereno que Clara mantinha no rosto, Helena percebeu pelo olhar cansado e pela respiração mais entrecortada que ela provavelmente estava sentindo dor.
— Mãe, benção.
Clara acariciou de leve a mão da filha.
— Deus te abençoe, minha filha.
Helena sentou-se ao lado dela.
— Como está se sentindo hoje?
— Melhor agora que você chegou. — respondeu Clara com um sorriso suave. — E como estão as coisas na empresa?
Mesmo doente, Clara nunca deixava de perguntar sobre o trabalho.
Helena então começou a falar sobre os novos pedidos que continuavam chegando, os contratos fechados recentemente e os novos designs que vinha desenvolvendo. Enquanto ouvia, Clara demonstrava um orgulho evidente no olhar.
— Eu sempre soube que você tinha talento para conduzir os negócios.
Helena sorriu discretamente.
— Bianca também tem me ajudado muito.
Clara voltou o olhar para a sobrinha. Naquele dia, Bianca passara o dia todo no hospital para que Helena pudesse resolver algumas demandas importantes com clientes que insistiam em tratar diretamente com ela.
— Bianca… não sei como agradecer tudo o que está fazendo.
Antes que a jovem respondesse, Helena falou com um leve sorriso:
— Na verdade, eu acabei contratando a Bianca oficialmente. Ela é ótima com negócios e tem me ajudado bastante.
Os olhos de Clara se iluminaram.
— Isso é maravilhoso.
Bianca sorriu animada.
— Estou muito feliz. E meu pai disse que isso vai ser ótimo para meu crescimento profissional.
Enquanto conversavam, a porta do quarto se abriu novamente.
Bruno entrou com o habitual semblante tranquilo, trazendo, como sempre, um buquê de flores e uma cesta. O sorriso gentil e os olhos calmos pareciam suavizar naturalmente o ambiente.
Bianca, ao vê-lo, corou imediatamente. Ela não fazia ideia de que Bruno visitava Clara com frequência.
— Boa tarde. — cumprimentou ele cordialmente.
— Bruno, que surpresa. — disse Helena.
— Desculpe não ter vindo antes. Estes últimos dias foram bastante corridos no trabalho.
Embora aquilo fosse verdade, Bruno evitara aparecer desde o dia em que encontrou Eduardo no antigo hospital. Então ele voltou-se para Bianca com educação impecável.
— Senhorita Bianca, como vai?
O rubor no rosto dela aumentou ainda mais.
— Muito bem… obrigada, senhor Bruno.
Bruno manteve o mesmo sorriso leve ao cumprimentar Glória:
— Senhora Glória.
Só então aproximou-se de Helena para entregar as flores e a cesta. Em seguida, dirigiu-se até Clara, que sorriu com gentileza ao vê-lo.
Enquanto Helena cuidava de ajeitar as flores no vaso ao lado da cama, os outros acomodaram-se no sofá do quarto.
Bruno era naturalmente agradável e sabia conduzir qualquer conversa com leveza. Não demorou para que o ambiente se tornasse descontraído, arrancando até algumas risadas de Clara e Glória.
Mas toda a atmosfera mudou no instante em que a porta do quarto tornou a se abrir e Eduardo entrou.
Seus olhos encontraram Bruno imediatamente. E, no mesmo segundo, o olhar dele escureceu, tornando-se frio e duro de uma forma impossível de ignorar.
Bruno não demonstrou qualquer desconforto diante da chegada de Eduardo. Manteve o mesmo semblante tranquilo e o sorriso discreto de sempre antes de se levantar do sofá.
— Eduardo.

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