— O jantar já está pronto, por que não come primeiro e depois sobe para descansar? — sugeriu Helena.
— Agora que você falou, percebi que mal comi nesses últimos dias.
Os dois se sentaram à mesa.
Pela forma como Eduardo atacou a comida nos primeiros minutos, Helena percebeu o quanto ele estava exausto.
Mas não era apenas cansaço físico. Havia algo mais, uma tensão incomum que ele tentava esconder.
— Você está preocupado com o ataque? — perguntou ela.
Eduardo ergueu os olhos.
— Sim.
Por alguns instantes, ficou observando o vinho em sua taça antes de continuar.
— Não gosto de perder o controle das situações.
Helena compreendeu imediatamente. Para alguém como Eduardo, não era apenas uma tentativa de invasão.
— Mas conseguiram impedir.
— E isso é justamente o que me incomoda. Vou ter que reforçar toda a segurança do Grupo. Se alguém conseguiu encontrar brechas uma vez, pode tentar novamente.
— E o tal Leon Vargas?
Pela primeira vez, um leve brilho surgiu nos olhos dele.
— Esse nome está me dando mais trabalho do que os próprios invasores.
Helena sorriu discretamente.
— Então pretende encontrá-lo?
— Pretendo descobrir quem ele é.
Depois do jantar, Eduardo subiu para o quarto. Helena recolheu a mesa e, antes de se recolher, preparou uma xícara de chá para ajudá-lo a relaxar.
Sabia que Eduardo não gostava quando ela se esforçava para agir como uma esposa dedicada. Ainda assim, não conseguiu simplesmente ignorar o cansaço estampado em seu rosto.
Com a xícara nas mãos, bateu de leve à porta. Alguns segundos depois, Eduardo abriu.
Ele já havia trocado de roupa. Estava descalço, vestindo apenas a calça de moletom do pijama. O peito nu fez Helena prender a respiração por um instante.
Sentindo o rosto aquecer, ela desviou rapidamente o olhar.
— Trouxe um chá. Achei que poderia ajudá-lo a relaxar e dormir melhor.
Eduardo a observou por alguns segundos. Seu olhar era difícil de decifrar, talvez pelo cansaço, talvez por algo mais. Então ele pegou a xícara de suas mãos.
— Obrigado.
O tom suave de sua voz a surpreendeu. Eduardo raramente falava daquele jeito. Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.
— Boa noite, Eduardo.
— Boa noite, Helena.
Ela se virou e caminhou pelo corredor até o próprio quarto que ficava ao lado do dele. Ao chegar à porta, olhou em direção ao quarto de Eduardo, ele ainda estava parado na porta com a xícara de chá entre as mãos.
Os olhares se encontraram, por alguns segundos, nenhum dos dois se moveu por alguns instantes. Então Helena entrou devagar no quarto e fechou a porta.
Do outro lado do corredor, Eduardo permaneceu parado por mais alguns instantes antes de finalmente entrar e fechar a sua porta também.
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