Eduardo a observou por alguns segundos. Seu rosto não revelava absolutamente nada. Então deu a volta na mesa e voltou a ocupar sua cadeira.
O movimento foi simples, mas para Viviane pareceu uma retirada. Como se ele tivesse erguido novamente a barreira que, por um instante, ela acreditou ter atravessado.
— Você diz que me ama. — A voz dele era calma. — Diz que tudo o que fez foi por amor.
Viviane assentiu rapidamente.
— Porque é verdade.
Eduardo apoiou os cotovelos na mesa e entrelaçou os dedos.
— Engraçado. Durante muito tempo eu também acreditei nisso.
O coração dela acelerou.
— Eduardo...
— Não. Agora é a minha vez de falar.
O tom firme a fez se calar imediatamente.
— Eu acreditava em você. Confiava em você. Defendia você. E, mesmo assim, cada vez que olho para trás, descubro mais uma mentira.
As palavras atingiram Viviane como golpes.
— Eu sei que errei...
— Não, Viviane. — Ele a interrompeu novamente. — Você sabe que foi descoberta. São coisas diferentes.
Ela sentiu o rosto perder a cor. Por um instante, não conseguiu responder e Eduardo percebeu. Aquilo apenas reforçou suas suspeitas.
— Então me responda uma coisa. — Seus olhos se fixaram nos dela. — Se eu não tivesse descoberto nada... você teria me contado a verdade?
O silêncio tomou conta da sala. Viviane abriu a boca, mas nenhuma resposta saiu. E aquela hesitação foi resposta suficiente.
Eduardo soltou uma risada breve, sem humor algum.
— Foi o que pensei.
As lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto dela.
— Eu estava com medo...
— Sempre há uma justificativa. — Ele se recostou na cadeira. — Medo. Amor. Desespero. Solidão. Você sempre encontra uma forma de transformar suas escolhas em algo que pareça compreensível.
Viviane sentiu o desespero crescer. A conversa estava escapando de seu controle.
— Não é isso. Eu realmente me arrependo.
— Talvez.
A resposta a surpreendeu. Ela ergueu os olhos para fitá-lo. Eduardo continuava frio, mas já não havia ironia em sua voz.
— Talvez você esteja arrependida.
Viviane deu um passo à frente.
— Então você acredita em mim?
— Não.
A resposta veio imediata e seca. O brilho de esperança em seus olhos vacilou.
— Arrependimento e confiança são coisas diferentes. Você pode estar arrependida e eu ainda não confiar em uma única palavra sua.
Viviane sentiu as lágrimas queimarem seus olhos.
— O que eu preciso fazer?
Eduardo ficou em silêncio por alguns instantes, era exatamente a pergunta que ele esperava.
— Você disse que faria qualquer coisa.
— Faria.

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