Viviane permanecia de costas para a ampla janela de vidro da sala no segundo andar da mansão.
Vestia uma camisola de seda champanhe coberta por um penhoar do mesmo tom, na mão, segurava um copo de uísque, mesmo sendo cedo.
— Viviane… desista do Eduardo. — disse Henrique calmamente. Ele estava sentado no amplo sofá da sala.
Ao ouvir o nome de Eduardo, Viviane girou bruscamente e num acesso de fúria, arremessou o copo contra a parede.
— Você não entende! — gritou ela, com os olhos tomados de ódio. — Eu nunca perdi… nunca fui trocada por ninguém!
Henrique se levantou, assustado com a intensidade daquela reação. Ele já a vira manipuladora, fria e calculista, mas nunca transtornada daquela forma.
Tentou se aproximar para abraçá-la, porém Viviane recuou antes mesmo que ele a tocasse.
— Aquela mulher roubou o lugar que era meu! — continuou ela, a voz embargada pela raiva.
— Viviane, o Eduardo já sabe o que você fez. — disse Henrique tentando manter a calma. — E não esqueça… você o abandonou anos atrás, numa cama de hospital.
Os olhos dela faiscaram imediatamente.
— Naquela época eu fui idiota por dar ouvidos a você!
Henrique endureceu o semblante.
— Não. Você tomou aquela decisão sozinha. Eu apenas disse que você ainda tinha muito para aproveitar da vida. E, sinceramente… você nem era tão apaixonada assim por ele.
— Mas ele me amava.
Henrique a encarou em silêncio por alguns segundos antes de dizer, mais baixo:
— E quanto a mim? Eu também te amo.
Viviane desviou o olhar imediatamente.
— Amor não me dá a vida que eu mereço.
Ela caminhou lentamente pela sala enquanto falava.
— Essa vida que levamos… não vai durar para sempre.
Henrique passou a mão pelos cabelos, visivelmente incomodado. No fundo, sabia que ela tinha razão.
Os dois haviam vivido anos se aproveitando de homens e mulheres ricos, manipulando sentimentos, seduzindo, sobrevivendo à custa dos outros.
Mas aquele jogo começava a ficar perigoso demais.
— E o que você sugere? Trabalhar? — perguntou ele com uma risada irônica. — O único emprego de verdade que tive na vida foi como garçom. E você nem terminou o ensino médio.
Viviane parou e virou o rosto na direção dele.
E o brilho frio em seus olhos fez Henrique sentir um desconforto imediato.
— É por isso… que eu preciso recuperar o Eduardo.
Ele caminhou devagar até o bar da sala, serviu um pouco de uísque para si e virou metade do copo de uma vez antes de voltar a olhá-la.
— Você está ficando obcecada por ele.

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