Helena mergulhou no trabalho. Se antes já era dedicada, agora parecia determinada a ocupar cada minuto do dia.
Participava de reuniões, visitava obras, estudava novas tendências do setor e se aprofundava cada vez mais em arquitetura comercial, design corporativo e rochas ornamentais.
Ao mesmo tempo, o complexo comercial do Grupo Lima avançava rapidamente. Por se tratar de um empreendimento de grande porte, Helena passou a frequentar regularmente a sede do grupo.
As reuniões tornaram-se cada vez mais frequentes e Bruno era uma presença constante em praticamente todas elas. A parceria entre as empresas crescia e novos contratos surgiam. O nome da Vasconcelos ganhava espaço no mercado nacional.
Durante esse período, Bruno também precisou viajar a negócios e passou quase um mês fora do país.
O Grupo Lima teria uma participação estratégica em um dos grandes empreendimentos que o Grupo Monteiro estava expandindo no exterior, o que os colocou na mesma agenda de reuniões, conferências e eventos corporativos.
Foi nesse contexto que Bruno também voltou a encontrar Viviane.
Ela aparecia em muitos compromissos sociais e empresariais em que Eduardo estava presente, mas algo parecia diferente.
Viviane ainda fazia questão de permanecer próxima dele, procurando ocupar o lugar ao seu lado sempre que podia. Contudo, já não existia a intimidade que Bruno se lembrava de antes.
Eduardo havia erguido barreiras e isso era evidente.
Ele a tratava com educação impecável, demonstrava consideração e jamais a constrangia em público. Porém, havia uma distância fria em sua postura.
Quando falava com ela, sua voz permanecia cordial, seu olhar, no entanto, nunca a encarava de frente.
Era como se uma parede invisível existisse entre os dois e Bruno acreditava saber a razão. Viviane havia salvado a vida de Eduardo.
Um homem como Eduardo jamais ignoraria uma dívida daquela magnitude, mas gratidão e amor eram coisas completamente diferentes. A confirmação dessa suspeita veio durante um jantar empresarial.
Em um raro momento de tranquilidade, os dois acabaram sozinhos próximos ao terraço do salão. Bruno girou lentamente a taça entre os dedos antes de lançar um olhar casual para Eduardo.
— Por que Helena não está aqui com você?
A pergunta pareceu atingir um alvo invisível. O maxilar de Eduardo se contraiu, seu semblante endureceu quase instantaneamente e os olhos ficaram sombrios.
— Isso não é da sua conta.
A resposta veio fria e cortante, Bruno sustentou seu olhar sem se deixar intimidar.
— Talvez não seja. — Tomou um gole do vinho antes de continuar. — Mas eu me pergunto que tipo de casamento é o seu.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Eduardo o encarou por alguns segundos, havia algo perigoso em seu olhar, algo que Bruno não conseguiu interpretar completamente.
— O tipo de casamento no qual você não deve se intrometer.
A voz saiu baixa e firme. Sem esperar resposta, Eduardo virou-se e começou a se afastar.
Bruno observou sua figura desaparecer entre os convidados. A reação deveria tê-lo ofendido, mas produziu exatamente o efeito contrário.
Quanto mais pensava na resposta de Eduardo, mais convencido ficava de que havia algo profundamente errado naquela história.
Um homem verdadeiramente feliz em seu casamento não reagiria daquela forma a uma pergunta tão simples.
Bruno levou a taça aos lábios e observou o salão por alguns instantes. Então uma imagem surgiu em sua mente.
Helena.
Seu sorriso, seu olhar triste nas últimas semanas.
E, naquele momento, uma suspeita que já vinha crescendo dentro dele ganhou ainda mais força. Talvez aquele casamento nunca tivesse sido um casamento de verdade.
Enquanto observava de longe, Viviane se aproximou de Eduardo, ele disse algo a ela, Viviane permaneceu imóvel acompanhando-o com os olhos enquanto ele se afastava entre os convidados e desaparecia pela saída principal.
Bruno estreitou os olhos. Não sabia o que Eduardo havia dito, mas fosse o que fosse, bastou para que Viviane permanecesse onde estava.

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