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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 156

Longe dali, Eduardo e Murilo acabavam de chegar ao imponente edifício do Grupo Walker.

Foram conduzidos sem demora ao andar da presidência, onde a secretária de John Walker os recebeu com um sorriso cordial e impecavelmente profissional.

— Senhor Monteiro, seja bem-vindo. O senhor Walker pede desculpas pelo atraso. Houve uma atividade na escola dos filhos esta manhã e ele acabou demorando um pouco. Não deve tardar.

Eduardo conteve a surpresa.

John Walker nunca se atrasava.

Nos últimos meses, lidando com as exigências rigorosas do empresário e com a complexidade daquela negociação, Eduardo aprendera uma coisa sobre ele: John Walker era um homem de disciplina quase inflexível. Objetivo, duro, pontual ao extremo e conhecido no mercado por não tolerar falhas. Não era o tipo de homem que alterava a agenda por qualquer motivo.

E, ainda assim, ali estava ele, atrasado por causa dos filhos. Eduardo, porém, não deixou que a surpresa transparecesse.

— Não tem problema. Posso aguardá-lo.

— Por aqui, por favor.

A secretária os conduziu até uma ampla sala de espera, decorada com sofisticação discreta. As paredes envidraçadas ofereciam uma vista privilegiada da cidade, que se erguia grandiosa lá fora, recortada por arranha-céus.

— Gostariam de alguma coisa? Água, café, chá?

— Não, obrigado. — respondeu Eduardo.

Assim que a secretária se retirou, ele e Murilo se acomodaram em um dos sofás de couro claro. Murilo abriu o tablet e passou a revisar, em silêncio, os principais pontos da reunião. Eduardo permaneceu calado, o olhar fixo na paisagem além do vidro, embora a mente estivesse longe dali.

Nos bastidores do mundo empresarial, muito se falava sobre John Walker.

Falava-se da agressividade dele nas negociações, da frieza com que esmagava concorrentes, da forma quase brutal com que conduzia aquisições e impunha condições. Muitos o chamavam de “o homem de gelo”. Outros diziam que ele era implacável demais até para os padrões daquele meio.

Mas também se falava de outra coisa.

Da devoção quase absoluta que tinha pela família. Dos filhos, a quem fazia questão de acompanhar de perto apesar da agenda absurda e, principalmente, da esposa.

Elizabeth Walker.

Eduardo já ouvira mais de uma vez comentários quase incrédulos sobre a forma como John a tratava. Havia quem dissesse que o homem temido por conselhos administrativos inteiros mudava de expressão ao ouvir a voz da esposa ao telefone. Que interrompia reuniões para atender uma ligação dela. Que, por trás da reputação de aço, existia um homem profundamente apaixonado pela mulher com quem se casara.

Eduardo achava aquilo contraditório ou talvez apenas não tivesse pensado o bastante a respeito. Seu maxilar se contraiu discretamente porque não conseguiu evitar que a comparação se formasse em sua mente.

Helena.

A imagem dela surgiu nítida, como se estivesse diante dele e não a um oceano de distância. Eduardo desviou o olhar da janela e ficou incomodado com o rumo dos próprios pensamentos.

John Walker se atrasara por causa dos filhos, da família, da mulher e da vida que construíra ao redor dela.

Eduardo, por sua vez, passara os últimos meses atravessando continentes, negociando cifras milionárias, dormindo pouco e trabalhando até a exaustão… sem sequer se perguntar, o que Helena fazia, como estava ou se ainda esperava alguma coisa dele.

Lembrava-se dela em momentos inoportunos demais no silêncio dos hotéis, ao fim de reuniões exaustivas, no instante em que o cansaço baixava a guarda e deixava sua mente vulnerável. Mas sempre empurrava essas lembranças para o fundo da consciência, como se fossem um incômodo que pudesse controlar da mesma forma que controlava uma negociação.

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