Bernardo retornava para casa tarde naquela noite. Os últimos dias haviam sido exaustivos. Entre reuniões, contratos e a expansão acelerada da empresa, mal encontrava tempo para descansar.
Ao entrar na rua onde morava, diminuiu a velocidade instintivamente. A esquina estava completamente iluminada. Mas o que chamou sua atenção foi a mulher parada diante da ampla janela da sala.
Mesmo à distância, havia algo familiar em sua silhueta. Bernardo franziu a testa e reduziu um pouco mais a velocidade.
A mulher virou levemente o rosto. Por um instante, ele teve a impressão de reconhecer aquelas feições.
Viviane?
A ideia surgiu tão rapidamente que pareceu absurda. Antes que pudesse concluir qualquer coisa, um homem apareceu atrás da mulher e a envolveu pela cintura em um abraço íntimo.
Ela sorriu e apoiou as mãos sobre os braços dele. Bernardo observou a cena por alguns segundos. Mas logo balançou a cabeça.
Não fazia sentido.
Pelo que sabia, Viviane vivia cercada de luxo, frequentava ambientes exclusivos e cultivava uma imagem de sofisticação. Dificilmente escolheria morar em um bairro residencial de classe média alta.
Sem pensar mais no assunto, seguiu até sua casa. Ao entrar, encontrou Bianca e Helena acomodadas no sofá da sala, assistindo a uma série.
— Irmão, chegou! — anunciou Bianca assim que o viu.
Bernardo sorriu, aproximou-se das duas e beijou primeiro o rosto da irmã, depois o de Helena.
— Você está com uma cara péssima. — comentou Helena, divertindo-se.
— Obrigado pela sinceridade.
— Eu prefiro chamar de preocupação.
— Nesse caso, agradeço a preocupação.
Helena sorriu.
— Foi um dia difícil?
— Muito trabalho. E ainda tivemos um pequeno problema na empresa.
— Problema sério? — perguntou Bianca.
— Nada que já não esteja resolvido.
Nesse momento, Glória apareceu vinda da cozinha.
— Filho, você já jantou?
— Já sim, mãe.
Ele a abraçou rapidamente.
— Então vá descansar.

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