— Eu tinha planejado criar uma situação para que você acreditasse que ainda existia algo entre nós. Queria que pensasse que tínhamos passado a noite juntos e, de alguma forma, se lembrasse do que vivemos.
Eduardo estreitou os olhos perigosamente. Viviane abaixou a cabeça, como se estivesse envergonhada.
— Felizmente, Murilo apareceu e me impediu de cometer um erro ainda maior.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Eduardo caminhou até a janela e ficou de costas para ela. O sol começava a se pôr entre os prédios da cidade, tingindo o escritório de tons alaranjados.
— Você fez tudo isso. — Sua voz saiu lenta e controlada. — Mentiu. Manipulou. Armou aquelas fotos.
Ele virou ligeiramente o rosto.
— E ainda enviou tudo para minha esposa.
Viviane sentiu um arrepio.
— Eduardo...
— E espera que eu aceite suas desculpas?
Ela correu até ele e o abraçou por trás.
— Porque eu te amo!
Eduardo se desvencilhou imediatamente dos braços dela.
— Saia.
A palavra soou como uma sentença.
— Por favor… não.
— Eu disse para sair.
As lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto dela. Por alguns segundos, Viviane permaneceu imóvel. Então pareceu tomar uma decisão.
— Tudo bem. Mas antes eu quero que você pense em uma coisa.
Eduardo não se virou.
— Porque eu fui egoísta. Fui covarde. Cometi erros imperdoáveis. — Sua voz vacilou. — Mas nunca fui a única pessoa a esconder coisas de você.
Eduardo permaneceu imóvel.
— Apenas... tome cuidado para não descobrir tarde demais que confiou na pessoa errada.
Viviane caminhou até a porta. Antes de sair, voltou-se para ele uma última vez.
— Só espero que, quando a verdade aparecer, você se lembre desta conversa.
Então ela saiu e o escritório mergulhou em silêncio. Eduardo permaneceu imóvel diante da janela. Parte dele queria ignorar aquelas palavras.
Afinal, vinham de uma mulher que acabara de confessar uma sequência de mentiras e manipulações.
Do lado de fora, porém, a cena era completamente diferente. Assim que a porta do escritório se fechou, as lágrimas desapareceram.
Viviane caminhou pelo corredor em passos tranquilos. Retirou um lenço da bolsa e secou cuidadosamente os olhos. Quando as portas do elevador abriram, ela entrou sozinha.
Seu reflexo apareceu no espelho e um sorriso satisfeito surgiu lentamente em seus lábios. Não havia tristeza, nem arrependimento. Apenas satisfação.
Enquanto o elevador descia, ela abriu a bolsa, retirou o batom e retocou a maquiagem com movimentos rápidos.
*****
Quando Viviane chegou em casa, encontrou Henrique sentado no sofá da sala, assistindo distraidamente a um programa qualquer na televisão.
Ele ergueu os olhos ao ouvir a porta se abrir.
— E então?
Viviane largou a bolsa sobre uma poltrona e retirou os saltos. Um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios.
— Melhor do que eu esperava.
Henrique arqueou uma sobrancelha.
— Eduardo acreditou em você?
— Não.
A resposta veio rápida.
— Pelo menos não completamente.
Henrique franziu a testa.
— Então como pode ter sido melhor do que esperava?

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