Laura permaneceu mais alguns dias no Brasil, antes de viajar novamente para o exterior, antes ela se encontrou com Leonardo no bistrô.
Sentada à mesa, ela terminava de analisar o dossiê que ele havia preparado. Cada página revelava um novo detalhe. Fotografias, registros, nomes, endereços, horários. Tudo minuciosamente documentado.
Quando chegou à última folha, percebeu que seu chá já estava frio havia muito tempo.
Fechou a pasta lentamente e ergueu os olhos para Leonardo.
— Ela é ainda mais podre e perigosa do que eu imaginava. — Laura balançou a cabeça, incrédula. — E pensar que consegue enganar todo mundo com aquela carinha inocente.
Leonardo manteve a expressão séria. Não havia qualquer satisfação em seu rosto por ter confirmado suas suspeitas.
— Você fez um trabalho impressionante. — continuou Laura. — Mas e agora? O que pretende fazer com tudo isso?
Leonardo pegou a pasta e a trouxe para mais perto de si.
— Vou entregar a Eduardo. Depois disso, a decisão será dele.
Sua resposta foi tranquila, mas Laura percebeu o peso escondido por trás das palavras.
— E você acha que, depois de ver tudo isso, ele finalmente vai reconhecer que errou ao duvidar de você?
Leonardo soltou uma breve risada sem humor.
— Ou talvez me odeie ainda mais.
Laura franziu a testa.
— Depois disso? — Ela bateu levemente na capa da pasta. — Eduardo deveria te agradecer de joelhos por revelar quem Viviane realmente é… ou melhor a falsa Viviane que todos conhecem... e a verdadeira Angelina Santos.
Por um instante, os dois ficaram em silêncio. Leonardo juntou provas de uma vida construída sobre mentiras. E, quando Eduardo finalmente descobrisse toda a verdade, Leonardo não conseguia imaginar qual seria sua reação, mas uma coisa ele tinha certeza, tudo podia mudar para melhor ou para pior.
*****
Depois de mais alguns dias no Brasil, Laura precisaria retornar ao exterior. Antes da viagem, porém, fez questão de encontrar Helena mais uma vez.
Nos últimos dias, as duas haviam estado ocupadas demais para conversas longas. Ainda assim, Laura percebia coisas que Helena acreditava conseguir esconder.
Os sorrisos continuavam lá, a dedicação ao trabalho também. Mas havia algo silencioso em seu olhar que não existia antes.
Além disso, algo a incomodava. Eduardo estava fora do país havia meses e Helena não o acompanhou em nenhuma viagem. Ela nunca falava dele espontaneamente.
E sempre que Laura fazia alguma pergunta, por mais inocente que fosse, a conversa mudava de direção. A distância entre os dois parecia maior do que geograficamente.
Na véspera de sua partida, elas combinaram de se encontrar no mesmo café onde haviam conversado pela primeira vez. Por alguns instantes, as duas apenas aproveitaram a companhia uma da outra.
— Às vezes sinto falta de quando nossas maiores preocupações eram provas e trabalhos da faculdade. — comentou Laura.
Helena riu.
— Eu também. Não tínhamos tanta preocupação, só tirar boas notas.
As duas sorriram com aquele olhar saudoso e a conversa seguiu leve. Falaram sobre os negócios e sobre os planos de Laura para os próximos meses.
Mas havia um assunto sentado entre elas, ocupando uma cadeira invisível à mesa. E ambas sabiam disso. Em determinado momento, Laura observou Helena mexer distraidamente na xícara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido