Depois daquela noite, Eduardo não voltou a visitar Viviane em seu apartamento. Limitava-se a telefonar ocasionalmente para saber como ela estava e se precisava de alguma coisa.
Aquilo fazia o sangue de Viviane ferver.
Ela esperava que a aproximação daquela noite produzisse algum efeito, mas, em vez disso, Eduardo se afastou e parecia ainda mais distante. Mesmo contrariada, fingiu aceitar a situação.
Ela soube que Eduardo estava prestes a embarcar em uma longa viagem de negócios e conseguiu descobrir a data e qual seria o voo.
— E você pretende mesmo fazer essa viagem? — perguntou Henrique, deitado ao lado dela na cama enquanto passava os dedos distraidamente próximo ao curativo em seu ombro.
Viviane sorriu.
— Sim. Eu soube que ele não vai levar Helena.
Henrique lançou-lhe um olhar desconfiado.
— Já esqueceu o que aconteceu da última vez?
O sorriso dela desapareceu.
— Eu fui imprudente. Não avaliei a situação direito. Desta vez será diferente, eu só preciso estar no lugar certo, na hora certa. — Seus olhos brilharam de forma calculista. — E fazer Helena acreditar que viajei com ele.
Henrique franziu a testa.
— E como pretende fazer isso?
Viviane voltou a sorrir.
— Com a sua ajuda, é claro.
Henrique soltou um suspiro cansado. Nos últimos tempos, já aprendera que discutir com Viviane raramente mudava alguma coisa. Quando ela colocava uma ideia na cabeça, seguia em frente independentemente das consequências.
— Vou tomar um banho. — disse ele, levantando-se da cama. Sem esperar resposta, caminhou em direção ao banheiro.
Viviane permaneceu com o olhar fixo em algum ponto distante.
*****
Nos dias seguintes, Eduardo voltou para casa todas as noites, o que surpreendeu Helena.
Ela o recebia com um sorriso discreto e preparava o jantar. Os dois faziam as refeições juntos, mas conversavam pouco. Quando falavam, limitavam-se a trivialidades do cotidiano ou a algum comentário sobre o trabalho.
A viagem se aproximava, e Helena alimentava um fio de esperança de que ele a convidasse para acompanhá-lo. Mas isso não aconteceu. E ela também não teve coragem de tocar no assunto.
Poucos dias antes da partida de Eduardo e Laura, que, coincidentemente, viajariam no mesmo dia, aconteceu o jantar que Bruno havia proposto.
Bruno foi o primeiro a chegar. Enquanto aguardava os demais, permaneceu no balcão do bar localizado no andar inferior do restaurante. Não demorou para que Bernardo e Bianca chegassem.
Assim que o avistaram, seguiram em sua direção. Bruno os recebeu com seu habitual sorriso cordial e sereno. Cumprimentou primeiro Bernardo e, em seguida, voltou a atenção para Bianca.
Ela estava deslumbrante. Usava um vestido longo branco que realçava sua elegância, enquanto a maquiagem delicada destacava ainda mais sua beleza natural.
— Senhorita Bianca, está belíssima esta noite. — disse Bruno, com sua voz grave e suave ao mesmo tempo.
Bianca sentiu o calor subir às faces diante do elogio.
— Muito obrigada.
Logo depois, os três foram conduzidos à mesa reservada.


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