Helena não via Eduardo havia mais de uma semana. Naquela manhã, quando chegou à cozinha para tomar café, parou na porta.
Eduardo estava lá.
Sentado em um dos bancos da bancada, segurava uma xícara enquanto tomava café tranquilamente. Geralmente, quando estava em casa, as refeições eram servidas na sala de jantar. Por isso, ao passar por lá e não encontrá-lo, ela imaginou que ele ainda não tinha retornado para casa.
Assim que percebeu sua presença, Eduardo ergueu os olhos e os dois trocaram olhares. Ela, surpresa e ele, completamente inexpressivo.
— Bom dia. — disse Helena.
— Bom dia. — respondeu ele.
Felizmente, Olga e os demais empregados não estavam por perto. Assim, não precisavam representar o papel de marido e mulher diante de ninguém.
Helena se aproximou e sentou-se na bancada, de frente para ele.
— Não sabia que estava em casa. — disse, tentando parecer natural.
— Cheguei tarde ontem. Você já devia estar dormindo.
Helena teve vontade de perguntar por Viviane, mas desistiu. Não queria ouvir seu marido falando da provável amante.
Os dois permaneceram em silêncio. Como tantas vezes acontecia, parecia não existir assunto em comum entre eles.
— Soube que a empresa está indo bem. — comentou Eduardo com sua voz grave e controlada.
Helena ergueu os olhos, surpresa.
Eduardo era um homem extremamente ocupado. Sempre acreditara que ele não prestava atenção aos assuntos dela.
— Sim. A demanda aumentou bastante. Fechamos alguns bons pedidos de compra.
— Você tem talento para negócios e tenho acompanhado suas publicações. Suas peças são realmente muito bonitas.
A surpresa de Helena aumentou. O marido que passava tanto tempo ausente parecia saber muito mais sobre sua vida do que ela imaginava.
— Obrigada.
Eduardo terminou o café e colocou a xícara sobre a bancada. Pegou o paletó e antes de sair, porém, parou ao lado dela.
Mais uma vez seus olhares se encontraram.
— Dentro de alguns dias farei uma viagem de negócios. Provavelmente ficarei ausente por alguns meses.
Helena sentiu um aperto estranho no peito. Ela permaneceu em silêncio e ele continuou
— Estamos finalizando uma parceria estratégica com o Grupo Walker.
O nome não lhe era estranho. Helena já o havia visto inúmeras vezes em revistas e jornais especializados.
— A empresa americana?
— Sim. Eles são uma das maiores potências mundiais no setor de logística e tecnologia operacional. Se esse projeto for implementado da forma que planejamos, o Grupo Monteiro deixará de atuar apenas como uma referência nacional.
Helena ouviu atentamente. Era raro vê-lo falar sobre o trabalho, mas quando o fazia era impossível não perceber a paixão que colocava em cada palavra.
— A parceria abrirá portas em mercados onde levamos anos tentando entrar. Teremos escritórios em outros países, centros de operação próprios e uma estrutura global que permitirá ao Grupo Monteiro competir em um nível completamente diferente.
— Então você vai viajar para acompanhar tudo isso?
— Sim.

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