Leonardo não foi direto para casa.
Depois de deixar a rua onde Viviane estava, dirigiu por alguns minutos sem rumo aparente, enquanto a imagem dela parada à janela permanecia viva em sua mente.
Não era apenas a presença de Henrique naquela casa que o incomodava. Era a tranquilidade de Viviane que parecia sentir como se nada pudesse alcançá-la. Como se todas as mentiras, manipulações e destruições que deixara pelo caminho jamais fossem cobrá-la.
Seus dedos apertaram o volante com mais força. No banco do passageiro, a pasta escura permanecia fechada. Ali dentro estava boa parte da verdade sobre Viviane ou melhor, sobre Angelina Santos.
Eduardo usou o bluetooth e ligou para um dos homens de confiança que o ajudara a levantar o dossiê.
— Senhor. — O homem atendeu imediatamente.
— Quero vigilância em Viviane a partir de hoje. — disse, sem rodeios. — Rotina, encontros, ligações, tudo. Principalmente depois que Eduardo voltar ao país.
Do outro lado da linha, o homem permaneceu em silêncio por um instante.
— E o Henrique?
— Quero os dois monitorados.
Desligou em seguida.
Leonardo continuou dirigindo sem rumo por alguns minutos.
Quando percebeu, ou talvez guiado por um instinto que já nem tentava mais controlar, havia parado o carro a poucos metros da mansão Monteiro. Permaneceu imóvel atrás do volante, observando os portões fechados.
Sentia saudade dos pais, da comida e da família unida e feliz.
Ele sempre vinha ali, às vezes durante o dia, outras já tarde da noite, como agora. Com o desejo de ver os pais mesmo que fosse apenas por um instante, mas isso raramente acontecia. E, quando acontecia, Leonardo precisava conter o impulso de sair do carro, atravessar os portões e correr para os braços da mãe e do pai como se nada tivesse mudado.
Sentia falta da avó Carmen. Do sítio, da comida caseira e da família reunida.
Leonardo fechou os olhos por um instante e soltou um suspiro longo.
— Em breve tudo isso acaba. — murmurou para si mesmo.
Ligou o carro novamente e deixou a rua para trás.
Seguiu até o bairro onde morava, uma região de classe média, distante do luxo e da grandiosidade a que sempre estivera acostumado.
O apartamento não era grande, tampouco luxuoso, mas era confortável. Ao entrar, foi recebido apenas pelo vazio habitual. Nenhuma presença além da própria solidão.
Leonardo olhou para o relógio. Já era tarde, passou a mão pelo rosto, cansado, e seguiu para o quarto.
Precisava dormir.
*****
Durante o dia seguinte, Leonardo tentou se concentrar no trabalho, mas era inútil, pensava em Eduardo e na forma como ele reagiria quando descobrisse tudo.
Leonardo passou a mão pelo rosto e se recostou na cadeira. Ele não se importava em ser odiado por Eduardo. Se fosse preciso, suportaria isso.
O que não podia mais aceitar era continuar assistindo, em silêncio, enquanto Viviane destruía a vida de todos à sua volta.
No fim da tarde, o celular vibrou sobre a mesa. Era uma mensagem curta do investigador.

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