Na outra mesa, Rogério se esforçava para demonstrar desinteresse por Laura. Havia decidido mudar de estratégia e, pela primeira vez em muito tempo, optou por ignorá-la.
Ele a conhecia bem e sabia o quanto ela gostava de atenção. Talvez esse tivesse sido seu erro durante todo aquele tempo: dar atenção demais. Correr atrás dela, insistir, demonstrar interesse a cada oportunidade.
Quem sabe, se agisse como alguém que já não se importava, ela finalmente deixasse de tratá-lo com tanto desprezo.
Com um leve sorriso, Rogério levou a taça de vinho aos lábios. Seu olhar percorreu o salão casualmente até encontrar a mesa de Laura.
O sorriso se ampliou de forma espontânea, ela estava olhando para ele e, pela expressão em seu rosto, parecia decepcionada.
Agora, não era só ele quem se incomodava com a distância entre os dois.
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Na mesa de Helena, o jantar deveria estar animado. No entanto, Laura, que normalmente era a mais falante e divertida do grupo, estava visivelmente mal-humorada.
Percebendo isso, Bianca decidiu mudar o assunto.
— Laura, me conte sobre sua viagem.
A expressão dela suavizou imediatamente.
— Vou para a formatura da minha irmã. Ela acabou de concluir mais uma especialidade, desta vez em Inteligência Artificial, depois vai fazer doutorado na mesma área.
— Sua irmã deve ser incrível. — comentou Bernardo.
Laura sorriu.
Apesar de Gabriela ser apenas dois anos mais nova, sempre fora considerada o gênio da família.
— Aquela ali só pensa em estudar. Acho que nunca namorou na vida. — Ela riu, já parecendo muito mais animada. — Mas é um amor de pessoa. Estou morrendo de saudade dela e da minha mãe. Faz bastante tempo que não nos vemos.
— E quando terei o prazer de conhecer esse gênio? — perguntou Bernardo.
— Em breve, eu espero. Minha mãe quer voltar a morar no Brasil. Ela só continua no exterior por causa da Gabriela. E agora que minha irmã está cursando doutorado, ela está querendo entrar para o quadro técnico da Nexora, tenho quase certeza de que as duas vão se mudar definitivamente para cá.
Bernardo assentiu.
Ele e Laura já haviam acertado a contratação de Gabriela. Depois de ler seus artigos e trocar inúmeras mensagens e videoconferências com ela, estava convencido de que a jovem possuía um talento excepcional para tecnologia e inovação.
— Estou ansiosa para conhecê-la. — disse Helena.
— Eu também. — Bernardo riu. — Toda vez que conversamos por vídeo, ela aparece usando um avatar de gatinho.
Todos sorriram.
— Ela é extremamente tímida. — respondeu Laura, lançando um olhar divertido para Bernardo, com um leve brilho de malícia nos olhos.
— Se ela se parecer com você, deve ser muito bonita. — comentou Bianca.
Laura balançou a cabeça, sorrindo.
— Esperem até conhecê-la. Sou suspeita de falar da minha irmãzinha, mas ela é realmente especial.
Pela primeira vez naquela noite, o mau humor que a acompanhava desde a chegada pareceu desaparecer por completo.
O restante do jantar transcorreu de forma mais leve. As conversas fluíam naturalmente, arrancando risos ocasionais da mesa. Ainda assim, de tempos em tempos, Laura lançava discretos olhares para a mesa onde Rogério estava sentado.
Ele parecia completamente à vontade. Ria, conversava com os outros empresários e raramente olhava em sua direção. Aquilo fazia o sangue de Laura ferver. Quanto mais ele a ignorava, mais ela sentia vontade de chamar sua atenção.
Felizmente, as histórias sobre Gabriela e as brincadeiras à mesa ajudavam a mantê-la distraída. Mas Laura não era a única pessoa observando alguém naquela noite.
Na mesma mesa de Rogério, um par de olhos castanhos e tranquilos também se desviava da conversa e acabava sempre encontrando a mesma pessoa.
Helena.
Bruno participava das discussões de negócios, respondia perguntas e mantinha a cordialidade habitual. Ainda assim, vez ou outra, seu olhar voltava involuntariamente para a mesa dela.
Helena parecia tranquila. Sorria para os amigos, participava das conversas e, à luz suave do restaurante, sua beleza parecia ainda mais evidente.

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