— Preciso atender.
Ao retornar alguns minutos depois, já parecia tenso.
— Aconteceu um problema na empresa. Precisar voltar para a cidade.
— Agora? — perguntou Olívia.
Gilberto franziu a testa.
— É algo sério?
— Parece que sim.
Então Eduardo voltou o olhar para Helena.
— Amanhã você volta com meus pais, vou direto para a empresa.
Helena apenas assentiu. Depois Eduardo saiu apressado e logo depois o barulho do carro partindo.
Carmen não pareceu satisfeita.
— Esses negócios vivem roubando meu neto.
— Deve ter sido algo grave para fazer Eduardo sair desse jeito a essa hora. — Disse Gilberto preocupado.
Apesar de ter deixado o Grupo Monteiro nas mãos de Eduardo, Gilberto estava a par de tudo que acontecia e fazia parte do conselho.
Mais tarde, já no quarto, Helena caminhou lentamente até a janela e afastou a cortina. A lua iluminava parte dos jardins e dos campos ao redor da propriedade.
O silêncio do campo era diferente do silêncio da mansão. Depois de alguns minutos, ela tomou banho e vestiu uma camisola confortável.
Quando se deitou, ocupou apenas um dos lados da cama, mas logo seus olhos voltaram para o espaço vazio ao lado.
E uma lembrança surgiu sem que pudesse impedir, naquela mesma cama ela acordara nos braços de Eduardo.
Lembrou-se do calor do corpo dele, do braço firme em volta de sua cintura, do aconchego que sentiu antes mesmo de abrir completamente os olhos e perceber onde estava.
Helena virou-se para o lado e fechou os olhos. Por mais distante que Eduardo fosse e por mais difícil que fosse entendê-lo. Ela queria que ele estivesse ali.
Então apagou a luz, mas demorou muito mais do que gostaria para adormecer. E, quando finalmente pegou no sono, a última imagem em sua mente foi a de estar novamente nos braços dele naquela mesma cama.
*****
Helena despertou com o sol ainda tímido pela manhã. Antes de abrir os olhos ela virou-se na cama como se procurasse por algo e só encontrou o lado frio e vazio.
Ela havia sonhado com Eduardo, aquele quarto lhe trazia momentos bons, mas ao mesmo tempo dolorosos, porque sabia que por mais que seu corpo ansiava por Eduardo, ele se recusava a se permitir qualquer tipo de envolvimento.
Depois de um banho morno, ela desceu para o café e ouviu a voz de Gilberto pelo telefone, a conversa parecia tensa e pelo que ele dizia era sobre o Grupo Monteiro.
Olívia, sentada num sofá, olhava apreensiva para Gilberto. Assim que a viu, ela se levantou.
— Querida, dormiu bem?
— Sim, obrigada. — Ela olhou para Gilberto que parecia tenso, diferente do homem tranquilo que conhecia. — Aconteceu alguma coisa grave?
— Parece que sim querida.
As duas ficaram em silêncio e após mais alguns minutos, Gilberto desligou e olhou para as duas.
— E então, querido? — perguntou Olívia.
— Parece que a situação está sob controle agora.
Gilberto sentou-se em uma poltrona antes de continuar.
— Durante a madrugada, alguém tentou invadir os servidores do Grupo Monteiro.
Helena arregalou os olhos. Olívia ficou apreensiva.
— Pelo que Eduardo me informou, o alvo eram dados estratégicos da empresa. Contratos, informações financeiras, projetos e alguns arquivos confidenciais.
Olívia levou a mão ao peito.
— Conseguiram?
— Muito pouco.
Gilberto balançou a cabeça.
— O mais estranho é que nossa equipe de segurança digital não conseguiu conter o ataque sozinha. Os invasores conseguiram ultrapassar algumas barreiras de proteção. Mas, antes que acessassem os sistemas principais, alguém interferiu.
— Alguém? Como?— Perguntou Olívia surpresa
— Sim. Uma origem externa bloqueou o ataque e expulsou os invasores da rede.
Helena franziu a testa.
— Então alguém ajudou a empresa?
— Parece que sim.
Gilberto cruzou os braços.
— Nossos especialistas ainda estão tentando descobrir quem foi. O que sabemos é que, sem essa intervenção, os prejuízos poderiam ter sido enormes.
Olívia suspirou aliviada.

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