Helena desviou o olhar. Por um instante, sentiu-se exposta demais sob a atenção de Bruno. Sem responder à pergunta, fez um gesto elegante em direção à cadeira diante de sua mesa.
— Obrigada pela preocupação. — Sua voz saiu suave, mas distante. — Gostaria de um café?
A mudança de assunto foi tão óbvia que Bruno entendeu. Ele aguardava uma oportunidade para entender melhor o que realmente acontecia entre Helena e Eduardo. Mas eles não tinham intimidade suficiente para esse tipo de conversa.
Além disso, ele era amigo de Eduardo. Provavelmente Helena jamais se sentiria confortável para se abrir com ele.
— Um café seria ótimo. Obrigado.
Helena assentiu. Pegou o comunicador sobre a mesa.
— Ana, por favor, traga dois cafés.
— Sim, senhora Helena.
Poucos minutos depois, as xícaras fumegantes já estavam sobre a mesa, mas o assunto pessoal ficou para trás.
Durante a hora seguinte, os dois mergulharam completamente no planejamento do novo complexo comercial do Grupo Lima. E foi nesse momento que Bruno viu surgir uma Helena completamente diferente.
A mulher abatida que recebera momentos antes desapareceu. Em seu lugar surgiu uma profissional segura, inteligente e apaixonada pelo que fazia.
Discutia materiais, acabamentos e tendências arquitetônicas com uma segurança que deixava evidente sua experiência. Helena apontou para a planta sobre a mesa.
— Hoje temos materiais nacionais de qualidade e sofisticação.
Ela deslizou o dedo para outra seção do projeto.
— Para os pisos das áreas comuns, eu recomendaria uma combinação de materiais de alto padrão que garanta maior facilidade de reposição e manutenção no futuro.
Bruno a observou atentamente enquanto ela falava.
— E quanto ao hall principal?
Os olhos de Helena se iluminaram.
— Na verdade, eu tenho uma proposta diferente para o hall. Recentemente tivemos acesso a uma nova jazida de mármore com características excepcionais.
Ela abriu algumas imagens em seu tablet e as colocou diante dele.
— Ainda estamos finalizando a exploração e a comercialização, mas acredito que esse projeto seria uma vitrine perfeita para apresentar o material ao mercado.
Bruno analisou as fotografias. Os veios naturais percorriam a pedra com uma beleza sofisticada e marcante.
— Impressionante.
— É exatamente o que pensei quando vi os primeiros blocos extraídos. — Um leve sorriso surgiu em seus lábios. — O Brasil possui algumas das melhores rochas ornamentais do mundo. Muitas vezes as pessoas valorizam apenas o que vem de fora e acabam ignorando o potencial que temos aqui.
Bruno voltou a olhar as imagens.
— Então você está me dizendo que podemos ter exclusividade em um material que ainda nem chegou oficialmente ao mercado?
— Por um período, sim. — respondeu ela. — E isso daria ao complexo uma identidade única.
— Agora entendo por que sua empresa está crescendo tão rápido.
Helena apenas sorriu. Talvez o primeiro sorriso genuíno que ele vira nela naquele dia.
Ao final da reunião, Bruno fechou a pasta de documentos.
— Acho que precisamos dar o próximo passo. Quero marcar uma reunião com toda a equipe de projetos do Grupo Lima.
Helena arqueou levemente as sobrancelhas.
— Sinceramente, Helena, sua visão para este projeto está muito além do que eu esperava.
Por um instante, ela ficou sem saber o que responder. Ouvir um elogio sincero foi quase desconcertante.
— Obrigada.
Bruno sustentou seu olhar por alguns segundos.

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