Helena ainda tentava recuperar o controle da respiração quando alguém bateu à porta.
Rapidamente, enxugou as lágrimas com as costas da mão e pousou o celular virado para baixo sobre a mesa, como se assim pudesse esconder não apenas a fotografia, mas a dor que ela havia deixado.
Era Ana, que ao ver Helena parou na porta, na dúvida se entrava ou não. Helena tentou disfarçar e não olhou diretamente para ela.
— O que foi Ana? — disse, forçando a voz a sair firme.
— O senhor Bruno Lima, ele deseja falar com a senhora.
— Pode pedir para ele entrar.
Helena respirou fundo tentando se recuperar. Logo depois a porta se abriu e Bruno entrou no escritório.
Como sempre, trazia consigo aquela elegância natural que parecia não exigir esforço algum. Usava um terno claro impecável, mas foi o semblante de Helena que fez com que ele parasse ainda perto da porta.
Os olhos dele se estreitaram, ele fechou a porta atrás de si e se aproximou da mesa.
— Atrapalho? — perguntou, em tom baixo.
— Não. — Helena respondeu rápido demais. — Eu só estava revisando alguns documentos.
Bruno lançou um olhar discreto para os papéis espalhados à frente dela, depois voltou a encará-la.
Bruno sentou em frente a ela.
— O que aconteceu?
Helena desviou o olhar. Queria repetir a desculpa de sempre, esconder-se atrás do trabalho, do cansaço, de qualquer coisa que evitasse explicar por que seu coração parecia ter sido esmagado há poucos minutos.
Mas a presença de Bruno era acolhedora e gentil demais.
— É só um dia ruim. — murmurou.
— Helena… eu não vou forçá-la a me contar nada. — a voz dele saiu calma, serena. — Mas também não vou fingir que não percebi que você estava chorando.
Helena baixou os olhos para as próprias mãos. Era humilhante sentir-se tão exposta, ainda mais diante de alguém que sempre a tratara com respeito e uma atenção que, aos poucos, se tornara preciosa.
— Desculpe. — disse baixinho. — Eu não queria…
— Não tem nada para se desculpar.
— Às vezes eu acho que fui ingênua demais. — confessou, a voz falhando. — Que esperei coisas que nunca deveriam ter esperado.
Bruno a observou em silêncio, ele entendeu exatamente do que ela falava, mesmo assim, manteve a expressão serena.
— Esperar não é ingenuidade. — disse, com suavidade.
Helena ergueu os olhos devagar.
A dor neles era tão nítida que Bruno precisou conter o impulso de se levantar, contornar a mesa e simplesmente abraçá-la.
— Eu estou sendo ridícula, não estou? — perguntou ela com um sorriso trêmulo, que mais parecia um pedido de desculpas por estar fraca.
Bruno negou de imediato.
— Não. Está sendo humana.
Por um momento, o silêncio pairou entre os dois.
Bruno então se recostou na cadeira e, num gesto deliberadamente casual, mudou um pouco o tom da voz.
— Tenho uma proposta. Antes que recuse, saiba que não estou pedindo um jantar formal, nem uma reunião de trabalho disfarçada. — um leve sorriso surgiu em seus lábios. — Só quero tirar você deste escritório por algumas horas
Apesar de tudo, Helena soltou uma pequena risada, fraca, mas sincera.
— Eu não sei se seria a melhor companhia para isso hoje. — murmurou ela.
— Discordo. — respondeu ele prontamente. — Acho que sou excelente em lidar com dias ruins.

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