Os últimos relatórios haviam sido aprovados. Eduardo leu rapidamente e respondeu com poucas palavras.
Em seguida, pousou o aparelho novamente e seu olhar retornou para a cidade iluminada.
Por um instante, pensou em ligar para os pais. Gilberto certamente gostaria de ouvir as novidades e Olívia provavelmente ficaria emocionada.
Mas não foi deles que se lembrou primeiro. A imagem que surgiu em sua mente foi outra.
Helena.
Eduardo fechou os olhos por um breve momento.
Haviam se passado meses. Nenhuma ligação, mensagem ou contato. Ele não sabia como ela estava, o que ela fazia, se encontrava alguém.
O pensamento provocou uma sensação estranha e desagradável. Terminou o restante do uísque de uma só vez.
Aquilo não deveria importar, o casamento deles era apenas um contrato. Era o que repetia para si mesmo inúmeras vezes.
Então por que continuava pensando nela?
Por que, mesmo prestes a conquistar tudo pelo que trabalhou durante anos, a sensação de vazio parecia maior do que nunca?
Eduardo a empurrou para o fundo da mente, tentando em vão esquecer. Pegou o celular mais uma vez.
Por alguns segundos, seu polegar pairou sobre o contato de Helena. Bastaria uma mensagem.
"Como você está?"
Mas, no fim, bloqueou a tela e guardou o aparelho no bolso. Não era a primeira e nem a segunda vez que ele fazia esse gesto durante meses, foram inúmeras. Mas ainda não era o momento.
Primeiro terminaria o que havia começado, concluiria a negociação que consumira quase um ano de sua vida e depois voltaria para casa. E só então decidiria o que fazer com tudo aquilo que vinha evitando pensar.
Do lado de fora, as luzes de Cingapura continuavam brilhando. Mas, naquela noite, após muitos meses, o pensamento de retornar ao Brasil parecia ocupar mais espaço em sua mente do que o próprio contrato bilionário que estava prestes a assinar.
*****
Helena acordou cedo naquela manhã.
Havia retornado para casa apenas na noite anterior e, em circunstâncias normais, aquele dia deveria ter sido motivo de alegria e comemoração. Mas não era.
Ainda deitada, voltou o olhar para o porta-retrato sobre a mesa de cabeceira. Era uma fotografia do dia do casamento dela com Eduardo, há exatos dois anos.
Por alguns instantes, ficou apenas observando a imagem, como se encarasse a vida de outra mulher.

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